Levi mandou lembranças.

Spoilers Abaixo:

Em uma temporada marcada pelas tentativas de desmascarar a corporação Abaddon, imaginei que (infelizmente) Levi cada vez mais cairia no esquecimento. Uma pena, porque este personagem é um dos melhores da série. É realmente gratificante vê-lo em cena por tanto tempo, em um episódio que posso considerar um dos melhores até agora.

Higher Power é situado em uma locação diferente, centrado em um personagem diferente e até com um estilo de direção que se diferencia um pouco dos demais episódios. Vimos Levi e suas dificuldades para viver sóbrio, tentando se recuperar em uma clinica para dependentes no Hawaii. Com atuação brilhante e um background interessante, Levi é, para mim, o personagem mais significativo desta série. Algumas produções pecam em transformar personagens em algo extremista: Alguém extremamente do bem (de certo modo, Amy) ou extremamente do mal (os executivos da Abaddon). Mas Levi é balanceado, sombrio e profundamente machucado. É exatamente isso que o torna tão interessante. É como conhecer uma pessoa pela primeira vez e tentar decifrá-la. Também é preciso citar as boas participações de Christopher Abbott (Girls) e Christopher Douglas Reed (Sons of Anarchy), que interpretam dependentes em recuperação.

É bom ver que Levi, apesar de ter uma recaída, entra no “caminho certo” e demonstra grande respeito por Amy. É possível perceber que o personagem sente vergonha do que se tornou e deseja ser alguém melhor, ainda que para isso, precise abrir mão de algumas coisas e que precise participar mais das atividades clichês da clinica.

O roteiro e direção ficam por conta de Mike White (que também interpreta Tyler). A sensibilidade presente em seus roteiros faz com que me sinta ao mesmo tempo feliz e um pouco angustiado. Sua direção, principalmente em tomadas e quadros feitas no subúrbio são compostas de um certo mal-estar. Como por exemplo, um bairro extremamente limpo e calmo em Los Angeles, composto por poucas cores, predominando variações de um amarelo sem vida. A casa onde Amy mora com sua mãe, escura, composta por objetos antigos que rementem a uma profunda saudade dos dias passados.

No início da temporada, e também antes, na divulgação feita pela HBO, ficou claro que a segunda temporada de Enlightened mostraria Amy como uma whistleblower. Foi muito bom e saudável para série esquecer um pouco esta trama e humanizar um pouco mais um dos personagens com maior potencial para entregar grandes episódios como este.

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