Conheça um pouco mais sobre a próxima novela das 19 horas através da ação de imersão promovida pela Globo para divulgar a trama.
Já faz algum tempo que o horário das 19 horas, na Rede Globo, virou um terreno de novas experiências dramatúrgicas. Várias delas flertaram diretamente com as séries de TV, como no mundo musical de Rockstory ou no mundo medieval de Deus Salve o Rei. O último título do horário foi O Tempo Não Para, uma história com uma viagem no tempo invertida, em que personagens do passado se deparam com o presente. Agora, hoje mesmo, dia 29 de Janeiro, uma nova viagem no tempo se inicia com Verão 90, uma constatação de que as histórias de época agora incorporam décadas que ainda estão bem próximas de nós. A nova novela das 19 horas vai reacender a atmosfera exagerada e transgressora da década de 90.
Verão 90 contará a história da Patotinha Mágica, um grupo infantil formado por dois meninos e uma menina, que nos anos 80 foi um grande fenômeno nacional. Os dois meninos do grupo são irmãos, criados pela personagem de Dira Paes, uma mulher forte e sensata, que assiste a diferença de temperamento dos filhos crescendo inevitavelmente. A menina do grupo é filha da personagem de Claudia Raia, uma mulher com o desejo pela fama nas veias, perdida nas fantasias do talento absoluto da filha. O trio é uma liberdade poética apoiada num fenômeno real dos anos 80, o clássico Trem da Alegria.
https://youtu.be/JW4F5BodmgI
Assim como o tempo passou para os integrantes do Trem, o tempo passa para os pequenos da Patotinha Mágica; e para alguns deles esse tempo não passa muito bem. Os irmãos João (Rafael Viti) e Jerônimo tiveram a própria relação afetada pelo ressentimento. João conseguiu manter uma razoável evidência através do programa musical que apresenta e que nos remeterá aos anos de ouro da MTV. Jerônimo, contudo, caiu no esquecimento total. Do outro lado, Manuzita (Isabelle Drummond) foi tão esquecida quanto, mas junto com a mãe, luta de todas as formas para emplacar uma carreira de atriz. É o reencontro dela com os dois irmãos (que a disputarão) que dá o start para os eventos da novela.

Para o lançamento da novela a produção preparou uma ação de imersão em vários dos símbolos diretos e indiretos da década e de como o Rio de Janeiro se relacionava com ela. Assim, o encontro com os jornalistas não foi marcado nos estúdios, como de costume, mas na frente da praia do Arpoador, onde um ônibus preparado para a divulgação esperava para nos levar até o Projac. Antes disso, pudemos assistir a uma faixa com a divulgação da novela passando pelo céu da orla, num céu claro e num dia bem quente, do jeito que a cidade e a juventude representada na novela se conectam. Dentro do ônibus, um kit de boas-vindas incluía itens sensacionais, ligados de verdade àquela época e que vocês podem ver no vídeo logo abaixo.
Durante todo o trajeto até o Projac, um quizz foi realizado dentro do ônibus e os jornalistas puderam ganhar brindes a cada acerto. Os brindes eram também clássicos das épocas dos anos 80 e 90, como pega-varetas, resta um, petecas, molas-malucas e mais um monte de itens que levariam qualquer remanescente daquele período ao mais puro sentimento de nostalgia. De fato, nas declarações que deram a respeito da novela, as autoras Izabel de Oliveira e Paula Amaral foram específicas sobre como essa não é só uma história com personagens num cenário datado, mas sim uma história sobre uma energia essencial que era quase sinestésica naqueles anos. Tanto no evento quanto na trama a intenção seria retratar a força cultural e social de um tempo.

Evento e ação com Jornalistas

Evento e ação com Jornalistas
Os jornalistas foram recebidos por Priscila, da TV Colosso, um dos grandes símbolos da década de noventa. Quando o programa Xou da Xuxa terminou, nos primeiros anos da década em questão, uma TV imaginária, comandada por cães, foi encarregada de ocupar o grande vazio do horário. Dentro do ônibus, antes de chegarmos ao destino, os jornalistas comentavam que havia duas grandes possibilidades para essa recepção: Priscila ou Fada Bela, a personagem icônica vivida por Angélica na novela Caça-Talentos, que foi o que ocupou o horário depois que a TV Colosso foi ao ar pela última vez. Então, recepcionados por Priscila, conhecemos o cenário da boate que permeará alguns importantes acontecimentos da história.
Elenco, direção e equipe apresentavam para o público presente alguns aspectos muito interessantes do que será a novela. A personagem de Fabiana Karla, por exemplo, será uma vidente que fará previsões de um futuro que nós já conhecemos. Já Humberto Martins fará um ex-ator de pornochanchadas que faz questão de não ser lembrado por isso. As novelas da época também serão muito bem representadas por conta da presença de Jorge Fernando na direção. Foi ele quem dirigiu vários dos grandes títulos de Sílvio de Abreu, um autor que remete muito ao espírito folhetinesco da época. Verão 90 será uma novela que vai usar a cultura pop como norteador principal de seu conceito, o que é um caminho dos mais promissores.
Acima está o vídeo do maravilhoso flashmob que TODO o elenco preparou para apresentar aos presentes, com trilha adequadíssima e uma energia que realmente impressionou os convidados. Embora a Globo esteja investindo lindamente em tornar esse tipo de evento menos engessado, os atores muitas vezes ainda se colocam numa posição de intocabilidade. Ainda é assim, mas iniciativas como a desse flashmob realmente fazem toda a diferença para quem estava lá para presencia-lo. Foi divertido, empolgante, contagiante e me arrisco a dizer, até comovente.
Enfim, antes que a coisa toda terminasse, gravei dois vídeos, um com Rafael Viti e outro com Claudia Raia, convidando vocês para não perderem a estreia de Verão 90, hoje à noite. Se a direção transbordante, a música, as referências e o humor puderem trabalhar juntos para respeitarem a essência para qual a novela foi criada, esse pode ser o título que afaste do horário das 19 essa sensação de “ideia perdida”, onde grandes premissas esvaziam-se conforme os capítulos são exibidos, deixando no ar uma frustração típica de quem tinha tudo o potencial nas mãos e viu-o escapar como água entre os dedos. Estamos todos querendo que Verão 90 seja um sucesso e sendo ou não, nos veremos aqui para mais textos a respeito. Enquanto tantos títulos buscam reviver a vibe dos anos 80 (unicamente), será muito excitante acompanhar o que a nossa dramaturgia tem a nos oferecer sobre os cálidos, exuberantes e nada “caretas” anos 90.
mas de um modo efetivo. Verão 90, trama escrita por Izabel de Oliveira e Paula Amaral, vai situar sua história, personagens, símbolos e características na década em que tudo na arte estava se transformando.
Rio 90 Graus
A arte é um ponto importante a ser considerado porque boa parte dos elementos de Verão 90 serão dispostos em torno dela. A história gira em torno de um trio musical infantil que foi um fenômeno cultural ainda na década de 80. A referência é clara: o Trem da Alegria da realidade virou a Patotinha Mágica da ficção. Os três (dois meninos e uma menina) fizeram muito sucesso, mas o tempo avança até os anos 90 e todo esse sucesso ficou para trás. Rafael Viti e Jesuíta Barbosa fazem os meninos do grupo, que também são irmãos e apaixonados pela menina, Isabelle Drummond, que era parte do grupo. João, personagem de Rafael, conseguiu manter um pouco da própria evidência através de um programa musical nos moldes da MTV. Já Jerônimo, personagem de Jesuíta, caiu no esquecimento e se ressente da separação e do anonimato. Manuzita, a menina, nunca teve talento, mas sua mãe delusional vivida por Claudia Raia, a convence a continuar tentando a fama.
Essa base dramatúrgica é completamente folhetinesca, mas é apenas uma forma de começar o investimento da metalinguagem que permeará a novela. Por ter personagens perseguindo a fama, envolvidos com música, as periferias da história vão investir pesado em tudo que era vigente naquela época. Jorge Fernando, o diretor, já é um símbolo teledramaturgico desse período. A novela vai ter ares de Rainha da Sucata, vai brincar de Caçadores de Emoção, vai ter uma Brasília amarela, um canal de música cheio de videoclipes, citações, referências, atores de pornochanchada e até uma vidente (vivida por Fabíola Nascimento) que vai fazer previsões de um futuro que a gente já conhece.
No próprio evento de lançamento da novela, tudo foi preparado para transportar os presentes para aquela época. Um ônibus decorado pegou os jornalistas no Arpoador e até o trajeto aos Estúdios Globo, todos tinham que responder a um quizz sobre a década de 90, ganhando brindes que tinham a ver com o mesmo período. Nos estúdios os jornalistas foram recepcionados pela Priscilla, da TV Colosso; e também puderam conhecer o set da boate frequentada pelos personagens principais. A trilha era tomada de Roxette, Information Society, A-ha, Pet Shop Boys, enquanto a comida também ajudava no clima quase sinestésico da ocasião. O elenco – inteiro – chegou a preparar um flashmob para apresentar aos jornalistas. Uma imersão total.
Autoras, diretor, elenco, todos os envolvidos parecem ter um único objetivo em comum: não apenas usar os anos 90 como ilustração lúdica, mas trazer de volta o espírito transgressor e politicamente incorreto daquele momento da nossa história; recuperar o exagero, a liberdade de expressão e o desapego a convenções visuais. A ideia é reproduzir a época através de seus códigos culturais e artísticos, o que aproxima a novela desse híbrido serialesco que pode ser a tendência dos anos 2000 (passível de resgates quando nós formos o passado).
Verão 90 estreia no próximo dia 29 de Janeiro e também tem no elenco nomes como Claudia Ohana, Humberto Martins, Dira Paes, Totia Meireles, entre outros.














