O despertar do instinto de defesa na hora de enfrentar os seus medos. 

A fim de se defender, tentamos agir racionalmente e, às vezes acabamos congelados pela incompreensão do ataque sofrido. Porém, quando se parte em defesa de alguém que ama, não há freios e enfrentamos até nossos maiores medos. Inclusive isso é notável no mundo de seres irracionais. Recordo-me de uma notícia de poucos meses atrás, quando uma hipopótamo parte em defesa de sua cria enfrentando um elefante africano que a gira no alto com sua tromba, apesar de machucada a mãe conseguiu o queria – proteger o seu filhote. Sei que Discovery não é a pauta da review, mas a intensidade dessa relação fraternal ou maternal é ainda mais forte quando falamos de nós, seres humanos. Assim, The Fosters se defende e começa a se reconstruir para fechar esse primeiro ciclo com a excelência que sabemos que é capaz de demonstrar. 

Uma pena que o foco maior do episódio tenha sido no triângulo amoroso Jesus, Emma e Lexi. Gostei da surpresa (forçada) da hondurenha no café da manhã, ela voltou cheia de malícia e não esperava uma visita tão cedo a Anchor Beach. Parece que dessa vez nos despedimos de Lexi, a garota foi corajosa ao terminar o namoro depois de viajar mais de 3 mil quilômetros. Alguns escapes do roteiro como o conveniente dedo quebrado de Emma não prejudicaram o andamento desse plot. Jesus foi bem, mesmo tonto venceu a luta (que parecia sem fim) e não incomodou tanto quanto Brandon neste episódio. 

Brandon está num momento delicado com o telespectador, continua transmitindo repúdio mesmo ao tentar corrigir os seus erros. A hipocrisia com que o rapaz lida com Dani também é incômoda, embora a simplicidade das desculpas dadas a Mike tenham funcionado um pouco melhor. Honestamente, a tentativa de Brandon em se reconciliar com Callie e o seu olhar de cão arrependido não me convenceram. Não sei o que o roteiro tem preparado para Branllie, mas para piorar, só falta Brandon voltar aos braços de Talya e Callie se envolver com Vico. Tomara que não! 

Mariana vem me conquistando com seu sorriso e insegurança, mas ainda não se desvencilhou da imagem de “garota influenciável”. Ela acaba dando ouvidos a tudo e absorve as críticas, se expondo com facilidade. Ela ainda vai sofrer muito na série, a começar com a nova sogra que já chega atrapalhando o clima de romance e deve ser contra o relacionamento entre Zac e Mariana. 

Os atritos entre Stef e Lena estão mais nítidos, a loira demonstra desconforto com as omissões da companheira e parece ceder aos desejos de Lena a fim de manter um clima agradável em casa. Quero só ver agora que Timothy também fará parte indireta dessa família. Se tem uma coisa que The Fosters não peca, é na firmeza com que são conduzidos os diálogos entre Stef e Lena, isso acaba transparecendo na maturidade das decisões sobre a família. Os autores de novelas das oito poderiam aprender um pouco sobre realismo familiar não apelativo (esqueçam os amassos entre Stef e Lena, que certamente seriam cortados na televisão brasileira). 

A proteção materna vem em dose dupla para a família Foster e as mães continuam a agir com transparência no processo de adocão de Callie e Jude. Não há motivos para esconder dos futuros filhos adotivos a importância do pai biológico nessa fase e é nobre saber como eles se sentem a respeito. Jude é um personagem muito querido e também protegido pelo instinto de defesa, seja ele materno ou fraterno. Callie não esperava do irmão, esse desejo de rever o pai depois de tantos anos de sofrimento e incerteza. O final do episódio deixa a expectativa desse encontro instintivo, afinal a proteção fraterna está conectada ao sentimento de rejeição e desamparo. Assim, The Fosters equilibra a balança de emoções para os episódios finais dessa temporada.

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