Quantas vezes podemos fazer trocadilho e dizer que The Middle teve um episódio mediano?

Spoilers Abaixo:

O episódio dessa semana retornou o arco de Frankie, que está sem uma ocupação e ainda não decidiu qual profissão vai seguir para o resto da vida. Para ocupar o tempo livre, ela está fazendo atividades até então impossíveis de serem executadas, como caminhada. Mesmo considerando o episódio mediano, devo dizer que gostei de vê-la escutando um discman. É um detalhe simples, mas que resume bem o que é a família Heck e como funciona sua dinâmica. Além do fato de serem pobres, ressaltando o que viria a frente, quando Sue vê o contracheque de Mike, revela também uma certa opressão à mãe por parte dos filhos. Ela acabaria utilizando o aparelho, mesmo se eles tivessem um ipod, um mp4 ou um celular que lê mp3. É aquela coisa da mãe que tira da própria boca para dar de comer aos filhos.

Enfim, nesse caminho ela acabou trocando olhares com Rita Glossner, que voltou e a gente nem sabia que tinha ido – como Mike também não sabia. A série possui diversos bons personagens regulares, que interagem de maneira diferente com os Heck. Os meus preferidos são os Donahue, quase onipresentes, que geram boas piadas por ser uma família perfeita, contrastando com os nossos queridos disfuncionais.

Eis que os Glossner são outro contraponto, só que para os próprios Heck. Perto deles, a família de Mike quase não tem problemas. Isso serve para mostrar que não existe família perfeita e tudo não passa de uma questão de ponto de vista.

A gente já conhece os Glossner e sabe como é complicada a relação deles com os Heck. Porém, a série vai além e explora o que é de conhecimento do público, mostrando também uma nova faceta: diferente do que aconteceu anteriormente, dessa vez eles realmente foram culpados no roubo da mangueira.

E a série foi além. Enquanto esperávamos todo aquele confronto na guarita montada para fazer vigilância no jardim, os roteiristas escolheram fazer uma trégua. Assim, todos terminaram juntos numa festa de domingo, tomando banho na piscina de plástico. Acabou não sendo tão engraçado quando vê-los brigando, mas ressalta a iniciativa da série em explorar novas rumos nessa temporada.

Como bem observado por alguns leitores, Brick está amadurecendo. Os roteiristas também estão atentos a isso e criaram um plot para o personagem explorando este assunto. A “educação sexual” virou tema de aula, mas foi Axl quem contribuiu com a sua experiência. Aliás, ele é virgem? A série nunca explorou isso, mas eu chutaria que não pelo modo como ele lida com o tema. Pode ser que se trate do caso do adolescente que ainda não transou, mas que adora ficar se gabando.

Se comparado aos outros quatro que abriram essa temporada, facilmente elegíveis entre os melhores da série, “The Hose” dá uma ligeira pausa na sequência de excelentes episódios. Estamos só no começo e é natural essa decaída. Mas, estou aqui torcendo para que o que vimos não seja só fogo de palha e “The Middle” continue mestre na arte de entreter e nos fazer rir.

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