Para comemorar a vitória no Globo de Ouro, nada melhor do que um ótimo episódio e uma dança no estilo da terceira classe do Titanic.
A semana de Brooklyn Nine-Nine começou da melhor forma possível uma vez que, de forma surpreendente, a série ganhou o Globo de Ouro de Melhor Comédia e ainda de Melhor Ator de Comédia em Série de TV. Antes de falarmos ou discutirmos a justiça relacionada a estes prêmios, o mais importante é comemorarmos, já que se dando tão bem na premiação a série praticamente garante a renovação para uma segunda temporada, principalmente porque com o prestígio a audiência pode melhorar e porque a Fox não vem sendo muita lembrada nas principais premiações nos últimos anos. Apesar de eu não esperar a vitória de B99 e nem de longe considerá-la a melhor comédia da TV americana, a ausência de Veep entre os indicados e o costume dos jornalistas internacionais em não repetir sempre os mesmos vencedores fizeram da série uma ótima candidata ao posto. Modern Family foi muito bem no último ano mas cansa ao sempre repetir a mesma fórmula e já foi mais do que premiada, Girls não agradou a maioria dos críticos na segunda temporada, Big Bang Theory somente é indicada por conta de sua imensa audiência e Parks and Recreation já foi muito melhor no passado e vive um momento não tão bom. Assim, dentro deste contexto de crise nas comédias, a vitória de Brooklyn Nine-Nine é justa e é bom ver que os jornalistas conseguem prestigiar a estreante que mais foge dos padrões da última Fall Season, que apresentou uma enxurrada de comédias familiares que nem de longe conseguem repetir a graça e o sucesso de Modern Family.
Entretanto, em minha opinião, a história é bem diferente em relação ao prêmio dado a Andy Samberg, que em muitos episódios (não foi o caso em The Bet) apresentou uma atuação forçada, exagerada e extremamente caricata. Vamos combinar que os indicados nesta categoria eram todos meio cagados e nenhum dos concorrentes realmente merecia o prêmio. Entre eles, Jason Bateman me parecia a escolha mais sábia, mas nem mesmo ele se destaca tanto assim na parte cômica em Arrested Development. A mesma coisa acontece com Samberg, que mesmo sendo o protagonista da série não está entre os melhores atores de Brooklyn Nine-Nine. A verdade é que no Globo de Ouro a fama e o nome dos candidatos pesam muito e a popularidade de Andy nos Estados Unidos é gigantesca, o que foi decisivo para a sua vitória. Pelo menos, Michael J. Fox, que vem passando vergonha em sua comédia e deveria voltar para The Good Wife, não ganhou, assim como Jim Parsons, e levando em consideração o que foi dito anteriormente isto já é muito.
Para coroar o bom momento, Brooklyn Nine-Nine apresentou um de seus melhores episódios até então, conseguindo equilibrar muito bem as atitudes surtadas de Jake com um bom e envolvente romance. Desde a estreia, Andy Samberg e Melissa Fumero apresentam uma ótima química e um carisma muito grande, porém isto foi muito mais latente em “The Bet”, episódio que tinha a missão de consolidar de uma vez por todas a tensão sexual e amorosa entre eles. A trama principal, que fugiu um pouco do tradicional caso semanal, foi realmente muito boa e divertida e conseguiu me envolver como poucas vezes a série tinha conseguido. A aposta e todas as tentativas de Peralta em transformar o seu encontro com Amy no pior da história foram muito engraçadas e divertidas com destaque para a dança no estilo embaraçoso de Titanic e no coral contratado para cantar na Times Square: “Santiago, Santiago, Santiago, you suck so bad”. Sem dizer que briga de casal para prender os bandidos no final do episódio foi hilária e muito divertida.
O que mais me impressionou no episódio foi a maneira com que os roteiristas conseguiram aproximar os dois personagens. O romance entre eles evoluiu de forma sutil e natural desde o começo da série e não me pareceu forçado em nenhum momento. A grande sacada foi aproximá-los através da paixão dos dois pelo trabalho e o xodó de Peralta pelo carro foi uma ótima maneira de fazer esta ligação. Apesar de ser um verdadeiro lunático, Jake é um personagem muito bem construído e aos poucos vem mostrando um outro lado muito legal, sempre nostálgico e apegado a pequenas memórias relacionados a sua grande conquista, ter se tornado um policial. Destaque para Andy Samberg, que estava muito mais controlado e contido e aos poucos pode fazer jus ao Globo de Ouro que ganhou, sendo que é natural que ele precise de um tempo de adaptação para perder as manias adquiridas no Saturday Night Live, que é um tipo completamente diferente de se fazer humor.
As referências continuam afiadas e neste episódio fomos agraciados com piadas envolvendo o martelo de Thor, o carisma de Neil Patrick Harris, Breaking Bad e, claro, a dancinha da terceira classe do Titanic. Outra ferramenta muito bem utilizada são os flashbacks colocados pontualmente para a inserção de alguma piada fora do contexto da cena atual ou com a intenção de deixar o telespectador que não acompanha a série religiosamente a par dos acontecimentos relevantes para a história. Muito bom ver que a série vem conseguindo trabalhar uma história continua, não se limitando a ser uma comédia em forma de procedural.
A trama de Boyles sendo homenageado com uma medalha pelo seu ato heroico e a sua sinceridade adquirida com analgésicos conseguiu manter o bom nível da história principal. O personagem vem sendo um dos grandes destaques da série, sendo capaz de transitar entre a comédia e o lado mais humano de forma muito natural. Legal o roteiro conseguir unir a honestidade passageira de Boyles com a história de Jake e Amy, usando o personagem como escada para deixar claro qual é a dinâmica do casal. O plot me divertiu bastante com o cavalo Sargento Peanut Butter, que além de ganhar uma medalha e cagar no palco ainda foi homenageado pela ONU, e com a tática, que eu também uso, de fingir estar lendo uma mensagem no celular para fugir de um momento de constrangimento. Só não quero ver a série investindo demais em relacionamentos amorosos e gosto da relação de Boyles com Rosa enquanto ela for platônica, já que acredito que se o casal ficar junto será estranho e sem graça assim como foi Tom e Ann em Parks and Recreation.
O ponto fraco do episódio ficou por conta de uma história muito avulsa envolvendo Terry e a sua mania de ocultar alguns fatos importantes de sua esposa. Por mais que eu goste de Terry e do Capitão achei a trama sem graça e pouco aproveitada no episódio, principalmente pelo pouco tempo de tela para desenvolver algo mais engraçado e relevante. Por mais que Brooklyn Nine-Nine continue numa crescente muito grande, ainda acho que Terry Crews vem sendo mal aproveitado e poderia render muito mais caso se envolvesse mais em casos policiais e contracenasse mais com Andy Samberg. Por enquanto, a série vem deixando o personagem sempre em segundo plano e envolvido apenas com histórias familiares e emocionais.
Com uma evolução muito grande e ótimas chances de renovação, o jeito agora é aproveitar e curtir uma das melhores comédias da atualidade.















