
Necessária sensibilidade
Spoilers Abaixo:
Pessoal que acompanha Necessary Roughness: começo a review, pedindo perdão pelo mega atraso nesta reta final da série.
A razão não foi propriamente um problema; do contrário, foi uma coisa muito boa: concluí meu mestrado =), agora em fevereiro! Entretanto, meu tempo foi totalmente ocupado, sem falar nas minhas energias (até após a minha defesa). Tudo que eu não conseguia era ficar em frente ao computador: nem para assistir nada, que dirá para escrever! Pois é, justo em uma série que tanto explora as situações de estafa mental e emocional, provei do próprio “fruto” =P! Após meu mea culpa, vamos ao que interessa!
O retorno da série em cinco episódios na mid season, a meu ver, não foi uma escolha acertada. A série padeceu de “anti-clímax”. Bem, após o início de temporada regular, houve um cliffhanger (o beijo de Nico e Dani) lá em Agosto que foi – lembrem-se – anunciado numa promo e só exibido uns dois/três episódios depois: mudança de planejamento de última hora ou algum outro fator inexplicável? Aí, em janeiro, a série voltou para mais cinco episódios, os quais tiveram ritmos bem intensos, mas não deram liga! Eu penso que o resultado seria melhor se a temporada fosse exibida toda de uma vez só. [Interessante que o mesmo recurso de “quebrar” a temporada foi aplicado em Suits, do mesmo canal, com um resultado totalmente diferente!! =)]
2X14 – The Fall Guy
Aqui a série se deteve num personagem um tanto obliterado. O destaque foi para o treinador Purnell, sempre meramente descrito como um cara bufão e linha-dura.
Os Hawks iniciam a temporada em uma maré favorável, com um bom desempenho (7 vitórias e 2 derrotas), apesar de cometer muitas faltas e do time receber alto número de advertências e expulsões. A maré mansa é interrompida, quando em uma coletiva de imprensa pós-jogo (momento alto de incidência de confusões, em quaisquer esportes), Purnell explode, em reação à pergunta de uma jornalista sobre o excessivo número de faltas cometidas, jogando no ventilador e dando umas estocadas em Juliette – que estaria se opondo à renovação de seu contrato. Juliette não deixa por baixo e cisma em demitir o treinador.
Para “salvar a pátria”, Matt e Nico precisam trabalhar juntos e eles descobrem a existência no time de um “sistema de recompensas” (um esquema antidesportivo que pagava os jogadores para jogar violentamente de propósito, para tirar adversários de campo), que seria comandado pelo treinador. Porém, eles descobrem que na verdade, a ideia veio de ninguém menos que a própria cabecinha oca de Juliette. Esta história do esquema de recompensas foi enfim a saída encontrada por Nico para persuadir Juliette a vender o time e vazar!
Outro que está em crise (eternamente) é TK. Somos apresentados a Rex Evans, o quarterback do time, ao qual TK insiste que ele lhe passe a bola (e não para Toes, seu concorrente de posição). Desta vez, Terrence tenta resolver a situação, buscando estabelecer um relacionamento, o que não rendeu nada (a não ser a hilária cena da caça aos perus!). Porém, esse plot leva TK a lidar com a dura verdade de que ele regrediu em seu desempenho e não é mais o mesmo jogador! Tal direção explora a autopercepção de sua fragilidade do TK, embora esta seja paradoxalmente um passo decisivo para seu amadurecimento.
Dani também esteve às voltas com a chegada da mãe e da irmã para passar uma semana em sua casa, a título de comemoração do aniversário da mãe. Após elaborar uma lista de antigos amigos e vizinhos da mãe, Dani revira o passado e de tanto cavar, descobre um podre da mãe: ela teve um caso extraconjugal com o vizinho Eddie Marconi. Este plot teve por função trabalhar Dani como ovelha negra da família, no – digamos – “bom sentido”. Ela é a única que se formou, obteve um Ph.D. e não foi viver do jogo de azar. Ainda que chocada com a descoberta do caso da mãe (atire a primeira pedra quem agiria diferente, não é, vamos combinar?), Dani soube corrigir sua postura a tempo de não só fazer as pazes, mas de se aproximar da mãe.
2X15 – Regret Me Not
Em fevereiro, o canal USA promoveu uma campanha intitulada Characters Unite, com o objetivo de combater diversas formas de intolerância. Assim, foram inseridas histórias em algumas produções do canal, com temáticas referentes à intolerância. E no meio esportivo (assim como na sociedade), a homossexualidade é o maior tabu: é corrente o conhecimento de que existem atletas homossexuais, embora não assumidos, por conta da pressão proveniente por colegas de esporte, dirigentes, clubes, imprensa, torcida (a este respeito, vejam artigo do jornalista Cosme Rimoli sobre o assunto e tentem imaginar como seria um craque do futebol brasileiro saindo do armário!). http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/futebol-nao-e-lugar-para-homossexuais-nao-para-os-assumidos-a-hipocrisia-aceita-os-que-fingem-nao-ser-gays-robbie-rogers-sabe-bem-o-que-fez-ao-abandonar-a-carreira-com-apenas-25-anos-16022013/ – fazer link com palavra “vejam”
Assim, Necessary Roughness trabalha a temática de um jogador gay dos Hawks e que oculta este fato: é justamente o quarterback Rex! Após manifestar comportamento agressivo e cair de rendimento em campo, Matt o envia para “ter uma conversinha” com Dani. Conversa vai, conversa vem, fica óbvio que ele esconde um segredo. Até que ele desabafa para Dani. Rex tem um namorado que quer mais compromisso e pede que ele saia do armário, para que vivam um relacionamento explícito. Após muito lutar com o medo das consequências de ser o primeiro jogador abertamente gay do futebol americano, Rex enfim decide se assumir.
Dani indica que TK aprofunde sua adesão ao tratamento no AA e tenha um padrinho. Terrence se encontra com o ex-jogador Kojo Liberty que aceita ser seu mentor. Novamente brincando com os estereótipos de “macheza”, Kojo leva TK para aulas de balé (com plié, attitude, sapatilhas e tudo o mais). Novamente, a série mostra TK chegando no fundo do poço – ou melhor, no fundo da garrafa!
A história do caso extraconjugal da mãe continuou reverberando em Dani. No episódio, ela retorna ao Dr. Al e reflete sobre a renúncia do romance feita pela mãe, relacionando com seu próprio dilema amoroso. Com isso, …Eureka!… ela chega à conclusão de que não deveria ter largado Matt e vai procurá-lo para declarar isto. Porém, a bela jornalista Noelle também retorna da Inglaterra e vai atrás de Matt, que balançado, nega o pedido de Dani para voltar!
2X16 – There’s The Door (Season Finale)
There’s The Door é a continuação do episódio anterior. Aqui vemos a montagem de todo um esquema (assessorado por um gerenciador de crises à la Eli Gold) para suavizar o impacto da decisão de Rex de assumir sua homossexualidade.
Nos Hawks, as reações variaram. O staff ficou preocupado, com os efeitos justamente em uma boa fase do time no campeonato: os efeitos no grupo, a provocação dos adversários, etc. Já nos jogadores, o simples vazamento para a imprensa de que um deles iria assumir despertou principalmente a fúria de Toes.
Rex decide contar com a ajuda de Terrence e pedir seu suporte antes de tornar público ao time. Após relutar, foi justamente Terrence que segurou as pontas (chegando inclusive a “se assumir”), dando mais um sinal de seu amadurecimento. Para completar ainda teve vitória no jogo nos últimos segundos (heroísmo clichê, mas que sempre funciona)! Após o jogo, cercado de repórteres, Rex deu a coletiva, se tornando “o primeiro jogador abertamente gay da NFL”.
Toda a história de Rex foi abordada pela série de uma forma bem competente, sem se preocupar apenas com a “metalinguagem social”; o ator Travis Smith conseguiu transmitir bem as diversas nuances do personagens, desde o Rex durão, passando pelo Rex fragilizado e em conflito até o Rex aliviado e confiante.
Para a próxima temporada, Necessary Roughness deixa em aberto algumas questões. Ray Jay decide sair de casa para “trabalhar” com Juliette em Paris. Será uma grande burrada do garoto? A série trará Juliette de volta e desenvolverá um romance para os dois?
Após conseguir remover os obstáculos para a venda do time, Nico “desiste” de algo com Dani e resolver aceitar a proposta de emprego de uma equipe de beisebol em Dallas – porém, é interrompido pela chegada de polícia. O que queriam com Nico? De que ele é suspeito? Será que há alguma investigação sobre a morte de Marshall Pittman?
Matt repensa o fora dado no episódio anterior, põe Noelle pra escanteio e retoma o romance com Dani. Aparentemente, tudo resolvido… se a jornalista não tivesse nos apresentado um teste de gravidez com resultado positivo!!! Isto indica mais um obstáculo para o casal – novamente envolvendo o desejo de Matt de ser pai (com mais um complicador). Até que ponto podemos dar o triângulo Matt – Dani – Nico como resolvido?
Marc Blucas foi anunciado para estrelar o piloto de Killer Woman (piloto produzido por Sofia Vergara para a ABC), porém, por ora, não creio que isto signifique em uma saída antecipada da série.
Esta season finale foi bastante corretinha e não comprometeu nada! Os shippers de Dani e Nico podem ter se frustrado, mas desde o início, o interesse amoroso entre os dois me pareceu razoavelmente aleatório e sem futuro. Sempre acreditei – ainda acredito – que no apagar das luzes, no fim das contas, Dani e Matt estariam juntos, pelo simples fato de que não é do feitio da série fugir do trivial, do tradicional. Isto é uma constante em Necessary Roughness e em alguns momentos, trabalha contra a série. Mas é isto: trata-se de uma série absolutamente regular (em termos de estrutura) e previsível (no tocante às soluções de roteiro).
A terceira temporada ganhou uma encomenda de episódios mais curta (apenas 10!). Seria este o princípio do fim? Quantas “jardas” a série ainda tem para correr?
Obrigado aos fãs de Necessary Roughness que acompanharam nossos textos! Esperamos poder estar de volta na terceira temporada, na summer season 2013! Um abraço e até a próxima!



















