Continuando o bom desempenho, The Walking Dead segue em passos curtos desenvolvendo uma nona temporada coesa, administrando todas as tramas de forma simples, mas insistindo em mistérios que serão mostrados a longo prazo. Angela Kang merece ser mencionada, mais uma vez, pelo seu trabalho de manter o interesse do espectador em acompanhar uma série que perdeu parte de seu brilhantismo, instigando a curiosidade ao dar vislumbres de elementos que estão por vir e ao mesmo tempo referenciando os tempos de glória da produção.
A sequência inicial em Alexandria mostra a famílias Grimes vivendo no que poderia parecer um mundo livre da violência apocalíptica pela sobrevivência, um retrato do que o ex-xerife foi antes mesmo de tudo isso acontecer. A esperança pela paz e convivência das comunidades é evidenciada nesses poucos minutos que vemos Rick passar um dia livre com Michonne e Judith, brincando ao ar livre, visitando o consultório médico, lendo O Mágico de Oz, situações que em outros momentos da atual civilização poderiam ser impossíveis de se viver, mas que se tornaram reais devido ao desejo de Carl e que seu pai tenta levar em frente. A visão de um mundo melhor, por parte dos Grimes, fica ainda mais clara ao surgir a ideia de gerar um outro filho, mesmo com as ameaças constantes que assombram a frágil paz conquistada. Essa pequena possibilidade abre espaço para mais teorias sobre o futuro da série sem Andrew Lincoln. Em uma entrevista ao Huffington Post, o produtor executivo David Alpert disse que via Carl crescendo, tendo filhos e que eles tomariam a frente das decisões, mas com a morte do primogênito de Rick, Judith poderia acabar assumindo esse posto de futura líder. Agora, com a idealização de um novo filho com Michonne, esse futuro poderia muito bem ficar garantido nas mãos da próxima geração Grimes.
Com uma interação bastante fluída, Rick e Michonne formam um casal que conseguimos nos identificar cada vez mais, é gratificante ver a relação deles ser realmente verdadeira. Michonne, por sua vez, continua na saga de criar leis que se adequem ao novo formato de sociedade, funcionando para todos da mesma forma, também é muito interessante assistir esse desenrolar mais ativo da personagem dentro de um núcleo que envolve políticas de convívio. Como isso vai ser inserido dentro do contexto narrativo de forma que atinja todos de uma só forma, ainda é difícil saber, até mesmo devido aos acontecimentos de revolta e insatisfação que estão começando a explodir e a vindoura chegada dos Sussurradores. Além de tudo isso, ainda temos a cena em que Rick vista o túmulo de Carl, deixando um tomate, como um símbolo do crescimento da esperança, elemento que apareceu novamente com Maggie levando os alimentos para os trabalhadores da ponte e depois, em outra cena, sendo visto no chão, pisoteado, representando a destruição de uma aliança delicada.

Em mais um momento de revolta, os Salvadores param as obras da ponte e insistem por respostas sobre o desaparecimento de seus companheiros e exigindo armas para se defenderem sozinhos, gerando um confronto direto com as outras comunidades. É importante notar que aqui fica claro que os ex-seguidores de Negan mantém certo respeito a figura de xerife que Rick representa, quando o mesmo interfere ao chegar, evitando que vidas sejam desperdiçadas. E assim como ele tem essa aceitação, Carol também conquistou algum reconhecimento de liderança.
Durante a troca de acusações sobre o responsável pelos sumiços, Anne/Jadis após ser mencionada como suspeita em potencial retorna ao seu estado de desconfiança e decide voltar ao lixão para contatar o misterioso helicóptero. Descobrimos que ela trocava pessoas por suprimentos durante sua vida como líder, usando como base um sistema enigmático de A e B que provavelmente iremos demorar para saber o real significado. O sistema já foi visto na temporada passada identificando o helicóptero e também quando Jadis aprisionou Rick em um container que tinha a letra A pintada na frente. Padre Gabriel acabou como vítima de troca pelo motivo de se manter leal a Rick, recebendo classificação B. Lá se vai um casal que poderia dar certo, talvez.
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A subtrama principal de Warning Signs, ou A Vingança de Oceanside como pode ser resumido, foi resolvida com inteligência. Fazia todo sentido, pelo menos depois de toda a história emocional contada por Cyndie, que Oceanside tomasse a frente como culpados dos desaparecimentos. De certa maneira a visão das mulheres do grupo em fazerem justiça com as próprias mãos tem fundamento, abrindo um precedente para novas ações do tipo, mesmo com Cyndie prometendo que Arat seria a última a ser morta. O fato de Meggie ter servido de inspiração para esses acontecimentos mostra que a falta da centralização de lei e ordem em um só líder pode ser a causa de problemas que estão para acontecer. Toda a situação levou Daryl e Maggie a se juntarem mais ainda após deixarem que a morte de Arat acontecesse. Se antes Maggie tinha um pouco de sensibilidade e aceitação com o novo jeito de Rick lidar com os acontecimentos da guerra, agora a líder de Hilltop está mais do que determinada em seguir em frente com seu próprio plano de responsabilizar Negan pelas ações que ele cometeu. Com a amizade do ex-xerife e Daryl enfrentando problemas e o motoqueiro se aliando a Maggie, uma guerra civil pode acabar estourando a qualquer momento, levando a consequências desastrosas para o futuro do novo mundo.
















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