Campo do Medo possuí uma premissa mais do que interessante: dois irmãos ouvindo um pedido de ajuda vindo de um extenso matagal. É só uma criancinha que ficou presa. Quem não pararia para ajudar?

Eles só não podiam imaginar que uma vez que entrassem naquele mundo verde nunca mais poderiam sair. Á medida que o passado, presente e futuro se misturam, o horror está pronto para segui-los quanto mais seus demônios internos aparecem. Algo que o próprio matagal parece ter prazer em expor.

Quando o filme começou, eu estava esperando algo que mexesse comigo, do mesmo jeito que Jogo Perigoso e 1922 fizeram. A Netflix havia feito um trabalho mais do impecável com essas duas histórias de King, mas infelizmente olhar de Vincenzo Natali acabou se mostrando muito superficial. Os personagens não são aprofundados da maneira que precisam, mesmo com o esforço dos atores em mostrar que existe algo amais neles. Existe muito potencial em Campo do Medo. Algo clássico das histórias de King, que adora colocar pessoas comuns em situações extraordinárias e trazer o pior deles à tona. O problema é que aqui até mesmo os típicos momentos feitos propositalmente para dar um susto no telespectador, acabam passando batido pela narrativa pouco inspirada que nos é apresentada.

Parte de mim acredita que para uma história que mexe com viagem no tempo não ficar muito confusa, é preciso uma mão firme do diretor, que sabe exatamente onde quer levar sua plateia ao longo da narrativa. Talvez tenha sido o baixo orçamento que prejudicou Natali e sua equipe de produção. Nem todos são como James Wan, o diretor de Aquaman já havia se provado muito antes de entrar no mundo da DC Comics, criando franquias como Jogos Mortais, Invocação do Mal e Sobrenatural com baixíssimos orçamentos. Wan nunca precisou de muito para deixar os curiosos com vontade de ver suas histórias. Um dos vários motivos dele ter crescido muito em Hollywood.

No entanto, mesmo sofrendo de problemas que deixarão muitos fuçando o celular durante o filme, existem momentos bem interessantes em Campo do Medo. Na verdade, a história começa a pegar folego mais para o final, próximo do terceiro ato. Não é algo que salve o trabalho de Natali, mas me faz pensar que seu roteiro podia ser muito mais aproveitado nas mãos de um diretor diferente.

Talvez nem precisemos ir tão longe assim. Às vezes só o que uma obra precisa para ficar pronta para ser apresentada para o mundo é de um último olhar externo. Um diretor ou roteirista de fora, só para analisar o que dá certo e o que precisa mudar no corte final.

No final das contas, Campo do Medo é mais um filme de terror com poucos momentos que vão te deixar presos. O gostinho de potencial vai vir junto com um gosto amargo, porque os minutos não vão passar tão rápidos assim, mesmo quando as revelações finalmente surgem junto de um CGI fraco.

Esse é filme que não conseguiu aproveitar todo o potencial que uma história de Stephen King entrega aos seus leitores. Talvez esse seja o melhor modo de classificar a mais nova adaptação do Mestre do Terror para a Netflix.

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REVISÃO GERAL
Nota:
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