A sufocante sensação de um peixe fora d’água.

Aprender a lidar com a consequência dos próprios atos não é simples, e fica ainda mais difícil quando você tenta carregar, sem a ajuda de ninguém, o peso dos sentimentos contraditórios daqueles que você ama. Após encontrar aceitação de pessoas que, com o tempo, passam a confiar em você – tendo a esperança de um lugar para chamar de lar – e agora imaginar tudo isso caindo por terra. É angustiante imaginar o que se passa na mente de Callie estando em um ambiente do qual não faz parte.

Callie parece outra pessoa quando está na Fundação Casa ou quando fala com o assistente social e isso não é ruim. Isso prova que ela já passou por muitas coisas pra uma adolescente e a vida mostrou a ela como se adaptar, seja com seu isolamento ou com sua objetividade. Britney cantaria “Eu não sou uma menina e ainda não sou uma mulher. Tudo que preciso é um tempo”.

Pensava que os produtores iam enrolar uns dois ou três episódios para que a relação entre Brandon e Callie fosse exposta, mas aquele clima pesado à mesa foi o momento para Brandon admitir sua culpa pela fuga da garota. A reação de descrença das mães e a desaprovação dos irmãos me incomodaram, mas Brandon estava disposto a enfrentar as acusações que viriam a seguir. É assim que The Fosters consegue subir no meu conceito, indo direto ao ponto, sem rodeios.

Mariana também não teve rodeios ao acusar Brandon, e apesar de não concordar com os seus argumentos, não entendi o porquê, mas eu gostei da atitude dela. Me impressiona a evolução de Cierra Ramirez, a atriz vem representando bem a imaturidade e as vontades da jovem adotada, e nada mais justo que Mariana encontre o seu par. Chase – a versão 2014 do Troy de High School Musical – convida Mariana a fazer parte da equipe de teatro da escola, e ela jamais recusaria. Clichê? Com certeza! Os elementos estão todos aí: o amor à primeira vista, a jaqueta de couro, a disputa com a (ex-) melhor amiga, o gay comentarista e o palco sendo montado. Não me incomodo com esse cenário pois sei que o desfecho desse plot será satisfatório.

Satisfação maior ainda é ver a participação de Rosie O’Donnell, que dispensa apresentações (que o diga a AFA – American Family Association). Ela interpreta Rita, a responsável pela casa de garotas aonde Callie é enviada. Com poucas palavras, a personagem demonstra plena segurança em suas orientações e consegue transmitir confiança para o grupo de personalidades tão distintas, sem contar o carisma de Rosie. Achei estranho Rita dizer para todas as garotas tratarem Cole como um menino e depois do empurrão no banheiro: “Quando duas garotas brigam, elas dividem o quarto”. Você é quem manda!

O melhor do episódio ficou para o final. Repare em cada expressão de Maia Mitchell durante a  jornada de Callie. Aqui ela superou o que havia feito em “Vigil”, a dor psicológica e a solidão emocional foram transmitidas com perfeição em meio ao que Callie estava tendo que suportar. O olhar, naquele momento em frente ao juiz, quando é rejeitada pelas mães que queriam adotá-la; No grupo, ao contar o crime que cometeu e dizer: “Eu não pertenço a esse lugar”; O abraço apertado de socorro. Abraço de refúgio em meio à tempestade, não se importando com as consequências, e representando a ligação com o lar de verdade.

O público também continua a abraçar a melhor série da ABC Family, pois nesse episódio The Fosters atingiu merecidamente o seu pico de audiência (2,1 milhões). Com temporada nova garantida para o verão americano, cabe a nós telespectadores curtir cada minuto desse drama que se mostra cada vez mais sólido (em roteiro e atuações) e preciso em suas adições. Que a série continue a surpreender com a sua sutileza e simplicidade.

Sim ou Não (dê a sua opinião)

1 – A atuação de Jake ainda melhora nesta temporada?

2 – Jennifer Lopez (produtora) podia fazer uma participação especial na série?

3 – As reviews estão me desanimando em ver The Fosters?

4 – Mariana deveria ter dado o chapéu pra sua mãe biológica?

5 – Sentiu falta do plot “Remédios para déficit de atenção X Luta” na review?

6 – Shippa Branllie?

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