Sophie + Nate + Sterling= Mistério e diversão encerrando a mid season de Leverage.

Let’s Go Steal a Spoiler:

Seguindo a mesma estrutura dos episódios The Girls/The Boys Night Out, Leverage encerra sua mid season de forma dupla, mas não com um episódio que se segue ao outro. Assim como nos episódios citados acima, The Frame Up Job nos mostra o que acontecia com Sophie e Nate enquanto Eliot, Parker e Hardison estavam impedindo um ataque bioterrorista em Washington.

O grande desafio do episódio era fazer com que o caso de Nate e Sophie fosse tão interessante quanto o outro, mesmo não tendo as proporções quase épicas tomadas no episódio antecessor. Como a trama por si só já era mais fraca que a anterior (afinal, como um roubo de um quadro pode ser mais interessante que um ataque terrorista?), os roteiristas resolveram trazer alguns recursos para deixar a audiência interessada.

O primeiro deles foi um recurso muito utilizado em filmes e até mesmo séries, de começar o episódio no final para depois voltar no tempo até chegarmos novamente no início do episódio, que era o final, fazendo a estória ser cíclica. Embora batida, esse recurso é sempre muito interessante para manter o público interessado, se perguntando “tá, mas e como eles chegaram naquela situação?”.

O segundo ponto interessante do episódio foi a volta de James Sterling. Sempre que eu vejo Mark Sheppard em qualquer episódio que seja, sei que terá um aumento de qualidade natural. O personagem é ótimo, e até aqui o único que é capaz de fazer frente com Nate. Ele teve ótimos momentos no episódio e com certeza foi quem mais me arrancou risada. Todas as cenas que estão em destaque na minha cabeça tem a presença dele. Como agora ele descobriu novamente o paradeiro do team, em Portland, podemos contar com mais participações dele futuramente.

O recurso narrativo também serviu para manter a atenção do público na trama. Além do fator cíclico já citado anteriormente, foi super interessante as cenas de interrogatório da Sophie, com Nate visualizando os diálogos descritos. O recurso de fotografia utilizado, deixando toda a cena em preto e branco, apenas Nate colorido, foi muito interessante, tanto na execução quanto na ideia transmitida: O que está em preto e branco está no passado, já aconteceu, só Nate é quem está ali, no presente, por tanto, colorido.

Interessante também foi o roteiro trazer uma forma da festa ficar interessante para os dois: Arte para Sophie, roubo e assassinato para Nate resolver. Se na semana passada eu fiquei com a sensação de que estava vendo um filme de ação, neste parecia que estava vendo uma obra de Agatha Christie. Tudo o que faz os mistérios investigativos bons de acompanhar estava lá: O protagonista mais esperto que todo mundo; O antagonista tentando se provar melhor que o mocinho; Muitas reviravoltas; Mistérios…

Aliás, quantas reviravoltas hein! A única pena é que eu previ a maioria delas. Primeiro me lembro de ter pensado: “Já que estamos homenageando os clássicos investigativos, com certeza foi o mordomo!”, e quem eles prenderam primeiro? Depois pensei: “Não, está muito fácil, tem que ser alguém que entendesse de arte e estava ali o tempo todo: A curadora!”. Desconfiei desde o princípio que a morte da curadora tinha sido assassinato, e não morte acidental, como disse o Sterling. Também estava muito na cara que a morte do dono da coleção foi assassinato, e que o verdadeiro responsável era seu filho (sério que alguém não sacou tudo depois daquele diálogo na piscina, em que ele disse que estudou arte na França, mesmo país do autor dos quadros?).

Citei Agatha Christie mais acima, e se compararmos suas obras com o desenvolvimento do episódio, veremos que tem muitas semelhanças. Se vocês, assim como eu, também já leram umas dezenas de livros dela, sabe que as estórias seguem essa estrutura: O assassino é sempre alguém da casa, geralmente um parente próximo, que usa outras pessoas em seu plano mega evil, e tudo por causa de dinheiro.

Outro ponto do episódio que estava super batido era o quadro “Ma Mystère”, que desde o início eu tinha certeza que era a Sophie pintada. Pode ter sido uma surpresa para Nate, mas para o público com certeza não foi. A única coisa que prejudicou este episódio foi as suas obviedades. Tivemos todo o clima de mistério envolvente, que mesmo sabendo o que ia acontecer em seguida, nos dava a sensação de apreensão que é necessário para este tipo de estória. Leverage encerra bem sua primeira metade, tendo um balanço muito mais positivo que negativo, com episódios muito criativos, se ausentando apenas de uma trama central. Agora é esperar pela segunda metade, que infelizmente, só voltará no dia 27 de novembro. Espero que tenham gostado da cobertura até aqui, até lá.

Em tempo 1: No episódio anterior Vance oferece um emprego para Eliot, que recusa. Neste, Sterling oferece um emprego a Nate e até mesmo Sophie. A turma não precisa mesmo se preocupar com desemprego.

Em tempo 2: Eu curti aquele momento CSI improvisado para ver se a pintura era falsa ou não. O Nate é um dos caras mais espertos no mundo das séries atualmente.

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