Quando as pessoas são os dinossauros.

Spoilers Abaixo:

A mente de uma pessoa continua travando batalhas em seu interior mesmo que muitas vezes a pessoa tente negá-la ou inibí-la, o que pode acarretar em certas ocasiões em que esta guerra extravase para fora de nosso recipiente mental, afetando nossas relações, nos fazendo acreditar em coisas falsas, pondo a perder tudo o que construímos. Podemos notar que o demasiado uso da nacionalidade pode estar acompanhado da presença obscura da loucura, que espreita até o momento em que poderá entrar em cena.

PNW mostrou saber arriscar-se em um episódio apenas meio procedural, já que houve um dinossauro a ser capturado, porém preenchendo apenas uma primeira parte da ação, para que em seguida fôssemos colocados contra a alucinação de Evan e seu inimigo imaginário.  Logo, de certa forma, Evan foi o “dinossauro” do episódio, inclusive sentindo-se ameaçado e descontando parte de sua loucura nas pessoas ao redor.

A sensação inicial foi de que o episódio seria uma tremenda confusão sem justificativas e objetivos, mas ao final, os pontos foram se amarrando. Ao decorrer das cenas entendemos que foi o vômito pré-histórico que estava causando as alucinações em Evan. Logo não havia albertossauro, nem anomalia nenhuma, apenas um cientista temporariamente maluco.

Uma das imperfeições do episódio se deu, principalmente, devido à sua primeira parte:  A caça ao paquicefalossauro teve como único objetivo justificar a alucinação de Evan; Sem falar no péssimo timing da computação gráfica e os efeitos especiais (a partir da entrada do Albertosauro tudo se ajeita).

O grande trunfo do roteiro foi utilizar do momento de fraqueza mental de Evan (que está sempre centrado, com um bom raciocínio sobre as situações) para nos revelar quem é o “cara congelado” do primeiro episódio, nos remetendo à várias questões abertas na Premiére e que pareciam encontrar resposta apenas no final da temporada. Agora ficou claro por quê Evan havia contratado Mac de uma hora pra outra. Mac, aliás, ficou chocado ao ver-se morto e congelado. Logo quando já havia superado a morte de Sam, aparece outra reviravolta em sua vida. Só adiante, poderemos compreender melhor o quanto isso afetará ao comportamento do personagem.

E no mesmo episódio em que mostrou-se o relacionamento de Evan e Ange bem desenvolvido, veio a desconstruir tudo ao final. A grande parte da figuração da loucura de Evan foi sobre a vingança que ele desejava pela morte de sua noiva, o que acabou por influenciar Angelika a terminar com este relacionamento que não empolgava em cena. A atriz, Miranda Frigon, saiu-se bem em sua última cena, confrontando Evan. Agora resta esperar se ela irá abandonar o barco de vez.

A construção utilizada neste episódio, afim de revelar algumas de suas verdades, acabou mostrando certa inteligência em inovar no roteiro, porém ao mesmo tempo, dotado de alguma desnecessidade na execução das cenas, e sendo coerente, porém causando confusão antes disso. Mas toda a clareza ao final, foi o que contribuiu para a história continuar com sua energia.

1×09: Breakthrough

Após um importante episódio para a trama, seria natural de esperar que o seguinte viesse lidar com as consequências do anterior, visto que PNW não ocupa tramas principais por muitos episódios, porém este acabou tendo sua relevância à trama que estávamos acompanhando, não só ao mostrar a nova dinâmica do grupo, como ao revelar alguns novos detalhes da história.

Primeiramente, eu destaco a abalada dinâmica da equipe: Mac está de mal com Evan desde que descobriu o seu corpo congelado por ter vindo do futuro e ter salvo Evan. Na verdade, Mac ainda não sabe muito bem o que fazer em relação ao amigo (PNW mostrou muito bem o bromance entre ele e Evan), mas por enquanto está tomando tempo para pensar e refletir (Toby até o ajudou nesta tarefa), e apesar de não estar pronto para conversar com Evan e reintegrar a equipe, ele não nega seu papel, ajudando Toby em sua missão de derrubar o viral da internet que se tornou o “Freaking Real Dino”.

Agora, com a saída de Ange (que parece ser definitiva), sobrou espaço para as conversas mais profundas entre Evan e Dylan, como no final, quando ela expressa o quanto gosta de fazer os dinossauros acharem seu caminho de volta para casa. Isso foi logo depois de quase ter sido atropelada por um tricerátopo ao tentar fazer isso.

Tivemos a entrada da subtenente Lisa Merriweather, que fica vendo virais da internet durante o trabalho e impede nossa querida Toby de falar com o Sargento Leeds. E no final a moça ainda fez cara de chateada pelo vídeo do dinossauro ter sido avacalhado por Mac e Toby. Qual a parte dela no plano de Ken Leeds? E até quando ou aonde a série levará esse “plano maligno” de Ken? Todos já percebemos que ele faz caixa 2 de dinossauros e mente para os colegas da Cross Photnics. Espero que Dylan, após ter visto Ken e sua tropa prestes a abater o tricerátopo, comece a desconfiar e abra bem os olhos em relação à Ken, já que ela se demonstra tão esperta.

Como se fosse para confrontar (ou reforçar?) a loucura do episódio anterior advinda de Evan, conhecemos seu antigo rival , Howard Kanan, que estava trabalhando num mesmo projeto semelhante ao de Evan, porém Evan finalizou antes de Howard, o que fez com que ele acusasse Evan de roubar seu trabalho. O personagem eu sua contribuição ao episódio, além de falar um pouco sobre Evan, construiu um timer que mais tarde seria usado para medir o tempo em que anomalia ficaria aberta. Só não imaginávamos que seus delírios de loucura o fizessem tomar tal atitude de atravessar a anomalia levando consigo o timer e um dos detectores de anomalia, deixando Evan e Dylan sem parte dos equipamentos que os ajudam tanto.

Mostrando os seus tons de loucura, verdade e tentativas, a nossa Primeval canadense tem, acredito eu, revelado o seu potencial de entretenimento, sem ser simples demais, e também sem grandes pretensões ou forçar a barra em parecer algo complicado de compreender, explicando aos poucos no que consiste sua trama.

DESFOSSILIZANDO1: Será que nem Evan, Mac ou Toby ainda não foram pesquisar o que é a ARC? A “Anomaly Research Centre” é a organização secreta do governo britânico responsável por conter as anomalias na série original.

DESFOSSILIZANDO2: Nestes dois episódios tivemos a (falsa) presença do nosso já conhecido Albertossauro, de um Paquicefalossauro e um Tricerátopo, ambos naturais da América do Norte, durante a época Superior do período Cretáceo.

DESFOSSILIZANDO3: Acho que já está na hora da nossa equipe do New World se deparar com um animal do futuro. Veremos até onde irá a criatividade dos roteiristas.

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