Na semana do Top 10, a emoção predominou. Mas, no fim, nem todos têm motivos para agradecer.

Spoilers Abaixo:

Devido ao cronograma do show e ao grande número de acts ainda presentes a poucas semanas de seu fim, a FOX não pode se dar ao luxo de deixar de exibir o programa em pleno feriado de Ação de Graças (Thanksgiving) norte-americano. Por isso, nada mais adequado do que uma semana cheia de emoção e histórias tristes de vida da maioria dos candidatos.

Mas nem tudo foi tão emocionante na quinta-feira, pois tivemos de enfrentar um daqueles vários momentos que nos fazem mergulhar no questionamento de até onde é bacana termos garotos e garotas de 13 anos em uma competição com tanta pressão – momentos que marcaram também o ano passado, quando crianças como Astro e Rachel Crow encaravam a eliminação de perto. Tudo com direito a mais uma eliminação dupla (algo que, seja por ser ruim de fato ou por sermos crias do formato do American Idol, não me agrada em reality algum).

A noite que precedeu a tragédia, porém, foi permeada por performances, no mínimo, tocantes, mesmo que os vocais não tenham sido o forte de várias delas. Mas é claro que tivemos apresentações lindas e extremamente cativantes (CeCe Frey e Carly Rose Sonenclair, estou olhando pra vocês!).

Quem abriu a noite foi Tate Stevens, com o clássico “I’m Already There” (Lonestar), fazendo o que sempre faz. Tate não é o tipo da pessoa que parece gostar de sair da própria zona de conforto, mas quem gosta não é mesmo? Só fazemos isso quando é necessário, e Tate claramente não precisa, ainda que tenha recebido o death spot (primeira apresentação da noite). Particularmente, dar o death spot pra quem certamente não será afetado por ele é uma boa ideia da produção – ou ao menos uma ideia justa. Demi, mais uma vez, prova que todos os defeitos que tem como mentora (que, a propósito, vêm sendo gradualmente amenizados a cada semana) são compensados durante seu trabalho como jurada, e, ao contrário da fofa porém robótica Britney, não tem medo de dizer que não foram os melhores vocais do candidato e ser vaiada. A ideia é reafirmada por Simon e – pasmem! – refutada por Khloe Kardashian, que parece ainda não ter compreendido qual é a sua função ali.

A próxima a cantar foi Diamond White, que acabou, pela primeira vez, me atingindo com a dedicação da canção “Because You Loved Me” (Celine Dion) à mãe. Mas, ao contrário do que espero de um reality show musical, o que me tocou foi a história, e não a performance em si. Não sei se é uma questão da pouca experiência de vida que os “teens” naturalmente têm, mas tenho notado nesta temporada que, por mais que o conteúdo de seus discursos e performances seja feito para emocionar, raramente isso ocorre de fato comigo. Foi o caso com Diamond, em uma performance que considerei extremamente correta, mas sem muito calor humano. Felizmente para Diamond, acredito que muita gente pense diferente. Os jurados certamente pensam.

Em seguida, foi a vez do Emblem3.

A dedicatória dos jovens rapazes combinou com o perfil deles, que é algo que tem me desagradado menos a cada semana que os conheço melhor. Obviamente, há um esforço gigantesco de Simon para fazer com que os três pareçam caras legais por trás da fachada de moleques convencidos, mas o excesso de pele à mostra (ou a falta de roupas) não ajuda. A performance em si, com “Secrets” (OneRepublic) foi sem dúvida superior ao que eles têm feito nos lives (com exceção do Top 16, em que os rapazes foram incríveis), e achei que, ao mesmo tempo que foi algo diferente do que eles vinham mostrando, ainda assim não fugiu à proposta e à identidade do grupo. Um dos três, creio que o Wes, não estava em seus melhores dias vocalmente, mas essa é a vantagem de se estar em um grupo.

LA foi o único jurado crítico ao afirmar que faltou emoção, o que Khloe Kardashian refutou energicamente (já pode começar a campanha “CALA A BOCA KHLOE”?). Pra mim, emoção nunca foi o forte do Emblem3, e esse suposto problema ficou em segundo plano, ao contrário da relação entre Arin e a integrante do Fifth Harmony, Normani, que foi praticamente jogada na nossa cara.

A única coisa que engoli menos que a performance de “Hero” (Enrique Iglesias), uma música extremamente romântica que supostamente era para ser dedicada ao irmão de Arin é justamente essa tentativa de pintar um casal nos bastidores do programa. Na semana passada, a coisa já não havia dado certo, e torci para que a produção abandonasse a ideia, mas não rolou. O “namoro” é tão esquecível quanto a performance de Arin – claramente mal orientado por Britney – esta semana. Demi foi deliciosamente má com o garoto ao dizer que não o contrataria se fosse dona de uma gravadora pelo excesso de chatice da performance, e eu não gostaria de ter gostado do comentário dela tanto quanto gostei.

Mas, se nesta altura do X Factor há alguém que, ame ou odeie, jamais será esquecida, é a responsável pela próxima performance.

Acredito que o Henrique já tenha deixado isso bastante claro em seus textos, mas preciso assinar embaixo: CeCe é uma daquelas candidatas que têm plena ciência do que está à sua volta e de que é necessário construir uma história para que, mesmo que o programa não seja vencido, sua participação seja considerada memorável. E CeCe é o melhor que o X Factor tem nesta temporada nesse sentido. Seja qual for a emoção que a garota proporcionar a seus espectadores, ela jamais passará incólume.

Cada semana é uma semana para CeCe Frey. Ela nunca está segura, e sua luta desta vez foi contra si mesma e sua própria capacidade de segurar suas emoções. Mas, desta vez, não foi possível. Os vocais da cantora, que tem se deixado levar cada vez mais pelo gigantesco golpe que o programa aplicou em sua autoconfiança, foram bem melhores do que o que temos visto recentemente, mas ainda assim estavam claramente abalados pela memória da irmã. Porém, desta vez, esse foi seu grande trunfo. A emoção que a performance de “Wind Beneath My Wings” passou enriqueceu imensamente sua interpretação, e foi definitivamente genuína. A CeCe das audições deixou claro o quão forte e perfeccionista a garota é, e essa CeCe jamais teria engasgado no final da música. É o tipo da performance que nos permite enxergar claramente o quão monocromático foi o tratamento dado a ela pela edição. Todos nós temos nosso lado “vilão”, mas CeCe, assim como cada ser humano, é muito mais do que isso. E tem encontrado seu caminho como a trajetória mais humana – com todas as falhas que isso implica – da segunda temporada do X Factor. Observação: Khloe, eu adorei a performance, mas dizer que CeCe cantou fenomenalmente é um pouco demais até pra mim.

O próximo act é o extremo oposto de tudo isso.

Dedicar a música a Deus é lindo e tem grande apelo ao público, é verdade, mas havemos de concordar que absolutamente qualquer participante de qualquer reality show poderia ter dito as mesmíssimas palavras (e usado qualquer história da vida pessoal para justificá-las). Esse discurso genérico é algo sintomático: a jornada do Fifth Harmony parece extremamente fabricada, e me soa um despautério pensar que essas meninas passarão sequer alguns meses como um grupo após o fim do programa e das consequências de sua exposição em conjunto. Sua performance de “I’ll Stand By You” (The Pretenders), apesar de ter evidenciado um mínimo de evolução no trabalho de harmonizar tantas vozes, ainda prova que o talento individual das garotas, que não é pouco, é muito mais valorizado do que a habilidade de cantar como um grupo, que elas não têm e nunca terão. Mas, vocais por vocais, Pia Toscano manda um beijo a todas as cinco.

Para Beatrice, Britney escolheu (ou seja, a produção do programa escolheu) “Chasing Cars” (Snow Patrol), mas, por mais tocante que seja toda a história de vida da garota, ela simplesmente não consegue mais cativar como me cativou com “Titanium”, lá na etapa das Judges’ Houses. Tudo o que consegui pensar foi “menina, tem uma folha na sua cabeça!” e, quando uma folha é mais importante do que a apresentação, há um problema. Demi, mais uma vez, mostrou imenso tato ao declarar que Beatrice havia estacionado, o que de fato aconteceu já há algumas semanas, apesar da negativa de Simon – o que se tornou ainda menos compreensível diante do reconhecimento do jurado, no dia seguinte, de que Beatrice não estava preparada para a competição.

Vino seguiu uma fórmula infalível que sem dúvida impediria qualquer queda no ranking de votações (se não ocasionasse uma subida): apelou para o patriotismo norte-americano. Não que eu ache que tenha sido encenação, acreditei na “God Bless The USA” (Lee Greenwood) de Vino, mas é claro que uma boa dose de estratégia, fazendo com que os espectadores sintam-se péssimos cidadãos norte-americanos caso não votem nele, não faz mal a ninguém. Principalmente acompanhado por vocais poderosos como os de Vino Alan.

Sejamos honestos: Paige estava em casa esta semana, que era oficialmente a “semana da choradeira”. Mas até a mais insensível das almas deve admitir que sua história de vida é extremamente difícil, e sinto uma mistura de raiva e orgulho de mim mesmo por ter sido capaz de sucumbir ao drama da candidata. “Everytime” é provavelmente a mais bela música de Britney Spears – é no mínimo uma séria candidata ao posto – e achei uma ótima escolha para a noite. A avaliação da intérprete original, porém, foi a mais pura decepção: “Achei lindo”. Poxa vida, dá até certa tristeza ver Britney assim. De qualquer forma, por mais que os vocais de Paige tenham beirado o desastre (diz ela que isso não importa, já que ela já mostrou que é capaz de vocais impecáveis – pena que eu não vi), diante dessa história de vida e desse poço de emoção que presenciamos, fica difícil para o público não se compadecer da candidata e não tirá-la da lanterna esta semana.

E, depois de um dos erros mais fofos que já vi em um reality musical, Britney então anuncia Carly.

Carly Rae Rose Sonenclar é a representação do mais puro talento no X Factor. Carly Rose Sonenclar não precisa narrar uma tragédia (apesar da história do derrame da mãe) para merecer estar ali. Carly Rose Sonenclar sequer precisava do pimp spot da noite para triunfar completamente nesta semana do programa, mas ela o ganhou mesmo assim. Carly é aquela participante que – confesso aqui pra vocês – me faz, como reviewer oficial do The Voice, sentir inveja legítima de Henrique Haddefinir por ver o X Factor lhe dar a oportunidade de falar sobre performances da cantora toda semana, pois ela certamente poderia representar uma ameaça a qualquer front runner do show da NBC. O que me conforta é ter esta oportunidade de escrever justamente a respeito de um desempenho infinitamente superior até mesmo ao que estamos acostumados a ver da própria garota. Ninguém – e eu disse ninguém – na história do X Factor já cantou tão maravilhosamente quanto Carly durante aquele trechinho a capela no início de “Somewhere Over The Rainbow” (algo que, aliás, nenhum outro concorrente da artista teria cacife para fazer). A escolha da música foi meio brega? Sim. As performances de Carly às vezes fazem parecer que ela tem 113 anos? Com certeza. Eu consigo visualizar, por enquanto, um CD inteiro da Carly que cantou “Somewhere Over The Rainbow” vendendo como água no mercado atual? De forma alguma. Mas não estou me importando nem um pouco com isso, porque, se essa menina não for até a final e nem vencer esse programa, eu não sei mais o que é música boa e o que não é. E tenho dito!

RESULTS SHOW

A noite de resultados começou com muita tensão (aliás, vou confessar que adoro a musiquinha de tensão quando os mentores e seus pupilos estão sendo anunciados enquanto entram no palco). Logo de cara, Arin foi eliminado em 10º lugar, o que me alegrou bastante. Apesar de ser teen, o rapaz encarou sua eliminação de frente, como uma postura relativamente madura e bacana. Infelizmente, não podemos dizer o mesmo do outro act eliminado da noite, que encarou a situação como uma verdadeira garotinha. Mas vamos com calma.

A primeira salva foi Diamond White, e sua cara de choque me convenceu tanto quanto sua performance no dia anterior (ou seja, nada). Vino Alan foi merecidamente o segundo salvo, seguido pela óbvia, linda e maravilhosa Carly Rose Sonenclair. No momento em que o Fifth Harmony foi salvo, comecei (além de esbravejar sozinho aqui) a me preocupar com CeCe.

Tate, que já estava salvo em todas as nossas mentes, foi o próximo anunciado. Então, minha única esperança de ver CeCe fora do bottom 3 (considerando os 10 acts) esvaiu-se no momento em que o nome “Paige Thomas” foi dito por Khloe Kardashian. Aí, entre Emblem3, Beatrice e CeCe, em quem será que as garotinhas adolescentes votaram, não é mesmo? Alô, suspense, você está aí?

Assim, CeCe é forçada a cantar pela sobrevivência no programa pela terceira vez (sendo a segunda vez que essa decisão vem do público). Sua performance de “Because of You” (Kelly Clarkson) é extremamente desequilibrada, com alguns bons momentos, mas total descontrole especialmente nos últimos versos cantados. CeCe segura bem as notas altas quando precisa, mas essa parece ser sua única constante em termos vocais. Ainda assim, a força e determinação da garota estavam lá, evidentemente presentes e transbordando ao longo da performance, como sempre estiveram. Dentro do possível, CeCe não se descontrola emocionalmente desta vez. A esta altura do jogo, ela sabe o quão necessária é para o programa, desde que continue sabendo contar sua história sem perder o foco de seu papel no reality.

Pela primeira vez enfrentando um sing-off, Beatrice claramente não tinha preparo psicológico para essa batalha. Ironicamente, escolheu “White Flag” (Dido), uma canção bastante representativa do momento emocional, do conflito em que ela se encontrava. Surpreendentemente diante de seu estado, ela cantou um pouco melhor que CeCe, mas o sofrimento da garota durante toda a performance foi torturante para qualquer ser humano assistir. E, depois dos votos óbvios de Demi e Britney e da decisão de LA de manter CeCe, foi Simon quem fez questão de explicar que Beatrice estava indo para casa por falta de condições para enfrentar a pressão da competição. E, em um daqueles momentos que me faz não querer ver meninas de 13 anos sendo chutadas de realities musicais, Beatrice SE DESCULPOU às irmãzinhas por decepcioná-las. E o troféu “rainha do tato” vai, claro, para Khloe Kardashian, que fez a inteligentíssima pergunta “Are you OK?” enquanto Beatrice se debulhava escandalosamente em lágrimas.

É nesses momentos que sinto certa esperteza em CeCe Frey, mas também sinto artificialidade. Os abraços e tentativas de conforto da garota em Beatrice em nada pareciam legítimos. Muito pelo contrário, a sensação era de que ela até mesmo pensava nas câmeras e no enquadramento. Mas aceito a tentativa. CeCe é uma legítima lutadora, e uma garota na situação dela pode – e deve – usar todas as armas que tem. E, para a minha alegria – apesar dos pesares, não sentirei a menor falta de Arin ou de Beatrice –, a  luta de CeCe continua na próxima semana, quando provavelmente terminará. Mas que seja infinita enquanto dure!

É hora de anunciar o ranking da semana, que pouco mudou. O Fifth Harmony finalmente vê seus dias contados no programa diante da sétima colocação. Demi também já percebeu que talvez seja tarde demais para sua melhora como mentora e que provavelmente será a primeira a perder todos os seus acts, com CeCe em oitavo e Paige em sexto. Subindo um pouco em relação à semana passada (por motivos que eu jamais entenderei) está Diamond White.

Mario Lopez, então, anuncia que houve apenas 0,5% de diferença entre o quarto e o terceiro lugar, o que encaro como uma clara jogada de Simon para tentar emplacar seu Emblem3, mais uma vez em quarto lugar, na final do programa. Vino continua em terceiro, mas aparentemente sua posição no pódio está ameaçada pelo Emblem3.

Então, chega o momento do já tradicional embate entre Carly Rose Sonenblurgh (Mario Lopez de fato pronunciou o nome dela assim!) e Tate Stevens. E a primeira colocação vai para…

CARLY ROSE SONENCLAR! SUA LINDA! GANHA ESSE PROGRAMA!

Pronto, desabafei, e é isso, pessoal. Semana que vem, se tudo der certo (e dará), o Henrique estará de volta com suas reviews incríveis. Agradeço a quem acompanhou o texto, foi muito bacana poder falar um pouco sobre minhas impressões sobre o X Factor – e tentar deixar claro que eu não odeio o programa (rs). E sigamos firmes e fortes no #TeamCeCe, até que a eliminação nos separe!

Artigo anteriorPerson of Interest – 2×07: Critical
Próximo artigoDexter – 7×09: Helter Skelter
Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.