Após um bombástico Season Premiere, “The Mandalorian” volta com um episódio bem mais morno e ainda mais contido que o anterior.

Se você é como eu, que estava animado com a possibilidade de finalmente ver Sabine Wren pela primeira vez em Live-action, esse episódio não poderia ser mais frustrante. Para quem não entendeu, calma que eu explico. Lembra daquela cena do trailer em que vemos uma mulher encapuzada de olho em algo? Então, a teoria mais popular entre os fãs é a de que aquela seria Sabine Wren, uma queridinha dos fãs da animação “Star Wars: Rebels”, que pode ser apresentada nesta temporada de “The Mandalorian”, e pelo título do capítulo 9, muitos imaginavam que neste episódio, Din Djarin de alguma forma escoltaria a Mandaloriana, que seria a tal passageira. Mas se essa teoria estiver mesmo correta, a comprovação vai ficar para depois, porque este episódio não poderia ser mais diferente do que se era esperado (positiva e negativamente).

Começando do começo, o breve conflito entre o Mandaloriano e os outros caçadores de Recompensa tem um tom de comédia e até mesmo de inocência bem pessoal do diretor do episódio (do qual falarei em instantes). Minha primeira impressão vendo aquele gesto de “fazer o que?” do protagonista para Baby Yoda, foi a de que este poderia ser um episódio bem mais leve e até infantil, até mesmo por conta de ser dirigido por Payton Reed! Figurinha já carimbada da Disney, Reed é conhecido por seus filmes mais “Sessão da Tarde”, como por exemplo, os dois “Homem Formiga” da Marvel, que tem uma leveza bem familiar. Mas engana-se quem pensa que o episódio seria todo assim. Aliás, falando em Formiga, o que dizer daquela divertida referência super sútil na cafeteria?

Assim como no capítulo anterior, a missão aqui é clara, escoltar uma grávida para um planeta, para que seus ovos possam ser fecundados, mas as coisas complicam quando nosso herói entra em um conflito com oficiais da Nova República. A cena de tensão em que Mando tenta “passar um balão” na blitz espacial é bem legal e por um momento a gente realmente pensa que vai dar tudo certo, mas qual seria a diversão se ele saísse impune, não é? A cena de perseguição também é bem divertida, na verdade, ver X-Wings daquele período em uma perseguição é sempre bem-vindo, ainda mais quando temos uma participação especial de Dave Filoni, um dos maiores “entendedores” de Star Wars da atualidade, que também é produtor da série e criador de “Clone Wars” e “Rebels”.

A perseguição acaba com os três tripulantes presos em uma caverna congelante, e é aqui que minhas críticas começam: o timing que o diretor teve com Baby Yoda me incomodou, afinal, o personagem sempre protagonizou momentos fofos e engraçadinhos, mas neste episódio, a constante piada com a tentativa da criança em comer os ovos passou do ponto, assim como o Mandaloriano, senti cansaço quando mais uma vez, a criança tentava pegar e comer os ovos, de novo, e de novo e de novo. Essa piada recorrente, com um timing inconsistente, me tirou um pouco do episódio. Mas isso é apenas um detalhe, pois creio que o maior ponto negativo aqui, é que a missão é desinteressante. A escolta de uma grávida não é algo muito empolgante, e a própria personagem só cansa o espectador quando fica repetindo incansavelmente aquele idioma incompreensível.

O primeiro momento na caverna é assim, desinteressante, mas pelo menos a fotografia com tons frios é bem bonita. O episódio acaba engatando mesmo só no final, quando aquelas Aranhas de gelo eclodem e começam a caçar nossos tripulantes. Essas criaturas, inclusive, já são conhecidas pelos fãs mais ávidos da franquia. Elas são chamadas de Krykna, e foram criadas pelo artista Ralph McQuarrie no final dos anos 1970 para aparecer em “O Império Contra-Ataca”, mais especificamente, em Dagobah, o planeta em que Luke Skywalker é treinado por Yoda, mas a ideia foi descartada e a raça só foi fazer sua estreia em “Rebels”.

Arte Conceitual ilustrada por Ralph McQuarrie de uma Krykna em “O Império Contra-Ataca”.

O final é definitivamente o ponto mais alto do episódio. Bem dirigido, a sequência de ação traz para Star Wars algo nunca visto, um clima de terror remetente aos anos 80 e 90, que lembra muito, por exemplo, os filmes da franquia Alien, que conta com diversas cenas similares, onde intrusos invadem uma nave espacial, com direito a gosmas e tudo mais. A referência é mais do que bem-vinda e o resultado final é consistente. O CGI também continua sem defeitos e no fim, o maior inimigo deste episódio é o “hype”. O episódio anterior deixou o nível de excelência lá em cima, e também era esperado algum desenvolvimento do plot envolvendo o retorno de Boba Fett, mas isso não acontece nem por um momento. Em sumo, o 10° capítulo não é de todo mal, mas o gosto que ele deixa na boca é de “é só isso”? Esta é só mais uma aventura contida da nossa dupla espacial favorita, mas não é a melhor delas.

“The Passenger” é um episódio, que apesar dos seus pontos positivos, definitivamente não será lembrado como um dos mais memoráveis de The Mandaloriam.

REVISÃO GERAL
Nota:
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