Como diria o poeta moderno brasileiro Sir Mister Catra: Vai começar a putaria.
Se já na sua primeira carta Chris criou um ménage à trois imaginário entra ela, Dick e o marido, nesta altura do campeonato, onde escreveu milhares delas, os três vivem uma verdadeira orgia. Claro que estou falando em termos conceituais, e não fatos verídicos, mas os documentos (podemos chamar de documentos?) totalmente não autorizados por uma das partes, reacende o casamento da nossa protagonista. A sensação que temos é que os dois se quer saíram de casa, ou colocaram roupa, desde que ela começou a escrever, e que em alguns momentos Sylvere quase seria dispensável.
Fantasias em qualquer lugar são positivas. Teoricamente toda a introdução de The Conceptual F**K poderia ser só isso, um casal se explorando para dar aquele UP necessário. Mas a partir do momento que Chris faz questão de mostrar o quanto quer conviver com Dick (virando sua aluna), as coisas perdem o compasso. Até entendo que isso poderia ser um pouco natural se o telespectador já não soubesse sua realidade pessoal, e se o seu marido também já não apresentasse indícios de infidelidade. Meu ponto aqui é: estamos falando de um casal totalmente em crise, e que de certa forma ignora isso. Qualquer passo em falso é perigoso.
Mas ela o faz. O tanto que ela o persegue e quer ficar perto da sua persona é maior que suas boas maneiras, e do que é tido como apropriado. Ela entende o que está fazendo, e se vê indo para um caminho duvidoso. É aquela história: sempre confusa, sempre meio gaguejando, mas completamente certa das suas escolhas. Se der merda, a gente precisa estar firme no que escolheu, não é mesmo? Esse poderia ser o lema da Chris. E fica bem óbvio que Dick sente essa vibe meio bizarra vindo dela. Em horas tenho certeza que ele se afasta por estar atraído, outras acho que é sua mais pura arrogância relacionado a ele não respeitar o seu trabalho. De qualquer forma, ele não a quer por perto.
E foge. O tempo todo.
Dick se esquiva, é grosso, estúpido e arrogante. Estamos vendo quase um clichê adolescente sendo construído (Dez Coisas Que Eu Odeio Em Você), só que não. Ok, temos o bad boy grosso e a mocinha “caindo” nessa postura, mas a diferença é que Chris não está caindo em nada. Na sua fantasia ele é exatamente assim, então na verdade ele só está alimentando ainda mais essa doideira toda. Meio problemático como ela gosta de ser tratada? Com certeza absoluta, mas daí já é um outro ponto. E vejam bem, estamos sempre falando de desejo. Porque no fim das contas ela não quer conhecer ele, não quer saber seus medos, sonhos, esperanças, e os motivos que levaram ele ser como ele é, ela quer é continuar dando a sua fantasia mais cores.
No fim, é um ciclo vicioso entre desejo, rejeição, e querer isso ainda mais. Não é romance, isso não é uma história bonita, Chris não é alguém correndo atrás de outro desesperadamente de forma triste. Ela é uma mulher em crise lidando com suas frustrações e sexualidade de uma forma estranha. Só isso.

“É incrível se uma mulher um dia consegue se enxergar como artista”.
Nessa altura do campeonato, a gente não tem certeza o que ela espera desse enrosco todo. Chris fantasia muito, mas tem horas que duvido se realmente trairia seu marido. Será que ela só quer o respeito daquele que a esnoba? Pode ser também. É um mix. Ela vive em conflito, e não é de ferro. Chris tem momentos de ápices de euforia, e outros de baixa. E quando ela encara a sua realidade, temos um dos diálogos mais bacanas de The Conceptual F**K, com uma das personagens mais incríveis, Davon (Roberta Colindrez): “Eu fiz muitos filmes. Tipo, muitos filmes. É possível que cada um deles seja ruim? Quando você tem a ideia de um filme Devon, e está na sua cabeça, ele é enorme, é como o mundo todo, é como toda sua alma. Então você faz o filme, e ele é comparado com todos os filmes que existem, e algo que era tão grande se torna tão pequeno, como um grão de areia”.
Eu particularmente me identifiquei muito com esse diálogo. Podemos substituir a palavra ‘filmes’ por zilhões de coisas e chegar na mesma conclusão. Se não bastasse o quanto nós mesmos nos comparamos com outras pessoas, ainda precisamos lidar o quanto o mundo nos compara com tudo e todos, principalmente se você for mulher. E isso faz você se sentir cada vez menor, menor e menor. É estranho quem consegue ficar sã diante tudo isso. Como ela poderia? Como nós poderíamos? Enfim. Reflexões.
Essa cena incrível é seguida de outra tão boa quanto, com Sylvere e Toby (India Menuez, de White Girl), outra aluna do Dick, que estuda pornô “punk” (vou colocar assim). Ele, que desde a festa de recepção está flertando com a garota, e nitidamente encantado com o que ele considera diferente (transformando-a total em Dream Pixie Girl), tem uma das piores/melhores conversas da vida. Arrogantemente questiona como ela conseguiu essa bolsa – que é a mesma que a dele – com o seu tema, e ainda joga: “Nossa, você é tão nova, tão jovem, então por que você é obcecada por pornô?! Meu Deus, olha para você, você é tão linda. Chega a doer o quão linda você é. Então, por quê? ”. Como se as escolhas dela fossem menores. Como se fosse nojento, e questionável tudo o que ela fez.
Toby responde: “Você é horrível”.
E no fim do dia, todos odeiam Mafra.
E no fim do dia, todos querem ficar em Mafra.
P.S.: As cenas onde eles estão fazendo arte são sempre maravilhosas.
P.S.2: Da mesma forma que Dick é o muso da Chris, Chris se torna a musa inspiradora de Davon.
> Game of Thrones – Episódio 7×02: Stormborn!
P.S.3: Toby e Sylvere estão literalmente no mesmo patamar de estudos, apesar dela ter tipo 25/26 anos, e ele 60.















