Junto com Campo do Medo, Eli parece ser mais uma tentativa da Netflix para chamar atenção daqueles que estão com vontade de aproveitar o mês de outubro para assistir um filminho que dê calafrios. Investir em lançamentos de terror na época do dia das bruxas é uma estratégia mais do que certa e com certeza vai chamar atenção de muitos assinantes, que querem entrar no espírito que só essa data proporciona.
O problema é quando o filme só consegue chamar a atenção e não muito mais do que isso. De certa forma, o diretor Ciarán Foy cai nos mesmos problemas que Vincenzo Natali mostrou em Campo do Medo. Ambos os diretores tinham premissas interessantes em mãos e ambos falharam em explorar o máximo delas, talvez por causa dos poucos recursos disponíveis. A falta de orçamento é algo gritante em alguns momentos bem visíveis.
Embora o caso de Foy seja mais interessante pelo modo que vai se desenvolvendo. O roteiro de David Chirchirill, Ian Goldberg e Richard Naing nos mostra uma família que quer mais do que tudo salvar seu pequeno Eli. Um garoto com uma rara doença que o impedi de ter qualquer contato com o mundo de fora. Com medo do tipo de vida que ele terá, seus pais decidem levá-lo para o tratamento da Dr. Isabella Horn, a única pessoa que parece poder ajudá-lo.
Horn representa a última esperança de Eli, e sua casa permite que ele possa tocar seus pais sem medo de uma possível alergia, mas à medida que o garoto avança no tratamento ele começa a experimentar eventos paranormais, como se estivesse mais próximo do mundo dos mortos.
O primeiro ato do longa é bem parado e já aviso que isso não muda muito à medida que somos levados para o segundo, mesmo com os sustos e criaturas que surgem para atormentar o pequeno Eli. O ritmo continua lento e pouco envolvente, com Foy confiando muito nas habilidades do estreante Charlie Shotwell, que dá vida ao personagem título da história, para tentar manter o interesse do espectador. Não conheço muito da história de Shotwell, mas gostaria muito de ver o garoto com um roteiro melhor em mãos e uma outra equipe por trás. O garoto tem talento, infelizmente você não consegue se sentir impactado por ele pelas decisões equivocadas de Foy nos dois primeiros atos.
É então que o terceiro ato começa e algo interessante acontece. O filme começa a ficar bom. Diferente dos momentos finais de Campo do Medo, que é apenas um interesse passageiro, a vontade de saber o que vai acontecer mostra como Foy conseguiu se encontrar no meio do caminho e finalmente podemos ver a história que ele queria nos dar. Fico imaginando como o filme seria se essa fosse a história que ele tivesse nos dado desde o começo.
> PORQUE BREAKING BAD É UMA DAS MELHORES SÉRIES JÁ FEITAS!
A verdade, é que Eli possuí um protagonista solido, mas um diretor que se encontrou apenas nos momentos finais. Parte de mim acredita que Foy talvez pensasse que esconder a verdadeira história de seu filme fosse a ideia mais certa para surpreender sua audiência. De fato, outros diretores já se utilizaram dessa estratégia e conseguiram entregar ótimos trabalhos. Infelizmente, Foy não é um deles. Sua possível ideia fez com que Eli acabasse tendo bastante cara de um filme que não merece ser lançado nos cinemas. A Netflix é o melhor lugar para ele.
Quer me conhecer melhor? Siga @fegulyas no insta














