Depois de reduzir seus competidores a um terço, o American Idol encerra a Hollywood Week e anuncia os 24 felizardos que chegam à fase semifinal e enfrentarão uma nova etapa a partir da semana que vem.

A gente tem discutido quanto a velocidade com que a produção tem exibido suas etapas, mas a minha sensação essa semana foi contrária ao que vínhamos tendo nos programas anteriores. Não quanto ao ritmo, acredito que a edição soube como finalmente utilizar o seu tempo de forma muito mais eficiente do que antes, principalmente como intercalaram as apresentações do Showcase com os resultados do Final Judgement, coisa que já haviam feito na temporada anterior ainda na Fox, entretanto sinto que muito do que fomos expostos essa semana tenha sido um tanto enfadonho, principalmente nos solos de Hollywood, ainda que necessário para a continuidade do processo.

Durante as quatro horas desta semana, vimos os 76 candidatos restantes apresentarem seus números solo diante dos jurados e, na sequência, os 50 aprovados tendo de se apresentar pela primeira vez diante de um público para convencer os jurados a lhes dar um resultado positivo em seu julgamento final para garantir uma vaga no Top 24.

Antes de prosseguirmos com a crítica, vamos tirar o elefante da sala e deixar o Solo Rounds um pouco de lado. Em favor deste texto e da própria narrativa que o programa quer contar, e considerando o fato de não termos visto nenhuma eliminação relevante nesta etapa da Hollywood Week, vamos focar no Showcase, quando houver necessidade de voltarmos ou referenciarmos alguma apresentação da etapa anterior aqui ou futuramente, o faremos.

Abrindo o Final Judgement, Layla Spring (16) mostrou desenvoltura e um excelente controle de palco em sua apresentação no Showcase com o hino atemporal “Proud Mary”. Katy Perry elogiou o fato de Layla fazer uso de suas críticas construtivas e acelerar seu vibrato. Layla é uma das candidatas que melhor tem se desenvolvido na competição, em sua audição lá na primeira semana acompanhada da irmã caçula os jurados estavam preocupados se ela aguentaria a pressão da competição, e não só aguentou como aparece cada vez melhor a cada nova apresentação, garantindo a primeira das vinte e quatro vagas da próxima etapa.

Uma das surpresas da temporada e se tornando um queridinho declarado dos jurados, Michael J. Woodard (20) é um participante que eu tenho sentimentos mistos. Eu não sei onde exatamente Michael se encaixaria na indústria fonográfica e é claro a inexperiência dele em palco, mas ele tem algo genuinamente brilhante que é inexplicável. Em seu solo na Hollywood Week vimos Perry atirar sua cadeira para longe e os jurados extremamente satisfeitos com sua excelente versão de “Maybe This Time”, um dos pontos altos do episódio de domingo. Michael também tem chamado atenção pelas suas escolhas pouco ortodoxas e demonstrando um repertório diverso, ainda que eu não tenha sido impactado por “You Outta Know” e tenha a achado bastante monótona, na verdade, sem a força que a canção pede. E esse é um dos meus problemas com o Michael, é uma relação de amor (sua audição e seu solo) e ódio (apresentação em grupo e o Showcase). Sua aprovação não é surpresa considerando a reação dos jurados após cada uma de suas apresentações, então me resta esperar se semana que vem eu estarei o amando ou o odiando.

E essa relação de amor e ódio continua com Gabby Barrett (17), e não tanto pelo seu talento vocal, que é indiscutível, mas para o que ela quer em sua imagem. Eu sinto que há um problema pra ela e sua identidade artística, Gabby tenta emular Carrie Underwood e projetar a imagem artística dela como a sua ao invés de utilizá-la como inspiração. É muito mais uma questão de nuance artística e de posicionar sua imagem e seu estilo buscando uma inspiração do que tentar seguir os passos e querer projetar em si a imagem de outro. Gabby foi muito feliz em seu solo com “Ain’t No Way”, saindo da sua zona de conforto e acrescentando variedade ao seu estilo, mas pecou em boa parte de “Church Bells”, destacado e criticado explicitamente por Perry, embora tenha salvado a apresentação na metade final atingindo duas excelentes notas e carimbando sua vaga no Top 24.

A primeira rejeição do dia pôs fim ao triângulo amoroso entre Trevor Holmes (27), sua namorada e Perry, e é tão irrelevante que nem o programa se deu o trabalho de disponibilizar o vídeo no YouTube. Então vamos nos focar na eliminação que veio de forma verdadeiramente surpreendente com Thaddeus Johnson (25). Thaddeus alcançou seu ápice em seu solo em Hollywood com “Rise”, da própria Katy Perry, que terminou dizendo “é assim que se canta uma música minha” e “você cantou minha música melhor do que eu mesma”. Do que nos foi mostrado em “Hate on Me, que terminou com os jurados o aplaudindo de pé, eu estava dando certeza em sua aprovação, mas coube a Lionel Richie dizer que, apesar de ser um “cantor dotado”, os jurados sentiam que aquele não era o momento certo para ele. Fica aqui meu questionamento de quando seria então?

Um resultado diferente do dado à Michelle Sussett (22), a imigrante venezuelana que fez Perry rebolar e pagar calcinha em sua audição. Eu estava pronto pra odiar Michelle, muito porque eu sentia que ela estava sendo carregada apenas para causar nas fases seguintes, mas eu fico surpreso que gosto cada vez mais do que ela tem apresentado. É verdade que ela fez muito drama em seu solo por ter perdido a voz, mas ainda assim apresentado um número muito bom e competente de “I’m Coming Out”. No Showcase, no entanto, apesar de ter focado em sua presença estelar de palco, “24K Magic” não a deixou demonstrar todo seu potencial vocal. Juntam-se à Michelle os aprovados (e combados) Dominique Posey (26), Trevor McBane (22), Maddie Poppe (20), Alyssa Raghu (15) e Ron Bultongez (21), e, assim como vínhamos discutindo nos comentários da semana passada, me preocupo com o destino deles na próxima etapa com a edição os deixando de lado, especificamente com Maddie e Alyssa. Falando rapidamente sobre o Ron, no entanto, no primeiro texto da temporada eu critiquei sua aprovação quando Richie trocou seu voto muito mais pela sua história de vida do que pela sua apresentação, mas fica aqui uma retratação, seu solo com “Home, o winner single e hit de Phillip Phillips, apesar de imperfeito, como apontado por Perry, foi incrível e cheia de sentimento.

A grande favorita da temporada, entretanto, vai trilhando uma jornada claramente exposta pela edição em todas as fases, e eu honestamente não me importo. Não me importo porque Catie Turner (17) é um ícone. Ponto. Ícone feminista que já havia criticado os padrões de beleza e de sociedade em seu número original durante sua audição, e que voltou a criticar o machismo em sua letra genial da canção “Pity” em seu solo, criada após um cara lhe dizer pra ela voltar para a cozinha e lhe fazer um sanduíche porque a cozinha é o lugar que as mulheres pertencem. Catie tem um controle e uma noção artística genuína do que quer ser e do que representa, do que busca e do que projeta, e ainda que “Bad Romance” não tenha sido seu ponto alto, ainda é um número bastante seguro e extremamente competente, com bons vocais e um bom trabalho de palco. Catie não é a favorita por acaso, porque neste momento ela merece, e a produção faz questão de deixar isso claro em sua edição. Falando em edição, vimos a mesma aproveitar o sucesso de Catie para fazer a Taylor Swift e excluir Milo Sposato (17), Les Greene (27), Britney Holmes (28) e William Casanova (26) da narrativa (e do programa).

Voltando a dar sequência à lista dos aprovados, vimos Jurnee Siani (18) cantar diante de sua esposa pela primeira vez com “Never Enough”, do longa musical O Rei do Show, com um tom excelente e uma condução muito inteligente do número, com bons agudos e explorando bem as regiões de sua voz. O mesmo pode ser dito sobre Shannon O’Hara (17), que apresentou “Unconditionally” demonstrando um tom de voz muito bonito e levando Perry às lágrimas. O programa aqui aproveitou e combou mais alguns artistas aprovados, como Kay Kay (18), Amelia Hammer Harris (26) e Brandon Diaz (21).

Mas nem tudo são flores no Idol, chega um momento que alguns favoritos precisam dar adeus à disputa, como Noah Davis (18), que fez uma apresentação desastrosa de “You and I” e parecia ciente e complacente com o fim da sua jornada. Além de Noah, também seguiram seu destino Harper Grace (16), Carly Moffa (25, Brazil I’m devastated), Samothias (20), Lee Vasi (20) e Victoria McQueen (15).

Apesar de tudo, outra estrela tem ascendido ao título de American Idol. Adam Sanders, ou Ada Vox (24), rejeitado em 2013 e de volta a colher os frutos do sucesso, me impactou como poucos candidatos neste Showcase. Apresentou uma versão honesta e tão vulnerável de “Creep” que me deixou sem palavras. Já falamos do seu alcance inacreditável, mas a dinâmica e a forma inteligente com que construiu seu número e os melismas e os agudos e que apresentação. Um fenômeno.

Depois de sete episódios vimos a produção finalmente desenterrar Mara Justine (15), previamente esquecida no churrasco nas audições, e trazê-la novamente ao centro da disputa após ter sido completamente apagada na Hollywood Week. Mara é uma excelente vocalista e já falamos do seu passado de finalista do America’s Got Talent, então não há nenhuma surpresa ao vê-la aprovada, mesmo que eu concorde com Perry em relação aos seus maus hábitos demonstrados em “Something’s Got a Hold on Me”.

Além de Mara, seguem seu caminho Jonny Brenns (18), que se recuperou da nota bizarra do seu solo na Hollywood Week e deu uma interpretação emocionante para “Lay Me Down”, com um falsete maravilhoso, e o roqueiro Cade Foehner (21), que animou a galera com “No Good” e, ainda que tenha sido muito bom, me preocupa um pouco sua dicção, tem momentos que é muito difícil de entender o que ele tá cantando.

A produção aproveitou seus machos do country para fazer um compilado e nos poupar tempo, como com o favorito Caleb Lee Hutchinson (18), que se apropriou de “Your Man”, música que ficou marcada no Idol como o tema do vencedor Scotty McCreery por conta do seu tom grave e das duzentas vezes que ele cantou em sua Hollywood Week em 2011. Caleb também tem um bom tom grave, mas consegue alcançar notas mais altas e é um performer natural, “I Was Wrong” é um atestado de sua competência vocal. A aprovação de Caleb se tornou um péssimo indicativo para a sequência de Laine Hardy (17) e Garrett Jacobs (17). O primeiro apresentou The Ballad of Curtis Loew” e o segundo foi com “Knock On Wood, e de certa forma eu entendo as decisões dos jurados. Garrett tem uma maior dinâmica e apresenta maior variedade artística, coisa que falta em Laine, que além de ser bem unidimensional e linear em todas as suas apresentações, sequer deveria ter chegado até aqui depois da pavorosa performance em grupo com “Love Yourself”. A decisão correta tardou, mas chegou com a eliminação de Laine e a aprovação de Garrett.

Restando uma vaga para as moças e duas excelentes vocalistas, meu coração ficou dividido. Eu gosto muito de Maddie Zahm (19), mas eu compreendo que ela não está pronta pro Idol. Sofreu com versos e notas de “What About Us”, além de ter tido alguns problemas com seu controle respiratório que prejudicou seu número. Em compensação Effie Pasero (26) mostrou que não veio a passeio (pun intended) e apresentou uma emoção genuína e um controle vocal impecável em “The Dance”. Apesar de eu ficar dividido por gostar de ambas as cantoras, com base no que foi apresentado a escolha foi absolutamente correta.

Encerrando o episódio, fomos deixados com o drama de Marcio Donaldson (28) e de Dennis Lorenzo (26). E foi um drama desnecessário, mas que eu caí. Caí porque, diferentemente de Effie, eu não estava anotando no caderninho quantos foram aprovados ou quantas vagas restavam e, ao ser deixado com outros dois excelentes cantores (e ambos com uma boa narrativa construída em torno de querer prover para seus filhos), acabei ficando com a inevitável sensação de que um ou outro teria de ser eliminado aqui. Não foram, ambos seguem na disputa e estou contente quanto a isso por enquanto.

https://youtu.be/9tLjdBJ33PU

Assim, fechamos um Top 24 extremamente forte. Em sua temporada de reboot, o American Idol seleciona um grupo talentoso como há muito tempo não vínhamos tendo e nos entrega uma semana que, ainda que tediosa em uma parte, tenha sido dinâmica em outra. A partir da semana que vem começaremos a conhecer, agora sim, os 14 finalistas que enfrentarão o voto do público. Seguindo a dinâmica adotada no Top 24 da décima quinta temporada, o Idol vai nos dar novos solos e um dueto com uma celebridade convidada, e os jurados decidirá quem seguirá na competição. Entre os convidados, teremos o músico inglês Banners; a voz do hit “Wake Me Up” com Avicii, Aloe Blacc; a escocesa Bishop Briggs; a cantora country Cam; a amorzinho Colbie Caillat; o senhor do hit “Despacito”, Luis Fonsi; o cantor e produtor Andy Grammer; a atriz e coveira Lea Michele; o vocalista da banda Train, Patrick Monahan; a dona do hino “Fight Song”, Rachel Platten; a cantora Bebe Rexha; o duo country Sugarland; e, por fim, Allen Stone; todos dividindo microfone e palco com um dos semifinalistas do programa. Pra quem vai a sua torcida?

PS: Como piada de “April Fools”, Chris Harrison, apresentador da franquia The Bachelor, fez uma aparição especial abrindo o episódio de primeiro de abril com o discurso dramático de abertura do reality de namoro da ABC e a famigerada rosa da eliminação. Estou adorando esses crossover de franquias.

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