Quem arrisca apagar as luzes, ficar em frente ao espelho e dizer uns piggy, piggys?

Spoilers Abaixo:

Primeira coisa: eu não. Segunda coisa: episódio foda! Não é lá muito sério ficar usando expressões de baixo calão para expressar reações, mas eu não conseguia pensar em nada melhor. Eu tinha quase certeza que a cagonidade de Ryan Murphy viria logo após o episódio duplo de Halloween, quando toda a mitologia parecia convergir para aquilo, mas indo contra essa expectativa pessimista, o episódio foi fantástico.

A ordem é não enrolar e agitar a mitologia o máximo possível. Realmente parece impossível que tentem continuar com o mesmo elenco depois do final da temporada, uma vez que tudo está sendo resolvido bem rápido. Chegamos ao meio da temporada e temos a justa medida do que precisava ser dito e do que ainda podemos vir a descobrir.

Engraçado notar que a cada semana concluímos coisas que estavam implícitas. Daí o episódio seguinte vem e já explica exatamente essa conclusão. E da maneira mais bacana possível.

Quem achava que essa semana já daria conta das questões sobre Tate? Afinal de contas, muito foi insinuado no episódio anterior e qualquer outra série passaria bons episódios pra frente achando que aquelas poucas menções já eram suficientes para manter o interesse, mas indo contra essa correnteza, começamos o episódio dessa semana com um teaser incrível que nos mostrou como aqueles adolescentes foram mortos pelo garoto. Um teaser tenso, real e absolutamente perfeito para a estrutura da série. Gosto cada vez mais das idas e voltas no tempo. Elas são tão bem ajustadas na dramaturgia que dá gosto de ver.

Assim, percebemos que competência textual salva qualquer personagem do ostracismo, e salvamos Violet. Primeiro episódio em que realmente me envolvi com ela, em que ela mesma se envolveu com a história. Primeiro episódio em que ela fez sentido. E um baita de um sentido. Me coloquei um segundo no lugar dela e percebi que sua trama é tão, mas tão terrível e cool que eu surtaria.

Aliás cool e a palavra de ordem. Tem coisa mais cool do que Viv comendo aquele cérebro? Do que as participações especiais mais do que especiais do Cam de Modern Family, da Harriet de Studio 60 e do Rob de Will & Grace? No caso dos dois primeiros então, as participações foram irresistível. A médium teve duas cenas, e eu fiquei hipnotizado nas duas. Addie manda o recado sobre o gramado da casa e nós agradecemos o momento. Já o paciente de Ben era perfeito. O medo das Lendas Urbanas foi um respiro de originalidade na série. E tudo intercalado com ótimas cenas de suspense que me assustaram pra valer, além de um desfecho debochado que mostra que os roteiristas da série não estão brincando, não.

De todas as qualidades de AHS a maior delas é a elogiável capacidade que eles tiveram de montar uma mitologia e consolidá-la em menos de seis episódios. Agora, eles só brincam com o que já estabeleceram. Vão nos provocando, nos manipulando, nos instigando, nos divertindo com uma boa história, cheia de boas referências e ótima condução.

A junção perturbadora e inusitada da realidade dos vivos com a dos mortos também é um ponto crucial do programa. Porque isso também é um fato sobre AHS: trata-se de conhecermos a fundição dessas realidades. Os vivos já estão dentro de uma realidade concebida como absolutista, mas há uma outra, a dos mortos, que possui suas leis, regras e concessões exatamente como a nossa. A dramaturgia do programa sobrepõe ambas e não só perante o público, mas perante os personagens. Constance é a que melhor exemplifica isso (se ela estiver viva mesmo, claro). Agora, também Violet representa essa perfeita coexistência dos mundos.

Sei que uma insanidade total nos espera no season finale, mas até agora a jornada tá sendo tão divertida que eu acho que o que vier vai ser lucro.

E Piggy, Piggy em frente ao espelho? Never!!!

@Haddefinir

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