
Os King uma vez disseram que o episódio de The Good Wife que eles menos gostavam era Home, da primeira temporada, por causa dos flashbacks, que eles não sabiam fazê-los direito. Parece-me então que eles aprenderam a lição. E como!
Spoilers Abaixo:
Confesso que estou muitíssimo impressionada. Não me lembro de ter visto flashbacks como os de Death of a Client em lugar nenhum e não me refiro aqui à imensa carga emocional que as cenas tiveram. O que vimos aqui foram lembranças naturais, com uma memória invadindo a outra, cenas se interpolando e memórias profissionais se misturando com cenas pessoais. Tudo aparentemente simples, mas extremamente complexo. The Good Wife, assim você me deixa sem fôlego.
Os flashbacks começaram quando Alicia precisava ajudar a polícia a resolver o caso do assassinato de um de seus antigos clientes, interpretado aqui por um John Noble tão doce e ao mesmo tempo tão peculiar que tudo me pareceu uma merecida homenagem a Fringe. Extremamente litigioso, Matthew estava processando dezoito pessoas e nenhumas das partes chegava a um acordo amigável.
Foi nesse momento tenso, presa numa delegacia e correndo risco de vida, que Alicia teve que lidar com duas grandes questões pessoais. Falemos primeiro das revelações que Veronica disparou na cara de Zach e Grace. Como era de se esperar, a mais imatura e mais cristã dos Florrick entrou em crise ao saber que podia ter sido um acidente e que a mãe estava grávida quando se casou. Todo o drama que ela fez pode ter sido em parte porque estava preocupada com a felicidade da mãe, sentindo-se culpada por ser o motivo da mãe continuar com pai após de tudo, embora fosse a primeira vez que ela manifestaria tais sentimentos. Um sinal de amadurecimento? Ou só mais uma manipulação emocional não tão intencional? O fato é que isso serviu pra nos mostrar que mais do que responsabilidade, há também amor na escolha de Alicia por Peter e pela família. Aliás, as duas coisas que estão interligadas no coração de nossa protagonista.
Agora falemos de como Alicia quebrou mais uma vez o coração de Will (e o coração de muitos de nós, não é?). Sinceramente, era de se esperar que algo assim fosse acontecer. O que me surpreendeu foi ela ter se assumido egoísta. Fora o fato de ela finalmente ter tido a iniciativa de ter uma conversa honesta com Will, algo que ela se esquivava desde sempre. A relação deles tem todos os requisitos de uma tragédia romântica, com seu “We’ve always had bad timing” e tudo mais.
O mais sofrido de tudo é por que eles nunca se permitiram (ou melhor, Alicia nunca permitiu) ter uma relação sentimental honesta, apenas sexual, pelo menos aparentemente, pois o sentimento estava sempre lá. E, assim, mais uma vez Alicia termina algo que oficialmente nunca existiu, em mais uma cena de cortar o coração como foi a do final do episódio Parenting Made Easy quando Alicia põe fim ao affair exatamente quando Will toma coragem de propor algo mais. Em ambos os momentos, Will mal consegue falar. Ele sempre teve uma atitude passiva no que diz respeito à relação dos dois. Ele sempre deixou Alicia no comando, por mais devastado que ele ficasse. E assim foi mais uma vez, o máximo que ele se dispôs foi cair em negação (“Eu estou bem”) e arriscar um “Você consegue simplesmente decidir isso?” com um nó na garganta quando ela decide que aquilo tem que chegar ao fim. É por tudo isso que não me conformo quando dão a entender que o que Alicia e Will têm não passa de uma atração, um furor sexual. Depois de lindas e sensuais cenas de flashbacks dos dois e de uma conversa emocionante, Alicia me vem com “apenas memórias… sobre nada”. Nada? Quando temos lágrimas e aquele teor de angustia, não pode ser nada. É também triste que tenham ressuscitado Willicia só pra destruí-los… Novamente. Mas se é pra Alicia seguir adiante de vez com Peter, ela precisava mesmo tomar essa atitude em relação a Will.
Era previsível a escolha por Peter por diversos motivos. Primeiro que estamos no meio da campanha dele, com todos os holofotes voltados para os Florrick, segundo que o lado “boa esposa” de Alicia nunca irá embora (No final das contas parece que o título da série não é uma ironia, como os criadores costumavam dizer), seu instinto será sempre proteger os filhos e a família como o todo, como bem evidenciou suas cenas com Grace. E por último, a reconstrução do casamento e a redenção de Peter perante os olhos de Alicia vêm se dando desde a temporada passada, portanto, esse parece ser mesmo o intuito dos King: Alicia e Peter juntos. Assim, o término com Will pode ter sido definitivo, mais um (grande) passo para o final feliz de Peticia. Seria seguro, então se afirmar que o triângulo amoroso chegou ao fim? Pelo menos no que tange a escolha de Alicia? Já que Will parece que ainda vai levar um tempo para superar esse amor e partir para outra (quem sabe a felizarda seja mesmo Laura). Não que Alicia já tenha superado (in my opinion), só é, como ela disse, algo que ela tem que fazer.
Enfim, enquanto Alicia passava por tudo isso, Peter também tinha seus próprios conflitos, ou melhor, um só: Kresteva. Na disputa pela simpatia do sacerdote, rolaram mentiras, provocações e até porrada. No final, todos saíram perdendo (ou ninguém saiu ganhando), mas pelo menos Peter terminou o episódio dançando com sua ex/atual/futura boa esposa.
Melhor episódio da temporada? Com certeza um dos melhores da série, onde o ritmo frenético, os diálogos afiados e a carga emocional dançaram juntos e em grande estilo. Lindo e memorável.
Outros pontos:
– Suspeitei desde o princípio – na verdade, quando Laura chegou – que o policial estava mentindo sobre o endereço de Alicia no GPS.
– Lindo que no final, fica evidente que Matthew processava o mundo todo para ficar perto de Alicia. Se apaixonar por Alicia custa caro e paga-se até com a própria vida. É o caso da semana servindo de metáfora para o restante do episódio.
– Parece que até Verônica já deu sua benção para o retorno de Alicia com Peter, não? Foi a impressão que eu tive quando ela se dispôs, sorrindo, a segurar o casaco da filha para ela dançar com Peter.
– A proposta de Peter para Diane foi surpreendente (ressuscitando um plot da primeira temporada) e o pior é que ainda ficou em aberta, apesar de ela só ter tido até o fim do baile para dar a resposta. Embora eu fique bem feliz por Diane e fosse adorá-la como juíza, parte de mim também ficaria triste de ela romper a parceria com Will. Eu acho que Diane vai declinar, mas caso ela aceite, o que isso significaria para a dinâmica da série?
– Kresteva voltou e pela primeira vez eu não senti medo dele. Ele me pareceu bem Wendy Scott-Carr, ou seja, vilão de contos de fadas. Nem de longe chegou perto da apreensão que fiquei na época dessa promo da terceira temporada. Estou pressentindo o resultado dessa corrida eleitoral…
– Kalinda estava num encontro com uma mulher. Presume-se que Cary foi esnobado? Não sei se ele vai deixa-la fugir tão fácil assim agora que temos a resposta: sim, eles transaram episódio retrasado.
– Mais duas revelações do episódio: Grace está namorando e Zach transou com Becca.
– Com Josh Charles (de Sports Night), Stockard Channing (de The West Wing) e Amanda Peet e Matthew Perry (de Studio 60), já posso dizer que houve uma certa reunião de ex-atores de séries do Aaron Sorkin nesse episódio?
– Promo do próximo episódio aqui.














