Supergirl faz um crossover com Jane the Virgin sem utilizar o grande poder de Yael Grobglas em Triggers.
Existe um espírito cômico por trás de Supergirl, que aproxima a produção de uma verdadeira história em quadrinhos do período leve e divertido, com sacos de dinheiro, assalto a bancos e vilões caricatos. Este também é um aspecto de incrível força em Jane the Virgin, a premiada novela “mexicana” da CW. Contudo todo o poder de Yael, que em Jane interpreta a quase vilã Petra Solano, é desperdiçado ao termos uma abordagem branda e um pouco sem sal para Psi. O trabalho de Groblgas é ótimo, mas deixa a desejar. Afinal, qual a necessidade de ter uma antagonista espalhafatosa se ela não irá se portar com exagero?
Logo, todo o drama utilizado ao redor da perda de Kara, que pensei ter acabado no primeiro episódio, termina não ajudando a impulsionar a qualidade de Triggers. Este segundo capítulo trabalha muito mais para revelar a trajetória de Kara em seu processo de cura, justificando o motivo pelo qual a heroína está tão abalada após o término. Segundo o roteiro pouco tem relação com a partida do namorado em si e mais na sensação de que Mon-El recebeu uma sentença de morte.
De maneira geral, porém, existem alguns pequenos deslizes que infelizmente não cooperam para o aproveitamento total. Como parte do desenvolvimento sentimental de Supergirl, Triggers é incrivelmente tediosa e com quase nada realmente relevante acontecendo. Foi interessante ver Kara lidando com dois traumas ao mesmo tempo, o da explosão do planeta e da conscientização de que ela estava relembrando seu destino após a partida de Krytpon como maneira de racionalizar o mesmo destino o qual ela sujeitou o namorado, já que ambos são válidos. Entretanto a execução não foi tão competente quanto eu gostaria.
Uma antagonista como Psi, que ataca apenas mentalmente, precisa de um pano de fundo muito bem sedimentado para agir durante o episódio. E esta estrutura simplesmente não aparece. Supergirl é manipulada, tem visões, mas termina não recebendo nenhum ponto grandioso ou introspectivo, com força, já que o episódio também precisa se dividir entre outros personagens.

E se o caso da vilã do episódio decepcionou, o da vilã da temporada está agradando muito. Esta é a primeira vez que temos uma vilã como a Reign/Samantha Arias sendo desenvolvida, desta forma, no Arrowverse. Usualmente centralizados em explanar apenas a motivação do vilão/vilã e quase nada da sua história antes da transformação, Supergirl está surpreendendo muito ao humanizar totalmente a alienígena criada para reinar na Terra. A relação com a filha, uma adolescente irritante como todo adolescente do Arrowverse – e que faria amizade facilmente com o filho do Oliver em Arrow – é uma ótima maneira de abordar o normal através da lente de uma adulta completamente diferente das outras mulheres adultas da série.
Quem também conseguiu um espaço para brilhar foi Lena Luthor, a nova CEO da CatCo. Existe algo dentro da construção da personagem que me faz lembrar, o tempo todo, que ela é uma Luthor. O peso do sobrenome e da família Luthor é tão forte, que por vezes eu me pergunto quanto tempo até que a série decida desviar Lena do caminho, como Smallville fez com Lex após algumas temporadas dedicadas para explorar como ele era um bom amigo para o Clark. Entretanto, até o momento, eu não consegui enxergar nenhum tipo de atitude ou construção de cena que desabonasse a visão de uma mulher boa e honrada. O comportamento da Lena, mesmo após a falta de profissionalismo da Kara e também o ciúmes de James, foi o mais simples e honesto possível.
Obviamente o maior poder de Triggers não está em sua vilã, mas dividido entre o foco direcionado para tantas mulheres fortes e poderosas. Tivemos um pouco do relacionamento de Alex e Maggie, com decisões de banda ou DJ, além do possível estopim para o fim do casal. Acompanhamos o primeiro dia de trabalho de Lena Luthor, além de sua imediata e fofa parceria com Tessmacher. Também seguimos Sam e sua curiosa (e irritante filha), além da presença de uma vilã nem tão caricata como eu gostaria, mas aterrorizadora. E por fim, o retorno de Kara e Alex como irmãs novamente e não apenas separadas e interessadas em seus respectivos casos amorosos.
Supergirl pode não ter brilhado nesta semana, mas nos ajudou a compreender um pouco do estado de espírito de sua protagonista. A crítica permanece igual. Com um pouco mais de “pimenta” e bom uso de Yael Grobglas, cenas mais amedrontadoras do poder de Psi, não apenas pessoas caindo, e um embate verdadeiro – mesmo que apenas mental – com certeza o resultado de Triggers teria sido mais agradável. Claro que a força da série, sua dedicação em explorar diversas personagens femininas em situação de força e empoderamento, sempre irão conquistar pontos extra. Contudo, ainda espero que a terceira temporada de Supergirl consiga manter uma boa história, que saiba fazer uso destas personagens e participações especiais com mais personalidade.
Easter eggs e outras informações em Triggers:
– Eve Tessmacher, nome da secretária de Lex Luthor, teve sua primeira aparição em Superman (filme) de 1978. Entretanto a relação dela com Lena parece bem mais amigável.
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– Psi/Gayle Marsh, teve sua primeira aparição em Supergirl V2 #1, de 1982. Treinada por Daniel Pendergarst, ela passou muito tempo acreditando que um grupo chamado Decay era responsável pelas mazelas do mundo. Um dia, ao encontrar Linda Danvers (Supergirl) acidentalmente, e depois de sentir o imenso poder da desconhecida mulher, Psi passou a acreditar que ela era uma agente parte do grupo Decay. A então vilã terminou ajudando Supergirl a destruir Decay, mas desapareceu em seguida.















