“Acho que tudo vale a pena, quando a vida lhe dá uma segunda chance de estar com a pessoa que ama.”

Spoilers Abaixo:

Doce e triste, mas com muitas pitadas de humor. Em um episódio que contou com os diálogos como um de seus pontos mais fortes, Person of Interest investiu em um caso da semana divertido e inusitado para abordar paralelamente e de forma bastante eficiente as tristes e difíceis situações amorosas (ou a ausência delas) com as quais os quatro protagonistas da série tem que conviver. E uma vez que os problemas pessoais de John já foram abordados pela série na 1ª temporada, o foco principal de Til Death” sobrou para Harold e seu sofrimento devido à forçada separação de Grace Hendricks.

A maneira pela qual o episódio optou para contar o encantamento de Finch por Grace (e vice-versa) não poderia ter sido melhor. Bonitos e bem escritos, os momentos escolhidos pela roteirista Amanda Segel para caracterizar o relacionamento do casal, assim como como a atuação de Michael Emerson e Carrie Preston, foram primorosos e conseguiram não só nos fazer entender os motivos que fizeram o casal apaixonar-se um pelo outro, mas também sentir e sofrer junto com Harold.

E que pena que deu de Finch. Recluso e quase inacessível, até mesmo seu finado melhor amigo Nathan duvidava que um dia seria possível a Harold vivenciar um relacionamento amoroso. Contudo, ainda que uma bela mãozinha da Machine (conforme vimos em “The High Road”), Finch teve sua chance e encontrou em Grace alguém com quem compartilhar suas paixões e afinidades, uma pessoa amável, doce e compreensiva que certamente trouxe à vida de Harold um colorido com o qual ele jamais ousaria sonhar e o compeliu a fazer de tudo para não deixar escapar. Ou quase tudo. Pois conforme foi dito por Nathan, “apesar de o mistério ser muito útil em uma relação, existe um limite”. E assim, ainda que Harold tenha tentado ser o mais honesto possível com Grace (e tenha tido sua permissão para se abrir com ela quando não mais tivesse “aquele olhar”), a “rotina de homem invisível” de Finch acabou cobrando seu preço e separando-o dela.  A Machine deu, a Machine tirou (ainda que não saibamos como exatamente isso ocorreu).

Ainda nas questões de relacionamento, o episódio também abordou de forma muito competente as situações amorosas de Fusco e de Carter que, apesar de também serem tristes e complicadas, pelo menos acenam com uma possibilidade de melhoria.

 Em relação a Carter, o episódio pode não ter avançado muito e ter apenas acenado com uma possibilidade de romance entre ela e o policial Cal Beecher, porém em contrapartida o diálogo no carro entre ela e John foi responsável por revelar mais um pouco do passado da detetive, indicando que a hoje “mãe solteira” Joss Carter já enfrentou um casamento frustrado. Em suas palavras: “Um dia você está casado com sua alma gêmea, depois você o vê se tornar outra pessoa. Às vezes você está tão apaixonado pelo que a pessoa era que não consegue amar quem ela se tornou.”. Resta agora saber exatamente quem o ex-marido dela se tornou e o que aconteceu com ele.

 Quanto a Fusco, foi muito legal também vê-lo tentando resgatar sua vida pessoal. Lionel pode ter sido um mau caráter no passado, porém no fundo tem bom coração, é dedicado ao filho e também tem seus relacionamentos atrapalhados devido a sua profissão, de modo que é muito legal que ele encontre alguém que o entende e mostra-se disposta a encarar a vida de “pagamento ruim, horários ruins”. Além disso, o encontro com Rhonda não só foi bonitinho, mas também proporcionou várias cenas engraçadas, de modo que torço para que a série volte a investir no relacionamento dos dois.

 E assim Person of Interest mais uma vez cumpriu em “Til Death” com a linha que a série vem seguindo nesta 2ª temporada de sempre entregar bons episódios, ainda que nem sempre geniais. Além disso, o episódio também acertou em cheio no caso da semana ao abordar a tentativa de assassinato mútua entre o casal Sabrina e Daniel “Jacob” Drake de forma leve e descontraída, contrastando e aliviando o peso das dificuldades amorosas enfrentadas por Finch, Fusco, Carter e até John (que não precisa ter sua história com Jessica abordada novamente para que lembremos dela) e proporcionando um episódio gostoso de assistir, no qual os quarenta e poucos minutos de série mais uma vez passaram sem que fossem sentidos.

Observações

 – Da mesma forma que foi dada ênfase à história de John ao longo dos episódios da 1ª temporada, aparentemente a 2ª vai tratando de fazer o mesmo com Finch, trazendo aos poucos mais e mais pedaços de sua vida a partir da criação da Machine e passando por todo o seu relacionamento com Grace.  Isso quer dizer que é bem provável que o final da temporada traga as respostas para o que aconteceu com ele, com Nathan e também com a Machine, após esta ter sido entregue ao governo.

 – Bem que eu falei na última review que o Fusco estava passando Grecin 2000 nos cabelos. Agora tá explicada a vaidade, não? 🙂

 – Lionel voltou a ter uma maior participação neste episódio, o que é muito bem vindo, visto que o personagem cresceu muito desde o começo da série e sua falta é sempre bastante sentida quando ele não tem uma participação condizente com o tamanho que adquiriu.

  É muito legal a sintonia entre Michael Emerson e Carrie Preston, principalmente porque as fotos de bastidores de gravações que já vi mostram os dois olhando-se na vida real da mesma forma apaixonada que vemos no episódios.

– O episódio teve uma chuva de frases (e diálogos) engraçadas, além de outras também marcantes. Algumas delas já foram citadas ao longo da review, porém mesmo assim tive que cortar algumas da lista desta vez. Lá vão as selecionadas (fiquem a vontade para comentar a falta de alguma frase que vocês tenham gostado mais):

 “Eu não posso fazer t-u-d-o, Sr. Reese.” (Finch)

 “Assassinato também serve para causar separação. Divórcio não seria mais simples?” (Reese para Finch).

 “É sempre bom ter alguém da força tarefa me devendo um favor. Especialmente uma que cheira a rosas ao invés de cinzeiros.” (Beecher para Carter)

 “A verdade sempre te alcança, Harold, não importa o quanto tente escondê-la.” (Nathan)

 “Se eu acreditar no garçom, parece que já está perto do fim. Você precisa mesmo trabalhar suas habilidades de conversação.” (Finch para Lionel)

 “Sempre quis ajudar em um sequestro.” (Lionel para Reese)

“Quantas vezes se reforma uma cozinha? Gostava dela três reformas atrás.” (Daniel Drake)

 “Sei muito bem que não posso esquecer o colete quando estou trabalhando com o Sr. Feliz.” (Fusco para Carter)

 

Diálogo 1 (Reese e Finch)

R: “Eu Já comi, Sr. Reese. Obrigado.”

F: “Quem disse que era para você?”

 

Diálogo 2 (Reese e Finch)

R: “Estou orgulhoso de você, Finch. Está se acostumando com os trabalhos de invasão.”

F: “Obrigado por elogiar meu declínio de comportamento.”

 

Diálogo 3 (Reese e Finch)

R: “Não sabia que você era uma fã de Beisebol, Finch.”

F: “Não creio que meu gosto por uma dessas equipes revelaria onde eu cresci, Sr. Reese.”

 

Diálogo 4 (Reese e Finch)

F: “Então temos duas vítimas que também são criminosos. E sem falar nos dois mercenários. Sabe, Sr. Reese, eu cogitei que poderíamos deixar os Drakes se matarem.”

R: “Isso é muito mercenário da sua parte, Finch. Eu até que gosto disso.”

F: “Se for o caso, posso ter cruzado alguns limites morais. Não paro de pensar nos inocentes que precisariam de ajuda enquanto perdemos tempo com um casal que preferiu assassinato à terapia conjugal.”

 

Diálogo 5 (Carter e Reese)

C: “Estar apaixonado é uma coisa. Estar casado é algo totalmente diferente. Aqueles votos mudam tudo.”

R: “Qual deles? Até que a morte nos separe?”

 

Diálogo 6 (Carter e Finch)

C: “Por que não os penduramos no telhado e os forçamos a dizer como achar o assassino?”

F: “Apesar de que John provavelmente teria adorado essa opção, essa solução seria temporária.”

 

Diálogo 7 (Sabrina e Daniel Drake)

D: “Sinto muito por ter tentado matar você, querida.”

S: “Eu também.”

Diálogo 8 (Fusco e Reese)

F: Após levar uma bala no traseiro e te salvar várias vezes, não acha que mereço um pouco de privacidade?”

R: “Não.”

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