Olha… É difícil encontrar palavras para começar a falar de “The Rescue”, um episódio tão épico, importante, sem precedentes e talvez… Pioneiro?!
O muito antecipado Capítulo 16 já começa com o pé na porta, com uma rápida, porém divertida luta entre Boba Fett e Kosha Reeves, que conta com interações muito interessantes. Tanto Bo-Katan quando Kosha não “vão com a cara” de Fett e o desprezam ao dizer que não é Mandaloriano. Bo-Katan inclusive chama o pai de Fett de “doador”, pois o Caçador de Recompensas é na verdade um clone de Jango Fett, assim como os outros milhões de Clones fabricados pela República. Mas o que é realmente interessante aqui, é que talvez esse estranhamento seja porque a Mandaloriana sabe que Jango já foi o Líder de Mandalore! Isso não é completamente Canônico, mas existe uma série de HQ’s que mostra Jango como o Líder do Planeta. Nós sabemos que Dave Filoni e Jon Favreau adoram transformar “Legends” em “Canon”, então é possível que esse acontecimento se torne oficial, o que seria algo bem legal para os fãs das Prequels e do próprio Jango Fett.
Porém, apesar do desentendimento, Bo-Katan aceita ajudar Mando, já que ele tem a localização de Moff Gideon, ou melhor, do Sabre Negro, tanto procurado pela Mandaloriana. E depois de um sequestro e uma perseguição “Fake” muito legal, a equipe finalmente se infiltra no Cruzador Imperial. Quando assisti ao capítulo pela primeira vez, pensei que Moff Gideon foi meio idiota de não ter notado que aquilo era um plano, e também achei estranho a importância que deu para apenas uma nave. Porém, isso tudo faz sentido pois Gideon sabia que aquela era a nave de Pershing, que é extremamente importante, devido ao seu conhecimento e experiência como um Clonador. Temos então uma ótima sequência com Cara Dune, Fennec Shand e as Corujas Noturnas, que não dão chance para os Stormtroopers, cada uma com seu estilo de combate específico. A dinâmica das 4 é muito boa e seria interessante se fosse revisitada em algum momento.
A cena de luta entre Mando e o Dark Trooper é muito bem dirigida e mostra como esses Dróides são extremamente perigosos. Mando só sobrevive por causa de sua armadura de Beskar, que o protege dos fortes ataques do inimigo, visto que até medo a parede atrás do capacete de Mando é completamente amassada pelos Dróides. Os outros Dark Troopers são então ejetados ao espaço… Por enquanto. Mando vai a procura de Grogu e acaba encontrando a criança refém de Moff Gideon! Desesperado para reaver Grogu, o Mandaloriano faz um trato com Gideon, o que não passava de um balão. Até mesmo a trilha sonora, que é um dos melhores e mais importantes aspectos do episódio, fica mais leve, dando a entender que Moff Gideon vai mesmo escapar, mas tudo aquilo não passa de uma tentativa do Imperial de pegar Mando com a guarda baixa, pois sabe que esta é sua única chance de vencer, visto que o Mandaloriano é um guerreiro mais capaz. E então, temos finalmente a luta entre os dois, que foi sendo construída e antecipada durante toda a temporada, e ela não poderia ter sido mais empolgante! É rápida, porém o combate entre o Mandaloriano e sua Lâmina de Beskar contra o Moff Imperial e seu lendário Sabre Negro não poderia ser mais incrível!

Após este embate impactante, Mando leva Moff Gideon refém ao convés da nave, e aqui temos algo muito interessante. O plano original era que Bo-Katan lutasse contra Gideon e o vencesse, para que assim pudesse reaver o Sabre Negro, e consequentemente, a liderança de Mandalore. Porém, quem acabou lutando, e vencendo, foi Mando, que agora se tornou o governante por direito do planeta! Veja bem, o Sabre Negro é um símbolo de poder, que só pode ser conquistado quando alguém vence o detentor da arma em combate (ou o mata), ele não pode ser simplesmente entregue a alguém. Só que o estranho aqui, é que em “Star Wars: Rebels”, série canônica e criada por Dave Filoni, a Mandaloriana Sabine Wren conquista o Sabre após derrotar Gar Saxon, e simplesmente o entrega a Bo-Katan, sem nenhum embate entre as duas. Ou seja, se isto não for revisitado, ou houver um “retcon”, esta inconsistência será um furo de roteiro bem estranho para o Universo de Star Wars. Mas deixando esta inconsistência de lado, a possibilidade que é criada é sensacional! Será que teremos Mando como Líder de Mandalore na próxima temporada? Ou será que Bo-Katan o desafiará em combate? De qualquer forma, o potencial para o próximo arco de Mando é muito grande! A trilha sonora volta a ser um dos melhores elementos do capítulo quando dá a entender que Bo-Katan vai atacar Mando ali mesmo. Pelo menos, esta foi a impressão que a música me passou, o que felizmente não acontece.
Mas tudo isso é interrompido quando todo o pelotão de Dark Troopers volta a nave e começa a quebrar a porta do convés, porém, quando o combate parecia a única solução, uma única X-Wing chega ao Cruzador, fazendo a expressão de deboche e prepotência de Moff Gideon mudar instantaneamente para medo. Meu sentimento, e eu acredito que de muitos também, foi de extrema euforia e ao mesmo tempo, descrença do que aquilo poderia significar. Nós sabemos quem aquela pessoa que vem chegando é, mas a ideia ainda parece absurda de mais, até que a figura encapuzada liga seu sabre de luz verde, e aniquila completamente todos os que aparecem em seu caminho com extrema facilidade. A cena, embalada de uma música épica e uma direção extremamente certeira, torna toda esta sequência um dos momentos mais apoteóticos e memoráveis de toda a franquia “Star Wars”! A “luta” no corredor é uma clara referência a famosa cena de Darth Vader em “Rogue One” e a maneira como o Jedi aparece saindo da fumaça com seu sabre de luz incandescente, é uma rima visual belíssima da mesma cena. O capuz é retirado, e nós vemos pela primeira vez em Live-action, desde o ano de 1983, um jovem Luke Skywalker! O desespero de Gideon é tanto, que ele tenta matar Grogu, que tinha como extremamente valioso, pois não pode correr o risco de que a criança caia nas mãos de um Jedi, e também tenta se matar! Esta é reação de um homem muito poderoso e imponente ao testemunhar a chegada da Lenda responsável por acabar com a soberania do Império!
Eu entendo aqueles que dizem que a série tinha algo de especial ao não se ligar com os Jedi e os Skywalker, realmente entendo, mas já estava claro há um bom tempo que o objetivo de Jon Favreau e Dave Filoni com “The Mandalorian” é contar uma história que se sustenta sozinha, mas também se conecta e faz ponte com o resto da franquia, coisa que Filoni já fez anteriormente 3 vezes, com as amadas “Clone Wars” e “Rebels” e com a renegada “Resistance”. Então, simplesmente não consigo compartilhar da mesma opinião. Ver Mark Hamill novamente como Luke Skywalker (Sim! O próprio Mark Hamill interpretou o personagem) do mesmo jeito que o acompanhei inúmeras vezes na Trilogia Clássica, é algo absurdamente nostálgico e emocionante. “Ah, mas foi muito Fan-Service!”. Me diz, em que momento “The Mandalorian” negou ser Fan-Service? A história de um caçador de recompensas protegendo uma criança poderia ser situada em qualquer período de tempo dentro do Universo de Star Wars, mas a série foi feita para se passar em uma época muito próxima da Trilogia Clássica. Sempre foi Fan-Service, só você não viu. Mas aí eu te pergunto, qual o problema de um Fan-Service bem feito? Um Fan-Service que foi preparado perfeitamente no Capítulo 16 e que faz muito sentido visto que o próximo passo de Luke é abrir sua escola de Treinamentos, como visto em “Os Últimos Jedi”? Para mim, nenhum. Não consigo pôr defeito em algo tão bem feito e que acabou acarretando em um turbilhão de emoções do tipo que poucas vezes senti em minha vida. A arte não é para isso? Não é para fazer sentir? Chorar, se arrepiar, soluçar, sorrir? Junta isso tudo, e a aparição de Luke não só faz muito sentido, como ela era inevitável.

Falando agora um pouco dos aspectos técnicos, admito que fiquei preocupado ao descobrir que Payton Reed havia dirigido o episódio final, pois ele também foi o responsável pelo 2° episódio (aquele com a Dona Sapo), que para mim, foi o ponto mais baixo da temporada, mas nenhum dos problemas do capítulo 10 se repetem aqui. Sem piadas bobas e sem plot desinteressante (o que já não era sua culpa), o Diretor traz para o final de temporada as suas qualidades. A fotografia do episódio é linda, assim como anteriormente, e traz um real ar de cinema, o que acho que faltou, por exemplo, no capítulo 14. A direção de Reed, muito afiada, também casa perfeitamente com as belíssimas músicas compostas pelo talentosíssimo Ludwig Göransson. Em sumo, como é bom estar errado! Sobre a aparência de Luke, há sim um estranhamento, não dá para negar isso, mas não é nada horrível como já vi alguns dizerem. Dá pra ver que é CGI? Dá, mas ainda sim é um ótimo CGI, que não tira o peso da aparição do personagem. Eu era um daqueles que imaginava uma aparição de Sebastian Stan como Luke, mas já não sei mais se prefiro outro ator o interpretando, visto que o resultado ficou bem satisfatório. Isso me faz pensar em “Solo”, que teve o ator Alden Ehrenreich interpretando o personagem de Harrison Ford. Apesar de Ehrenreich ter feito um bom trabalho, a sensação ao ver o filme não é de ver o real Han Solo, o que para mim aconteceu em “The Mandalorian”. Tava 100% perfeito? Não. Mas aquele era o real Luke Skywalker, e isso é palatável e significa muito mais que qualquer efeito visual.
Voltando a falar da história em si, Luke diz que é hora de Grogu ir, mas a criança precisa de aprovação do Mandaloriano. Não satisfeita em entregar uma das sequências mais épicas da marca, a série também entrega um dos momentos mais emocionantes de toda a franquia. Antes de deixar Grogu ir, Din tira seu capacete para olhar, pelo menos uma vez com seus próprios olhos, para a criança por quem ele arriscou sua vida, mudou suas crenças, colocou como prioridade acima de tudo e no fim, amou. Pedro Pascal é um ator fantástico e entrega um Din Djarrin completamente desolado. O toque de Baby Yoda no rosto de Mando é de muita delicadeza e diz tudo o que a criança não consegue falar. Mas devo admitir que o meu momento favorito do capítulo foi quando Luke Skywalker pega Baby Yoda, aquela criatura tão parecida com o seu falecido mestre em seus braços. Aquilo ali é pura provocação! R2-D2, o dróide mais amado da história também aparece e tem uma dinâmica muito fofa e engraçadinha com Grogu. Será que eles se conheceram ali ou já se conheciam? É bem possível que eles tenham se esbarrado no Templo Jedi de Coruscant…

No fim, “The Rescue” é um episódio recompensador em todos os aspectos possíveis, e entrega um desfecho inacreditável e épico, que trouxe para o Fandom de “Star Wars” algo que há tempos não existia: União. A série continua a crescer e prova de uma vez por todas que tem sim muita importância dentro da franquia. O final também deixa diversas perguntas abertas para a próxima temporada, que só chega em Dezembro de 2021. Se este capítulo fosse o Series Finale da história de Mando e Grogu (como muitos vêm teorizando), ele seria um excelente encerramento, mas vejo o final do episódio como um claro gancho para os próximos passos de Mando como possível Líder de Mandalore e Grogu como Padawan de Luke Skywalker. Se me perguntassem uma semana atrás se eu achava possível uma série, um filme ou até mesmo uma terceira temporada mostrando o treinamento de Grogu ao lado de Luke, eu responderia veementemente com um “Não”, mas dado o barulho na mídia, a recepção extremamente calorosa dos fãs e o amor incondicional de Mark Hamill para com a franquia, hoje eu diria que isto não só é possível, como é extremamente provável! A história da criança não ficará pela metade, podem ter certeza. O impossível aconteceu, e quando algo acontece pela primeira vez, ele abre as portas para que aquilo continue. O futuro de Star Wars nunca foi tão cheio de possibilidades, e não tem mais nada que um fã poderia pedir. A cena pós-créditos reafirma isso ao confirmar “The Book of Boba Fett”, que deve mostrar Fennec Shand ao lado do Caçador de Recompensas como o líder do Submundo do crime. Assim como o item anterior, se a história será contada em uma série própria ou na terceira temporada, não tem como saber, mas o potencial é infinito.
Foi uma honra cobrir a segunda temporada inteira de “The Mandalorian” aqui no SM com vocês. Até o ano que vem, e que a força esteja com vocês!















