O curioso caso de The Vampire Diaries…
Após um pequeno recesso de carnaval, retorno às reviews de The Vampire Diaries com mais uma review dupla, mas dessa vez centrada em dois episódios consideravelmente melhor do que aqueles que falei em minha última review. Entretanto, antes de entrar na análise em si, gostaria de abordar um ponto interessante que notei sobre essa quinta temporada de TVD e que acaba sendo um ótimo link entre essas duas últimas reviews.
A grande curiosidade que notei nessa quinta temporada de The Vampire Diaries é que ela contou uma única história durante todo esse quinto ano. Foi a primeira vez que vi uma série plagiar a si mesmo, NA MESMA temporada. O primeiro grande arco da temporada era o que envolvia a trama das dopplegangers e tinha, em seu núcleo central, Silas assumindo a personalidade de Stefan e enganando a galera de Mystic Falls durante algum tempo… Daí Silas morreu, a série deu espaço pra trama do envelhecimento e “morte” de Katherine até que tivemos um plot twist e…? KATHERINE ASSUME A PERSONALIDADE – e o corpo – DE ELENA E ENGANA A GALERA DE MYSTIC FALLS. Dois protagonistas sendo passados pra trás NA MESMA TEMPORADA.. E Damon, Caroline, Bonnie e Cia. sendo enganados DUAS VEZES sem notar que não se tratavam de Stefan e Elena, mas sim de Silas e Katherine.
Pra mim é um sinal claro de crise criativa na série. Não estou criticando as tramas em si, pois Silas e Katherine foram igualmente competente em guiá-las, mas sim o fato de termos uma mesma história revisitada duas vezes numa mesma temporada com dois protagonistas, o que me impressiona bastante. Já estou, desde já, esperando pra alguém roubar o corpo do Damon e fecharmos essa temporada com chave de ouro, com a mesma trama sendo repetida três vezes, uma para cada protagonista. No começo da temporada fiz tantas comparações entre TVD e Maria do Bairro que agora já percebo que a série está muito mais próxima de A Usurpadora.
Superada essa consideração inicial, que acho ser um bom motivo de crítica para a equipe criativa da série, em geral, não há muito o que se reclamar especificamente sobre “No Exit” e “Gone Girl” que, em suas propostas, obtiveram um grande sucesso ao encerrar essa trama e fazê-lo de forma bastante satisfatória. Realmente achei que foram dois bons episódio – o 5×15 ligeiramente melhor que o 5×14 – que finalizaram o arco de Katherine que, confesso, jurei que duraria até o Season Finale.
Sobre “No Exit”, o mais interessante foi ver o desenvolvimento do vírus no corpo de Damon que teve o apoio de Enzo durante um primeiro momento mas, que depois de serem presos juntos numa casa pelos travelers para ver os limites da fome de Damon, o bromance dos dois começou a ruir… Do lado desinteressante do episódio, infelizmente, tivemos Katherine e sua procura cega por Stefan.
Eu achei o arco de Damon bem interessante, algo que não acontecia com o personagem desde o começo da temporada. Nada de outro mundo é óbvio, mas sua interação com Enzo foi bem interessante, sobretudo pelo próprio Enzo que se mostrou um personagem melhor do que eu imaginava inicialmente. Mas daí vinham as cenas de Kathlena e Stefan e o sono tomava conta de mim. Ela estava muito atirada e suas manobras eram óbvias e me estressou bastante o Stefan não notar nada até estar em um quarto de hotel com ela praticamente pelada sentada em cima dele.
Mas o mais importante a se destacar em “No Exit” foi que o episódio acabou deixando óbvio para todos que Elena, na verdade, era Katherine. Era o mínimo. Depois de quebrar o carro do Stefan, ir com mala pro hotel, tomar banho e seduzir o vampiro descaradamente, até que demorou muito para que ele desconfiasse. Aliás, não fosse a ajudinha de Matt mandando o SMS, sou bem capaz de arriscar que Kath continuaria enganando a galera por mais um tempo.
Mas foram os pequenos detalhes de “No Exit” que deixaram claro que “Gone Girl” seria um bom episódio pois, além da descoberta de Stefan e Caroline nos minutos finais, ainda tivemos Nadia sendo mordida por Tyler, o que seria o grande mote central do 5×15.
Eu sou até meio suspeito para falar, pois adoro esses “episódios-morte” e sempre me deixo levar pelo emotivo e não poderia ser diferente em um episódio em que nos despedíamos de uma Petrova. Sempre leio comentários contrários à Nadia mas, eu particularmente, achei a adição de Olga Fonda uma das melhores desta temporada e acho que a filha de Katherine trouxe uma boa movimentação à trama… Mais ainda, sempre consegui enxergar Nadia como uma Petrova e acho que ela respeitou bem sua família e a tradição de promiscuidade passada de mãe para filha.
Daí que com a morte iminente da filha, Katherine se une a Wes na tentativa de criar um antídoto que pudesse salvar Nadia. Enquanto isso, Stefan, Caroline, Bonnie, Matt, Jeremy e Damon tentavam atrair Kathlena até a Mansão Salvatore para salvarem Elena e se livrarem de uma vez por todas de Katherine – com aquela adaga que estava com o Matt – mas, esperta como é, Petrovinha logo descobre que aquilo era cilada e, mais esperta que o Bino, evita de toda forma possível reencontrar com os amigos de Elena.
O episódio, como um todo, funcionou super bem e acabou tendo uma nota bem acima da média, mas não posso deixar de negar que a parte emotiva do mesmo foi bem superior a todas as tramas paralelas. Até mesmo por isso, nota-se um pouco desenvolvimento dessas tramas. Deixaram no ar um eventual problema de Bonnie com sua pupila, trabalharam os problemas de Caroline e Tyler, Damon acabou encontrando o equilíbrio de sua fome assassina e Wes teve seu fim – encerrando definitivamente esse arco, acredito eu – sem que salvasse Nadia, o que nunca foi sua intenção…
Ou seja, o que quero deixar claro é que foi um episódio bem movimentado e com muitos acontecimentos, mas descaradamente deixados em segundo plano, pois a grande trama central era de Nadia e Katherine e o grande fim da família Petrova. E isso foi uma decisão completamente acertada do roteiro. Aliás, achei bem interessante que tenham igualado a importância das duas e não apenas jogado todos os holofotes em cima de Katherine, como os roteiristas de TVD costumeiramente fazem. Nadia merecia esse destaque.
E novamente, o episódio nos serviu para escancarar a hipocrisia que fica ao redor dos nossos “heróis” Stefan, Elena, Damon, Bonnie, Caroline, Jeremy, Tyler e Matt… Pelos flashbacks vimos bem que Nadia nada mais foi do que uma vítima. Uma pobre coitada que foi tirada dos braços da mãe ainda pequena e passou séculos procurando por esta mãe. Juro que sentia um aperto no peito a cada flashback que víamos Nadia abordando alguém atrás de informações sobre Katherine. Ambas sofreram muito. Não estou justificando aqui os atos errados de ambas personagens, mas a vida delas não foi nenhum mar de rosas e esses momentos mostram que elas não são as vilãs que “os mocinhos” pintam… Muito pelo contrário.
Achei de uma crueldade poucas vezes vista usarem um sentimento como o de mãe e filha para atraírem Katherine para uma emboscada. Juro que tive NOJO de Stefan, Damon e Cia. quando roubam o corpo moribundo de Nadia só para atraírem Katherine (sendo que, se fosse qualquer um deles, fariam de tudo pra pegar o sangue de Klaus em New Orleans). Usarem a morte de uma filha para pegar a mãe é o tipo de sujeira que nem mesmo Klaus seria capaz de fazer. Os Originais pelo menos têm um pingo de nobreza… Enfim, os grandes HERÓIS de The Vampire Diaries pegaram Nadia e usaram isso para atrair Katherine… Petrovinha, nesta hora, se mostrou MUITO superior a qualquer um deles e, mais, se mostrou a mãe que Nadia sempre quis, indo até a Mansão, mesmo sabendo que aquilo significaria o seu fim.
Então passei a me dividir entre o nojo de ver todos vendo a cena da morte de Nadia impassíveis, e a emoção da despedida da vampira com sua mãe. Acho que as duas únicas pessoas que Kath amou na vida toda foram Nadia e Stefan, mas como ela se amava mais do que aos dois, acabou perdendo ambos, em situações diferentes. Achei muito tocante a cena final entre as duas Petrovas e, mesmo com nojo de todos os outros ali presente, consegui ser atingido por completo pelos flashbacks e pelo último adeus.
Daí surgia um problema que já estava óbvio desde o centésimo episódio: sem corpo, Katherine teria que dar adeus de uma vez por todas em algum momento (já que não viveria para sempre no corpo de Elena)… Mas sendo Kath a DIVA que sempre foi, ela não pode apenas ir embora, e fez de sua despedida um verdadeiro evento, enfrentando cada um daqueles pirralhos cara-a-cara e falando as já tradicionais “verdades petrovianas” de como cada um ali devia muito à ela, só para ser apunhalada por Stefan e sair de cena de The Vampire Diaries como toda estrela deveria: como uma diva.
Só não sei mesmo se Kath fica longe por muito tempo, porque precisamos ter em mente como a perda dela é grave para a série… E tendo em vista a cena final dela com Bonnie na Igreja, onde ela não conseguiu fazer a passagem e foi sugada sabe-se lá pra onde (um inferno sobrenatural?) acredito que já deixaram ali uma pontinha solta para, assim que a coisa apertar – e a falta de criatividade se tornar maior – já terem uma desculpa para trazerem Kath de volta e falarem: era só brinks, ela nem fez a passagem.
E como eu já adiantei no outro parágrafo, Katherine fez uma saída como uma verdadeira diva moderna: tacando merda no ventilador, afinal, antes de ir embora ela acabou revelando para Bonnie seu último grande ato nesse mundo: injetar a versão 2.0 do vírus assassino do Dr. Wes no corpinho da Elena. E o que o Dr. Conseguiu fazer com o vírus do lobisomem unido ao vírus do vampiro canibal eu não faço ideia – um vírus do vampiro canibal lobisomem? – mas se vai fazer a Elena sofrer já me deixa bastante contente…
E Katherine, se tiver por aí ainda, pode dar uma passada aqui em casa quando quiser. Você sempre foi bem mais do que essa série merecia mesmo.















