
Revolution e os garotos perdidos (que não precisavam ser encontrados).
Spoilers Abaixo:
Essa semana Revolution resolveu nos dar algumas respostas. Elas foram muito bem vindas, e é uma pena que tenham vindo numa semana de histórias paralelas tão desinteressantes. A série se dividiu em dois objetivos, mas de fato, nós estávamos mesmo era querendo saber pra onde os flashbacks iriam nos levar. Por mim, e acho para alguns de vocês, não importava nem um pouco que aqueles pentelhos perdidos, fossem encontrados.
Mesmo assim, precisamos admitir que os movimentos dos roteiristas fazem sentido no seu apelo metafórico. Mesmo que imitando ainda o estilo narrativo de Lost, o programa tem buscado uma identidade narrativa, um norte para apoiar suas motivações e as relações entre os personagens. Esse norte é a dinâmica de repulsão e proteção que aparece em quase todos os núcleos. O tempo todo, os personagens estão sendo colocados sob a responsabilidade de outra pessoa ou assumindo responsabilidades alheias. Ainda há muitos ruídos na série, mas pode estar aí o caminho para trazer credibilidade ao show.
Por isso, a história com as crianças parece correta. Está dentro da proposta e do sentido, mas careceu de envolvimento verdadeiro… De algum modo, o fato da responsabilidade pela solidão deles ser de Miles, não pareceu suficiente para a “cruzada” do título. Tudo pareceu repentino, provocado sem verdade, apressado.
Mas não foi uma completa falta de tempo, pelo contrário. Revolution tem conseguido salvar alguns aspectos de suas más decisões, e isso é um grande sinal de melhora. Vimos isso com muita força essa semana, quando ao mesmo tempo em que aquela cruzada parecia absurda, o caminho pra onde ela nos levou foi interessante.
Uma vez apressado um passo, todos os outros parecem antecipados, e Charlie na tal base também pareceu descolado de todo o contexto. Porém, a maneira como conectaram os eventos da base, com os eventos do abrigo das crianças, e os eventos do flashback, foi muito acertada. O pingente funcionar naquele momento foi realmente surpreendente e deu ao episódio um toque especial que chegou a me impressionar.
Sobre as respostas dadas pelo passado, não sei o que pensar. Por mais que a gente passe muito tempo exigindo-as, pareceu precoce. Nada foi dito claramente, é fato, mas ao mesmo tempo eu não sei se fiquei feliz com o caminho escolhido para a explicação. Vou precisar esperar um pouco mais… Já sabemos que a queda da energia foi produto de um experimento, e que a relação entre Rachel e Ben foi o centro de tudo. Acho que boa parte do meu desconforto se deve ao fato de termos Elizabeth Mitchell à frente dos acontecimentos. Ela era ótima fazendo a Juliet, mas acabamos descobrindo que ela só sabe fazer a mesma personagem, e a cada flashback com ela, parece haver uma sobreposição de impressões que torna tudo difícil de ser absorvido. Acho lamentável que tenhamos que lidar com isso, e que essa tenha sido a atriz escolhida.
Agora também sabemos que Grace terá uma participação mais ativa, e que existem não só pingentes a serem encontrados, mas pessoas a serem percebidas. A série ganha com isso, mas precisa se preocupar mais, e sempre, com como traduz essas necessidades para a tela. Ainda soa extremamente descabido que movimentos tão simples (e foi a série que entregou essa simplicidade) como os de unir Rachel e os filhos, ou mesmo de descobrir o paradeiro deles, tenha tido que esperar 15 anos pra acontecer. Uma hora é difícil encontrar os outros, outra hora – como a de encontrar a filha de Bradley – é fácil como andar pra frente.
Chegou o momento de dar a Revolution uma chance verdadeira de ser mais que um produto de fácil consumo, preso a clichês e referências de outros sucessos. Esse sempre foi o grande problema da série. Ela se subestima e nos subestima. Ela acha que basta ter um mistério, uma civilização própria, atores de produções conhecidas e artifícios de sucessos anteriores, e está bom. Ela sempre achou que não precisava se esforçar por uma boa história… Mas ela precisa. Tem um monte de gente aí que acredita em Revolution. Tem um monte de gente aqui nos comentários, que quer ser recompensada. Trabalhe por essas pessoas, Revolution. Elas merecem.














