Cloak and Dagger continua deixando de fazer aquilo que a torna tão interessante, a união de seus protagonistas.

Desde que reuniu Tandy e Tyrone pela primeira vez, Manto e Adaga demonstrou todo o poder de sua produção, o carisma e química de seus protagonistas. Mas, desde que os uniu brevemente, a série decidiu que a melhor maneira de conduzir sua história seria com ambos separados. E apesar de não me incomodar nada com o ritmo mais lento, estou cobrindo o mundo de séries da Marvel para a Netflix desde sua concepção, para esta produção o ideal seria correr um pouco mais e deixar de andar tão vagarosamente. Seis episódios exibidos e apenas mais quatro até o fim da temporada, mas quase nada de Manto e Adaga juntos.

Começando por Princeton Offense, o quinto capítulo da história de Tandy e Tyrone, ambos os nossos personagens chave começam sua jornada em busca de justiça. Tandy procurando saber mais a respeito da Roxxon e os executivos responsáveis pela incriminação de seu pai, enquanto Tyrone busca justiça pelo assassinato do irmão contra o policial responsável por sua morte, Connors. Lentamente e com passos bem vagarosos, a série também começa a explorar mais do poder de seus heróis, com um ritmo mais acelerado para Tandy e bem lento para Tyrone.

De certa forma o crescimento mais rápido de Tandy faz reflexo daquela velha frase que diz que “meninas amadurecem mais rápido do que meninos”, não se engane, porém, este ditado popular na verdade apenas representa que a sociedade força o amadurecimento mais rápido de meninas, enquanto faz vista grossa para o processo de “aprendizado” (muitas vezes eterno) dos rapazes. Tandy precisa ir mais rápido porque seu mundo gira, basicamente, ao redor da justiça que ela precisa pelo pai. Enquanto isso Tyrone está dividindo sua atenção com jogos de basquete e Evita, sem realmente precisar de seus poderes. Sua investigação é algo nobre, mas bem longe de ser a última corda de esperança de sua família.

Tandy, se aproximando bastante de uma montagem similar a Alias (outra série da ABC), se infiltra em uma festa da Roxxon e começa sua investigação, dominando completamente seus poderes de invadir a mente de outras pessoas. Por enquanto, porém, quase não temos um discurso moral a respeito desta manipulação, mesmo com Tyrone a questionando. Em se tratando de dois adolescentes, entretanto, quem julgaria o abuso de poderes desta maneira? Na verdade, muito me estranha que nenhum destes dois jovens realmente tenham tentando se divertir, mesmo que brevemente, com seus dons. Obviamente o teor mais sisudo da série nos impede de ver estes personagens respirando, mas seria bom.

O episódio também nos oferece uma visão mais complexa da policial O’Reilly, além dos limites que ela está disposta a cruzar para prender o bandido. Apresentada inicialmente como uma mulher muda, a série conseguiu em um capítulo alavancar bem mais sua presença. Ela aparece transando com um policial aleatório e usando cocaína na frente de Connors, tudo para conseguir avançar em sua investigação e conseguir a confiança do “parceiro”. Novamente, para uma produção destinada para um público mais jovem, Manto e Adaga está indo bem acima das minhas expectativas, especialmente com seu teor mais maduro. Estamos falando de uma série que não se preocupou em mostrar, até agora, um quase suicídio, violência sexual, sua protagonista usando remédios controlados e sua policial transando E usando cocaína. É um limite que eu honestamente esperava (e vejo) nas produções da Casa das Ideias para a Netflix, mas não para o Freeform.

Funhouse Mirrors mostra realmente o quanto estamos perdendo por não termos Tandy e Tyrone juntos. Existem breves momentos, espalhados através de toda a série, que exemplificam como a dinâmica entre ambos os personagens é importante e cheia de química. Funhouse Mirrors é a prova de que existe essa compreensão dentro da sala de roteiristas, que continua nos provocando com a possibilidade de termos ambos trabalhando juntos, após 6 episódios. A verdade é que estamos bem próximos do final da temporada, Cloak and Dagger terá, ao todo, 10 capítulos em seu ano de estreia. E está cada vez mais difícil aceitar um ritmo tão modorrento, quando na verdade o que queríamos era um pouco mais de ação ou algo relacionado a histórias em quadrinhos.

Contudo, seguindo seu padrão de apresentar uma história de origem, dentro de uma história de investigação, manipulação e perigo, Manto e Adaga está criando uma boa trama, mesmo que lenta. De certa forma o que o sexto episódio da série fez foi brincar com possibilidade do “E se…”. Bem diferente do que foi feito por Agents of S.H.I.E.L.D. em seu arco Agentes da Hydra, Manto e Adaga colocou seus personagens principais para considerarem um futuro que lhes foi negado. Tandy agindo como uma estagiária e Tyrone se aproximando do amigo do irmão, enquanto avança em sua investigação.

O ponto alto do episódio foi Tandy, justamente por causa da adição de Mina Hess. Tandy, diferente de Tyrone, quase não conseguiu uma história mais leve desde sua introdução. Vê-la ao lado da engenheira, agindo como uma garota “normal” é muito importante para quebrar a visão da mulher implacável que ela está se tornando. Também é muito bom ver como Manto e Adaga continua jogando bem com o gênero e superando expectativas. Mina é rápida ao enxergar a mentira de Tandy, em um movimento que eu honestamente não esperava da série. E de certa forma ambas são bem parecidas. Mina também quer usar a Roxxon, mas dobrando o sistema e fazendo do ruim, algo bom. Tandy, porém, não está muito preocupada com as abelhas e sim com a justiça por seu pai.

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Do outro lado temos Tyrone, se aproximando do amigo do irmão apenas para alavancar sua investigação contra o policial corrupto, Connors. Existe avanço no uso de seus poderes, apesar de sua confissão de que ele ainda não os explorou como Tandy, mas a principal ramificação de Funhouse Mirrors é o “casamento” de sua história com O’Reilly. Até o momento a trama de Manto e Adaga não está tão espalhada, afinal temos poucos episódios até a conclusão. Logo, ver a policial como elo entre os dois jovens é essencial para compreender o que a série fará no futuro e considerando como ela está subvertendo alguns clichês de gênero, não me assustaria tê-la testemunhando os poderes do Manto e da Adaga, até o season finale.

Easter eggs e outras informações

– Tivemos um breve “crossover” com Luke Cage. Na série da Netflix é mencionado que a policial (apesar de não usarem pronomes que indiquem o gênero) O’Reilly se mudou de Nova York para Nova Orleans, a colocando como uma das não corruptas do departamento. Isso acontece duas vezes em Luke Cage e a transferência de Nova York também é mencionada em Manto e Adaga.

– Pobre Liam.

– Tá, a parte do Vodu continua não fazendo sentido nenhum, mas o lance da possível destruição e do problema que Tandy e Tyrone terão que resolver, já. Aparentemente a Roxxon está com válvulas de pressão instaladas por toda a cidade. Querem apostar quanto que elas chegarão bem perto de explodir?

REVISÃO GERAL
Nota:
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