The universe hangs by such a delicate thread of coincidences, it’s useless to meddle with it. Unless, like me, you’re a Time Lord

Em 1996, depois de um hiato de sete anos, Doctor Who voltou para televisão. Dessa vez conhecemos a nova encarnação do Doctor através de um telefilme. A existência do oitavo Doctor foi complexa e repleta de paradoxos temporais e universos paralelos. A ideia original era do filme servir como um potencial novo piloto para a continuidade da série, dessa vez nas mãos da emissora norte americana Fox. Mas (graças ao bom Deus) os norte americanos ainda não estavam preparados para abraçar Doctor Who e o filme foi de certa maneira um fracasso. Nada estranho é o fato que fora dos EUA, principalmente no Reino Unido, o filme foi bem recebido. Apesar de aparecer somente nesse telefilme, as aventuras do oitavo Doctor expandiu-se através de outras mídias.

Uma breve história:

O oitavo Doctor foi interpretado por Paul McGann no telefilme, de 89 minutos em 1996.

Na noite de Ano Novo de 1999, no bairro de Chinatown em São Francisco – EUA, o sétimo Doctor foi baleado no fogo cruzado entre uma briga de gangues. Quando ele chega no hospital, obviamente, deixa a equipe médica confusa diante das batidas de seus dois corações. A equipe médica, assumindo que essas duas batidas eram de fato uma fibrilação, tentam corrigir esse problema inexistente. Os esforços da equipe médica serviram somente para “matar” o Doctor. Por causa dos efeitos da anestesia, o processo de regeneração quase foi destruído, e levaram horas para o Doctor conseguir se regenerar.

No momento em que foi ferido o oitavo Doctor carregava um “quase morto”, The Master, do planeta Skaro para Gallifrey. The Master conseguiu possuir o corpo de um humano, o paramédico chamado Bruce (Eric Roberts). Além de matar a esposa do Bruce, ele tentou roubar as vidas restantes do Doctor ao abrir o The Eye of Harmony e quase destruiu o planeta Terra no processo (tudo isso enquanto as pessoas celebravam o fim do milênio). O Doctor e a cirurgiã cardíaca Grace Holloway (Daphne Ashbrook), sua companion nesse telefilme, conseguiram impedir os planos do The Master, que foi sugado pelo “olho” (Eye of Harmony).

Na continuação de suas aventuras em audiobooks, livros e quadrinhos o oitavo Doctor viajou com outras companions, que incluíram a aventureira Charley, a alien Destrii e os humanos Lucie e Sam.

Características:

A oitava encarnação do Doctor mostrava grande apreciação e respeito pela vida, inclusive ele incentivava aqueles ao seu redor a curtir intensamente a vida e todas suas experiências. Ele dividia com sua quinta e até mesmo com sua futura décima primeira encarnação a curiosidade e o entusiasmo próprios de uma encarnação mais jovem. Ele também tinha a tendência de dar dicas sobre o futuro das pessoas, afim de fazê-las tomar as decisões mais corretas possíveis.

Mas como uma forma de continuar os dilemas de sua encarnação anterior, o oitavo Doctor também mostrava aspectos de uma personalidade mais “escura” mesmo com o domínio desse renovado entusiasmo. Os indícios de segredos e de um passado obscuro continuavam presentes, e aqui entendemos claramente que o rosto do Doctor podia se tornar mais novo mas sua alma sempre seria a de uma pessoa mais “velha” com grandes experiências. O oitavo Doctor era propício a ataques de amnésia, conforme os eventos ocorridos no telefilme. Podemos dizer também que essa encarnação tinha a “mão leve”, já que ele gostava de furtar alguns objetos de algumas pessoas com quem se encontrou.

O oitavo Doctor passou por experiências traumatizantes, que incluíram a destruição da TARDIS, não conseguir escapar de uma prisão por três anos, a perda temporária do seu segundo coração e a descoberta de uma futura guerra com o intuito de desumanizar seu povo.

O oitavo Doctor também atraiu certa controvérsia no telefilme, ao beijar sua “companion” Grace, pois ao fazer isso podemos dizer que ele quebrou o que era considerado um tabu referente ao envolvimento romântico entre um Doctor e sua companion.

Aparência:

Posso dizer que acho o estilo do oitavo Doctor um dos mais elegante. E o mais interessante é que podemos ver fortes referências ao primeiro Doctor, ao quarto Doctor e ao sexto Doctor na maneira com a qual ele se vestia.

O vestuário do oitavo Doctor era composto por camisa branca (aqui já sem os costumeiros pontos de interrogação bordados na gola), gravata grande de laço (similar a usada pelo sexto Doctor mas aqui totalmente cinza e sem a presença das bolinhas), um colete (que foi o colete mais elaborado usado, até então, por um Doctor) feito de seda e com finos bordados, um grande casaco de veludo verde escuro, uma calça cinza de cintura alta sustentada por suspensórios e sapatos de borracha preto.

O oitavo Doctor também usava um pingente para segurar a gravata e um relógio de bolso. Até a Sonic Screwdriver recebeu uma atenção especial do oitavo Doctor, já que ele a decorou com um lacinho vermelho.

Episódios:

O reinado televisivo do oitavo Doctor resume-se somente ao telefilme de 1996, com duração de 89 minutos. O telefilme também é conhecido como “Doctor Who: The Movie” ou como “Enemy Within”. E tem até aqueles que se referem ao filme como o episódio de número 156 da “série clássica”.

Aparições pós regeneração:

De fato na televisão vimos o oitavo Doctor somente uma vez, no telefilme de 1996 (sem contar com flashbacks com imagens já gravadas). Mas suas aventuras foram expandidas através de audiodrama e audiobooks (alguns com a voz do próprio Paul McGann), contos, livros, histórias em quadrinhos, tirinhas cômicas, rádio e na própria Doctor Who Magazine.

Paul McGann continua atuando, tem hoje 53 anos e mora em Lancashire, Inglaterra. Paul pode ser reconhecido em filmes como “Empire of the Sun (1987)”, “Alien 3 (1992)”, “The Three Musketeers (1993)”, “Queen of the Damned (2002)” e “Lesbian Vampire Killers (2009)” e também em séries britânicas como “Luther” e “Ripper Street”.

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