Se o episódio dessa semana de “American Gods” tivesse sido apresentado no começo da série, seria um daqueles ótimos exemplos de como trabalhar múltiplas linhas temporais, mostrando diversos pontos de vistas dos personagens enquanto vai construindo o background do universo do show. O problema é que já somos muito mais que conhecidos de Shadow & cia e o background já foi não só construído, mas começa a se deteriorar perante a constante mudança por trás das câmeras. Logo a sensação de filler continua forte nessa reta inicial da temporada.
Não sei se foi uma escolha proposital, mas há um forte de tom de comédia nesse episódio, talvez pela construção das situações que sempre leva a um desfecho irônico. Mas fomos “agraciados” com três linhas narrativas distintas, cada qual com suas desventuras rumo ao (que espero eu) desenvolvimento real dessa season. Me pergunto quem achou que seria uma boa ideia mostrar a jornada de Laura pelo purgatório, quase como num remake em live-action de “Soul”, da Disney/Pixar. É o tipo de trama que poderia ser totalmente condensada em um excerto de poucos minutos ou talvez num episódio a parte, no pior dos cenários e não espalhado a granel durante a temporada, até que a verdadeira função do retorno (será que volta mesmo) dela seja revelada. Por hora focamos somente nos traumas infantis e na culpa internalizada criada por eles.

O segundo plot foi o de Odin se aproximando de Demeter, ainda em sua busca por recursos e soldados para a guerra a muito prometida. Aqui o senso de humor gritou mais alto que o resto das tramas, visto que há uma tensão amorosa entre os dois personagens, quase como nas comédias românticas da Nancy Meyers, mas sem a irreverência das mesmas. Valeu pelo pequeno comentário sobre como nos momentos de necessidade nos voltamos à religião (ou aos deuses), numa bela sequência inicial e também para dar um gostinho do que o arauto de Odin, interpretado por Marilyn Manson, está aprontando em nome do deus.

O terceiro é talvez onde a trama tenha andado foi o de Shadow em Lakeside. A consciência dos seus poderes, os sonhos proféticos e o clima misterioso da cidade prometem ser o motor que fará a season andar, além do retorno da crítica ao preconceito presente na temporada passada. O panteão africano deu as caras, mas ainda não foi possível identificar quais orixás são aquelas. A ligação cada vez mais forte dele com o plot de Bilquis (adorei ela tomando os papéis das grandes mulheres negras da história americana nas capas das revistas) também prometeu ser desenvolvida, além da, acredito eu, conversão de Technical Boy aos deuses antigos. Isso é uma conjuntura minha, mas acredito que tudo caminhe para isso.
Andamos, mas continuamos no mesmo lugar em “American Gods”. O tiro de largada precisa ser disparado logo ou talvez essa corrida se encerre antes mesmo de iniciar.
Pequeno Panteão
– Demeter (Interpretado por Blythe Danner)
Origem: grega
Deusa olimpiana da colheita e da agricultura. Também rege a natureza e as estações do ano, este último item relacionado ao rapto de Perséfone (sua filha) por Hades (seu irmão). Os períodos em que a filha passava junto dela as plantas nasciam e as colheitas prosperavam (primavera e verão), quando ia para o submundo junto ao seu marido, sua tristeza deixava a terra inóspita e infértil (inverno). Sua contraparte romana é a deusa Ceres e seu símbolos são o trigo e a foice.
Anotações de Ibis 1: Suspeito que o sumiço da garota da loja tenha o mesmo motivo do sumiço do filho da repórter. E que ambos estão ligados com algum mistério que ronda a aparentemente pacata cidade.















