Alphas continua linear em sua evolução, mas essa semana estremeceu as bordas de sua zona de conforto.

Spoilers Abaixo:

As três séries do canal SyFy que eu me comprometi a assistir na época do meu ingresso aqui no blog, eram Haven, Warehouse 13 e Alphas. Todas tinham uma coisa em comum, além do canal, e que era também, em primeira instância, a mais complicada característica: Todas tinham uma espécie de ingenuidade que atrapalhava a credibilidade das histórias. Havia muita ação, mortes e extremos, mas tudo soava um pouco limpo demais. Como naqueles filmes da Disney como Crônicas de Nárnia, em que você sabe que tem gente morrendo, mas não se atinge por isso, afinal de contas tudo vai ficar bem.  Como Haven e Warehouse 13 tinham mais episódios, deu pra ter essa noção exata. Já com Alphas, essa pré-disposição dramatúrgica ainda dependeria do andar da estréia.

Três episódios mais tarde, pode ser que a “maldição do SyFy” esteja próxima de ser vencida. Claro que aquela aura de final feliz ainda ronda a série, mas ao menos a ousadia pareceu flertar com o episódio nessa semana.

Outro ótimo teaser anunciou o Alpha da semana. Desnecessariamente brincando com aquele joguinho de “tá pensando que é esse, mas não é”, ficamos conhecendo o nervosinho Matthew, que com uma sacudidinha nos suores das mãos, manda feromônios nas alturas e põe todo mundo doido. Semana passada eu disse que o poder do Alpha era original e algumas pessoas nos comentários me apontaram o contrário, afirmando que coisa parecida se viu em Fringe. Essa semana eu mesmo posso dizer que lançadores de feromônios também não são novidade pra mim, mas mesmo assim, até então, eu nunca tinha visto os feromônios agirem tão violentamente.

Deixando um pouco a mitologia de lado – depois de um segundo episódio muito focado nela – a questão aqui era o Alpha da semana e os efeitos dele no grupo do Doutor Rosen. Foi bom ver um pouco mais da vida de Rachel, das angústias de Hicks e perceber que até agora Bill funciona apenas como uma montanha de músculos. De certa forma, a interação entre os pupilos de Rosen é interessante por conta de toda a insegurança que ronda aquela base de operações. E nesse episódio, essa insegurança – provocada pela sensação constante de que eles próprios só não vão para a tal instituição porque são os carrascos de outros Alphas – foi elevada ao extremo com a morte do Agente Wilson.

Que a cena dos feromônios botando pra quebrar nos escritórios do doutor Rosen foi boa, não há dúvida, mas a morte do Agente Wilson daquela maneira chegou a ser assustadora. Eu não espero que Alphas vá se tornar uma espécie de 24 horas, em que qualquer um pode morrer a qualquer momento – embora essa noção de mortalidade seja boa – mas ser surpreendido por isso foi bem bacana. É muito mais provável que o ator que faz Wilson tenha pedido demissão do que a ação ter sido proposital, como uma reviravolta pensada e decidida pelo bem da credibilidade da série. Vamos ver…

De fato, Alphas ganhou pontos no quesito ousadia – Wilson poderia ter sido transferido ou desaparecido, para garantir participações futuras, mas preferiram mata-lo, e violentamente – e o ritmo dos episódios ainda me agrada muito. As habilidades de Hicks precisam ficar mais claras, para que não acabem sendo utilizadas para qualquer coisa, mas fora isso eu continuo satisfeito.

Alphas não é nenhuma grande série, mas não tá fazendo feio, não.

Sequencia Alpha: Alphas Ultimate Fight. Porradaria da boa entre a turma do Doutor Rosen.

O Alpha do Dia: O Agente Wilson, que morreu com cadeiradas nas fuças.

Alpha Também é Gente: Nina com crise de consciência porque também obriga as pessoas a fazerem coisas contra vontade e Gary fazendo observações filosóficas sobre a morte.

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