Onde os seres pré-históricos não têm vez.

Spoilers Abaixo:

Em um dos episódios anteriores desta temporada de Primeval: New World, mais exatamente no quarto, nos foi apresentada a criatura pré-histórica mais fofa que a série nos mostrou até então: Leggy, uma titanus walleri, que logo demonstrou certo gosto por salgadinhos de milho. Porém, após sua chegada ao nosso mundo, Leggy se veria órfã e raptada por Ken Leeds. Desde então a série veio a mostrar o segundo lado do Project Magnet do, até então, Major. Ambos estes fatos vieram a culminar neste trágico fim, para Leggy e (nem tanto) para Ken.

Inicialmente não gostei da repetição da criatura do episódio. Acredito que o roteiro poderia dar vazão para um segundo e inédito animal, mesmo a trama do episódio justificar bem a volta da ave do terror. Como o dinossauro não foi o elemento surpresa do episódio, coube à trama compensar em seu enredo. E como esse enredo foi acertado!

A ausência de alguns personagens em tela (Mac, ainda magoado com Evan, e Toby, de folga) deu um espaço maior à Dylan e Evan continuarem suas reflexões sobre contribuir ao mundo seguindo o trabalho que fazem. E, por fim, acabamos por compreender melhor o mundo em volta de Ken. Ele que antes tentava algum progresso em seu fracassado Project Magnet, apenas com o começo das invasões de dinossauro, foi que pode alcançar o poder que almejava, podendo comandar uma tropa para capturar dinossauros e até ter uma secretária.

Porém, tudo acabou esvaindo-se quando foi finalmente pressionado por Evan e Dylan sobre qual lado ele estava diante da situação que enfrentavam. Ken mostrou ter uma ligação forte com o poder que conquistou, visto ser capaz de mentir para a equipe e, neste caso, ainda isentar-se de alguma decisão, mas quando resolveu tomá-la, sofreu as consequências de tê-la tomado tarde demais, pois o seu projeto já andava sozinho, e nem mais precisaria dele.

Diante da fuga de Leggy (já não se fazem cenas de abertura como antes) coube a nossa dupla de protagonistas tentar livrá-lo do exército do Project Magnet, agora sob o comando do Sargento Douglas. O casal consegue, através das habilidades que cada um possui (Evan conhece as tecnologias, enquanto Dylan, o comportamento dos animais), driblar os soldados e encontrar Leggy, agora convertida em uma legítima Ave do Terror. Nota-se que passou um bom tempo desde que Leggy foi capturada até aqui, ou seja, a equipe de Cross passava longos intervalos de tempo esperando até uma anomalia fosse aberta.

Além de alguns bons diálogos entre Evan e Dylan, pôde-se extrair muito mais da confiança entre os dois, algo que antes Evan apenas mostrava com Angelika. Posso dizer que o casal já atingiu um ponto essecial para qualquer casal de qualquer série funcionar bem. Destaque maior para Sara Canning que está conseguindo ter um ótimo desenvolvimento com a sua personagem.

A decisão de Dylan foi, acima de tudo, segura e corajosa, levando em conta que não havia opções viáveis para a pobre Leggy (apesar de que, não me pareceu que ele tenha perdido tanto sangue, mesmo assim, as chances de vida da ave em nosso mundo seriam poucas). Estes momentos de coragem em PNW me agradam muito e que haja mais destes.

Falando em coragem, Ken ao resolver tirar o traseiro da cadeira e fazer algo que pudesse compensar a sua traição à equipe da Cross Photonics, acabou assinando sua condenação. Espero que a parte da trama que se derivar daqui se torne interessante, porém que não mude o foco da série, pois acredito que ainda há muito a ser desenvolvido na parte científica.

Um mundo que oprime os animais pré-históricos assim como as próprias espécies animais atuais é este mostrado em PNW. E é do exemplo deste episódio que se infere a importância que a equipe liderada por Evan Cross tem para, não só com a sociedade, mas também aos animais vítimas de tais acidentes do tempo e vítimas da exploração do homem a tudo que lhe é de interesse.

– R.I.P. Leggy (*60.000.000 a.C  +2.013 d.C)

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