Como dito na primeira review desta série, 2017 foi um ano muito generoso para quem é fã de Stephen King, ao menos em questão de números. Tivemos só neste ano um total de adaptações que juntas somam o que no passado já foi adaptado em décadas (ou quase isso). Tivemos desde o decepcionante A Torre Negra, que pouco traz da essência e magnitude da obra original, até It – A Coisa, que vem muito bem de crítica e público e limpou um pouco a barra do Mestre do Terror dentro do âmbito televisivo. E no meio destes dois extremos nós temos Mr. Mercedes, que não é uma abominação, mas também não é excelente. É bom, cumpre bem sua proposta, embora apresente alguns problemas pontuais que quando somados passam a incomodar um pouco o espectador, principalmente a esta altura do campeonato.
O principal problema da série permanece sendo sua falta de ritmo narrativo. Nada contra séries que optam por serem mais “paradas”, de caráter mais contemplativas, mas em determinados momentos é necessário sacudir a trama para que o espectador “acorde” e volte a se interessar pela mesma. Isso aconteceu no episódio cinco e agora já são dois episódios de marasmo. É verdade que este trouxe muito mais acontecimentos importantes que o anterior, que foi exclusivamente de desenvolvimento dos personagens, mas mesmo assim a impressão que fica é que as coisas poderiam acontecer mais rápido.
De longe o acontecimento mais importante do episódio está em seus minutos finais, com a morte de Janey. O público pode até sentir pela personagem, que foi bem desenvolvida e interpretada por Mary-Louise Parker, mas o impacto real na trama pode ter sido prejudicado devido ao mal desenvolvimento da relação entre ela e Bill, que além de apressado soou na maioria dos momentos forçado. Então de novo: É possível sentir pela personagem, mas não pelo relacionamento, algo que precisava ter sido melhor desenvolvido. O lado positivo é que isso deve fazer com que Bill acelere sua investigação para colocá-lo frente a frente com Brady mais depressa, e essa talvez seja a injeção de ânimo que a série está precisando tanto.
Falando no vilão, o desenvolvimento de sua relação com Deborah se torna aos poucos mais interessante. No início da temporada nós tínhamos a imagem de abusadora/abusado, enquanto que agora ele está visivelmente manipulando sua mãe, tirando do personagem essa aura de vítima. Tem um acontecimento que, assim como a bomba no carro de Bill, está telegrafado para o espectador que vai acabar em tragédia, conseguindo deixar sempre um clima tenso dentro da casa. E conforme a personagem fica mais sóbria e ciente de que há algo errado ao seu redor, essa atmosfera cada vez se adensa mais.

Uma boa surpresa para o episódio foi a dobradinha Holly e Jerome, que possuem uma ótima química em cena, tornando-a leve, servindo como um bom contraponto para a atmosfera de tensão e suspense que perdura de forma geral nos episódios. Apesar de curta a cena dois juntos, nos deixou com um gostinho de quero mais.
Falar dos aspectos técnicos da série e chover no molhado, e isso ela sabe fazer muito bem. A direção monopólica de Jack Bender continua competente, assim como a escolha da trilha sonora. Fotografia e enquadramentos também são bastante bem utilizados, principalmente o uso de plongée e contra-plongée nas cenas entre Brady e sua mãe, procurando mostrar sempre a presença dominante do vilão.
A série sofre em acertar o ritmo do episódio, deixando ele mais arrastado do que deveria. Se você assiste um episódio de 50 minutos mas tem a impressão que se passou mais de uma hora nunca é um bom sinal. Willow Lake foi o mais próximo de terminar em um cliffhanger que a série já conseguiu produzir, mas nem mesmo este deixa o público roendo as unhas querendo que chegue logo o próximo. Tomara que os últimos episódios corrijam esta deficiência.
Em tempo 1: Sei de alguém que vai ficar felizona com a morte da Janey. Também sabemos de alguém que vai ficar arrasado e alguém que não vai dar a mínima.
Em tempo 2: Muito providencial Brady ter um celular em sua caixa de tranqueiras exatamente do mesmo modelo que o Bill para ativar a bomba no carro.
Em tempo 3: Gente, o que foi aquele gerente geral da loja onde Brady trabalha? Sério que alguém pode humilhar os funcionários assim e ficar de boas? Bela forma de motivação, esse cara deveria escrever um livro.
















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