Espada x escudo.
A missão, nosso propósito, foi sempre o mesmo. Salvar vidas. Se isso mudou de alguma forma, se estamos numa situação onde a Machine nos pede para matar… Esse é um ponto no qual não posso chegar”
– Finch.
A 3ª temporada de Person of Interest ainda não chegou ao final, porém dificilmente conseguirá perder o posto de melhor da série até o momento. A cada novo episódio que passa os enredos tornam-se ainda mais interessantes, rodeados por um clima sombrio que, ao mesmo tempo em que fascina, também faz com que nos sintamos amedrontados com os acontecimentos que podem vir a surgir na série. Não satisfeitos com a morte de Carter (e muito provavelmente por causa dela), os roteiristas agora nos fazem temer por tudo e por todos nos deixando quase desesperados no aguardo dos próximos episódios.
Death Benefit foi um show de como criar expectativas nos fãs. Se fizermos uma análise fria do episódio, veremos que na verdade ele foi extremamente arrastado, seguindo a passos lentos durante seus primeiros 35 minutos, porém criando uma atmosfera de tensão quase insuportável até finalmente permitir a explosão da bomba há tantos episódios aguardada. O caso da semana certamente foi interessante desde o início, afinal, não é em todo episódio em que o Team Machine sequestra um deputado dos EUA (e como diria Finch, acaba perseguido pelo FBI e por uma dúzia agências com siglas de três letras), porém a verdade é que seu desenvolvimento apenas serviu de preparação para mostrar os passos finais de Greer em busca de colocar o Samaritan online e, é claro, para a grande polêmica em torno das reais intenções da Machine ao liberar o Social Security Number de Roger McCourt.
Os oito minutos finais de Death Benefit foram de explodir a cabeça. Teria realmente a Machine tido a intenção de enviar o Team para assassinar McCourt e assim impedir uma desgraça maior? Ainda que Finch tenha afirmado que isso seria possível em um caso extremo, a Machine já deu algumas demonstrações de zelar pela vida humana (por exemplo, quando não permitiu a Root matar Hersh quando a hacker fugiu da clínica psiquiátrica) e, além disso, deve saber melhor do que ninguém que seu criador não conseguiria participar ou até concordar com um assassinato (e se era para assassinar alguém, não seria mais fácil enviar Root?). Assim, creio ser mais provável que exista outra explicação para o ocorrido, a qual nos deverá ser revelada em momento oportuno.
De qualquer forma, tendo a Machine ou não a intenção de enviar o Team para matar McCourt, o fato é que a discussão gerada no episódio sobre os limites que devem ou não ser ultrapassados valeu muito a pena, proporcionando ainda um diálogo excelente de Harold com Shaw e John e dando a Michael Emerson a oportunidade de realizar mais um de seus shows de atuação. Além disso, o que dizer daquela sequência de cenas a partir do momento em que John caminha em direção a McCourt, seguida pela perseguição da SWAT, a bala atingindo Shaw e a fuga no carro, tudo isso ao som de Medicine, da banda inglesa Daughter? Fantástico!
E não existe outra coisa a sentir que não desespero após a cena final de Death Benefit. Ainda que há algum tempo já soubéssemos que o Team Machine passaria a correr muitos riscos quando o Samaritan ganhasse vida, ouvir Greer pronunciar as terríveis palavras “Encontre-me Harold Finch” foi extremamente perturbador, sufocante e aterrorizante. Sei que John, Shaw e Fusco são por demais queridos de todos nós, porém Finch certamente é o personagem favorito de quase todos os fãs da série. Sem ele não existe Machine, não existem Social Security Numbers a serem protegidos, não existem John, Shaw e Fusco. Harold é a vida da série, é a engrenagem que a faz funcionar e, ainda que no fundo o racional aponte que exatamente por esses motivos ele conseguirá sobreviver a Greer e ao Samaritan, não há como bloquear o sentimento de medo de estarmos errados.
Observações
– Muito interessante o encontro de Garrison e Greer, principalmente pelo fato do senador ter afirmado que a reputação de Greer o precedia. Mas o que será que Garrison quer dizer com isso? Já teria o próprio Greer aprontado das suas anteriormente ou já seria a Decima Technologies uma velha conhecida do governo americano?
– A dupla Root e Shaw mais uma vez fazendo sucesso. Fala sério, os roteiristas fazem de propósito só para provocarem aqueles que shipam as duas, não?
– Alguém mais teve a impressão de um McCourt pensativo após falar com Garrison? Teria Harold conseguido inserir uma minhoquinha na cabeça dele?
– A frase de McCourt “A simples verdade é que as pessoas querem ser protegidas. Elas só não querem saber como” já foi proferida antes na série, de Finch para John, no episódio piloto.
– No início da busca do Samaritan por Finch já podemos ver que ele associa Finch logo de cara a Nathan, assim como aos codinomes Harold Wren e Harold Crane (vejam a imagem abaixo). Desesperador!

Frases
– “Isso parece divertido.” (Shaw para John)
– “Higiene oral significa algo, suponho.” (Finch para John)
– “A Máquina é um escudo. Ela protege vidas. Eu a projetei com defesas para evitar que fosse abusada por agentes destruidores. O Samaritano é um sistema aberto. É uma espada. Se ele ganhar acesso às informações do governo, não haverá fiscalização ou limites para o conhecimento possuído pela pessoa que controlá-lo.” (Finch para John)
– “Podemos acabar com o sofrimento do gato?” (John para Finch)
– “O Northern Lights foi efetivo, mas comprometido pela ética do criador dele. O programa falava, mas não escutava. O que tenho não só escuta, como obedece. Pode encontrar qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer hora. Você mal precisa pedir.” (Greer para Garrison)
– “Sei de um lugar que serve um filé que é melhor que sexo.” (Shaw para Root)
– “Obstáculos só são obstáculos até que você os tire do caminho.” (Greer para Garrison)
– “Finch, McCourt e a assessora têm trabalhado em mais coisas do que posições políticas.” (John para Finch)
– “A polícia e o Serviço Secreto procuram por você agora, sem falar do FBI e uma dúzia de agências com siglas de três letras!” (Finch para John)
– “Consultores de bife da América, Finch? Precisamos nos esconder, não comer um hambúrguer.” (John para Finch)
– “Acho que a Machine quer que a gente mate McCourt.” (John para Finch e Shaw)
– “Nunca confiei plenamente na Machine, mas você a construiu, e confio em você.” (John para Finch)
– “O que acha que acontecia quando ela dava ao Governo o CPF de um terrorista? O que acha que costumávamos fazer para viver?” (John para Finch)
– “Há 6 meses, eu já teria atirado nesse cara. Mas ao passar a andar com vocês, me acostumei a salvar pessoas. Mas só conseguimos fazer isso por confiar na Machine. E se ela diz que esse cara precisa morrer… acho que deveríamos continuar confiando.” (Shaw para Finch e John)
– “Desde que começamos isso, as coisas mudaram. Nós mudamos. Mas a missão, nosso propósito, foi sempre o mesmo. Salvar vidas. Se isso mudou de alguma forma, se estamos numa situação onde a Máquina nos pede para matar… Esse é um ponto no qual não posso chegar. Receio que é aqui que eu me retiro.” (Finch para John e Shaw)
– “Vozes divergentes não serão problema” (Greer para Garrison)
– “Encontre-me Harold Finch.” (Greer para Virgil)
Diálogo 1 (Root e Shaw)
R: Oi, crianças. Sentiram minha falta entre os negócios?
S: Sim. Como sinto falta de um parasita.
Diálogo 2 (Finch e John)
F: Atrevo-me ao pensar que trouxe algo diferente de armamento?
J: Trouxe fio dental para preparar uma armadilha na porta. E uma escova de dentes.
Diálogo 3 (Finch e John)
F: Você sequestrou um deputado dos EUA?
J: É como você disse, Finch, são épocas estranhas.
Diálogo 4 (McCourt e John)
M: Proteção? Você se passou pelo Serviço Secreto, abateu meus seguranças, e me sequestrou com uma arma em punho.
J: Tecnicamente, também atirei em você uns dias atrás.
Diálogo 5 (Finch e John)
F: Não somos assassinos. Protegemos as pessoas.
J: E não é o que estamos fazendo? Sacrificando uma vida para salvar várias?















