Chegou a hora de elegermos as 5 Melhores Séries Brasileiras da atualidade e é inegável que 2016 foi um ano especial para a produção televisiva brasileira. A Globo e Band, por exemplo, investiram alto em séries e reality shows e trouxeram para o público uma variedade de gêneros e cores que antes eram raros. Outro detalhe maravilhoso foi a maior aproximação do Netflix com obras nacionais (um maior catálogo de filmes brasileiros) e a primeira série 100% tupiniquim.

Pensando nisso a redação do Série Maníacos realizou uma discussão para escolher as 5 obras deste novo formato que está ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Foram considerados as seguintes produções: séries, minisséries, telenovelas de curta duração e reality shows.

Confira abaixo a relação final das 5 Melhores Séries Brasileiras de 2016!

5Ligações Perigosas (Globo) – Natanael Lucas

Ligações Perigosas entra em 5ª lugar na lista das Melhores Séries Brasileiras de 2016.

A Globo provou no início de 2016 que seria um ano de investimento em novos formatos. Ligações Perigosas foi anunciada como adaptação do clássico francês foi “Les liaisons dangereuses”, escrito por Choderlos de Laclos. O enredo entrelaça as histórias de diversos personagens por uma estrutura que se baseia na vingança & poder. Centralizado em Augusto e Isabel (interpretados por Selton Mello e Patrícia Pillar) e ambientado na década de 20.

Mas longe de toda a trama, que conseguiu ao longo de 10 episódios exibir momentos sensuais e destrinchou diversos plot sobre como a humanidade pode extrapolar todos os limites em razão de alcançar seus objetivos, Ligações Perigosas foi audaciosa por ser o primeira circunstância que levou um canal da TV Aberta em investir alto em tecnologia para melhorar a experiência visual. Teatros foram preenchidos por computação gráfica, cidades cenográficas também entraram nessa brincadeira da edição, até mesmo um navio e elefante. No mais, Ligações Perigosas deixou um gostinho agridoce do que a Globo pode alcançar se investir pesado em dramaturgia & tecnologia. Isso somado a um roteiro ousado e intrigante. E isso ela conseguiu provar muito bem no segundo semestre…

4MasterChef Brasil (Band) – Yuri Rebêlo

MasterChef Brasil entra em 4ª lugar na lista das Melhores Séries Brasileiras de 2016.

Quando foi anunciado que a Band faria uma versão brasileira de Masterchef, ainda em 2014, ninguém esperava que o programa iria tomar de assalto as noites de terça-feira no Brasil. Se lá fora os reality shows de culinária já faziam um sucesso estrondoso há mais de uma década, com Top Chef, Masterchef, Kitchen Nightmares, entre outros, por aqui esse era um tema ainda recluso a nichos, apenas com o Kitchen Nightmare Brasil, (antigo Cozinha Sob Pressão) conseguindo alguma relevância na tv aberta.

O certo é que a receita deu certo. Ana Paula Padrão encontrou o tom correto para a sua apresentação, e os três jurados cumprem suas funções: Paola Carosella, rigorosa, mas que sabe reconhecer uma boa ideia (algo meio Gordon Ramsay); Érick Jacquin, apegado aos clássicos e MUITO exigente (Joey Bastianich, claramente); e Henrique Fogaça, um cozinheiro que gosta de inventar coisas novas e tem um estilo muito próprio (Graham Elliot). Aliado a esses personagens, temos a cultura brasileira que produziu tantos memes dignos de um próprio Top 5! Mas acima de tudo, Masterchef é um programa sobre os participantes! Como se esquecer de Iranete, Cristiano, Lucas, Mohamad, Raul, JIANG <3

Em 2016 vimos a terceira edição comum, com vitória de Léo contra tudo e contra todos, e agora estamos vendo a primeira versão “Profissionais”. Apesar de já ter passado o seu auge absoluto, com o twitter explodindo durante as madrugadas de terça para quarta, Masterchef já entrou no seio da família brasileira e estará para sempre em nossos corações. Fala a verdade, quem aí nunca entrou no supermercado e procurou um EmbaLixo?

3Liberdade, Liberdade (Globo) – Natanael Lucas

Liberdade, Liberdade entra em 3ª lugar na lista das Melhores Séries Brasileiras de 2016.

“Liberdade, Liberdade” veio para discutir muitos assuntos atuais com um olhar crítico ao nosso passado. Com uma trama ambientada no século 19, o formato apropriado que a Globo usou foi de classificá-la como novela da faixa das 23h, porém acabou se transformando mais numa mini-série que conseguiu trazer para a tela brasileira temas importantes e contemporâneos. Claro que o horário de exibição ajudou e muito para determinada abordagem, porém foi somente com a belíssima produção e com um texto ousado que se concretizou como uma bela obra prima.

A verdade é que “Liberdade, Liberdade” começou com pouquíssima pretensão e acabou ficando didática cheia de diálogos que demoraram um tempo para se estabelecer como crítica social. “Se algum crime eu cometi, foi ter amado”, as últimas palavras de André antes de ser enforcado por amar outro homem exemplifica muito bem o ponto alto que a minisérie alcançou. Este cenário infelizmente não é muito diferente do que vemos hoje, tanto no Brasil como em países mais retrógrados. Talvez seja esse o grande trunfo da trama, se apresentar como uma produção histórica mas criticar intolerância, corrupção e a violência contra a mulher, com um foco especial no preconceito e no conservadorismo. “Liberdade, Liberdade” foi a Globo nos mostrando que estamos muito perto daquele mundo e prontos para ficar muito longe. Afinal, somos ainda realmente livres para sermos quem somos?

23% (Netflix) – Daniel Junior

3% entra em 2ª lugar na lista das Melhores Séries Brasileiras de 2016.

A ousadia de levar para tela uma produção que trata sobre distopia em um mundo aparentemente distante, já é um ponto positivo em “3%”, que pode desde já tornar-se um marco entre os produtos nacionais por fugir da fórmula do humor escrachado ou do drama novelesco que sempre permeia o que vem da TV. Sob a liberdade das propostas ousadas da Netflix e diante de um público notoriamente mais rigoroso, “3%” sofre os riscos que todas as outras séries e projetos sob esta plataforma estão sujeitos: críticas incisivas e um exército de fãs fervorosos.

Como proposta, erra na assepsia das imagens e nos cortes limpos para uma produção sci-fi; na atuação mediana para um estilo que pede correção nos textos, nos takes e nos arcos; uma direção menos “livre” e um script mais impulsivo podem trazer uma segunda temporada eletrizante e consolidar o público em volta da atração. As possibilidades do elenco se encontrar mais entrosado com as propostas (e camadas) de seus personagens pode levar “3%” a caminhos menos previsíveis e colocar a série entre as grandes já feitas em língua portuguesa. Merece lugar de destaque entre as boas coisas de 2016.

Destaque absoluto para Bianca Comparato, querendo há muito dar uma guinada importante na carreira. Sua Michele pode tornar esse desejo possível e levar, “de quebra”, “3%” para outro patamar entre as produções nacionais.

1Justiça (Globo) – Vera Tocantins

Justiça leva a medalha de ouro na lista das Melhores Séries Brasileiras de 2016.

Foi bonito, foi. Foi intenso, foi verdadeiro. Mas sincero!

Entre Agosto e Setembro de 2016, a Rede Globo exibiu a minissérie Justiça, escrita por Manuela Dias, com a colaboração de Mariana Mesquita, Lucas Paraizo , Roberto Vitorino e com direção geral e artística de José Luiz Villamarim, que tem na sua trajetória algumas pérolas como Avenida Brasil e o Rei do Gado. Justiça se propunha a apresentar uma forma diferente de contar a trama, com quatro histórias paralelas que se cruzam e se complementam, essa técnica já foi utilizada no cinema, em filmes como Short Cuts – Cenas da Vida, Crash e Babel, mas o que o grande público queria saber é se essa técnica daria certo no momento em que as histórias de Fátima, Vicente, Rose e Mauricio fossem contadas.

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Com uma constelação de estrelas em seu elenco (Adriana Esteves, Débora Bloch, Drica Moraes, Antonio Calloni, Julia Dalavia, Camila Márdila, Cássio Gabus Mendes, Enrique Díaz, Marjorie Estiano, Luisa Arraes, Vladimir Brichta, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal, Jéssica Ellen, Jesuíta Barbosa e Cauã Reymond) Justiça apresentou uma história sem um protagonista definido, cada dia da semana retratava diferentes tramas que se cruzavam e que nos faziam ver a mesma situação através de perspectivas e ângulos bem diferenciados. Provavelmente um dos pontos mais positivos na composição da minissérie Justiça, tenha sido a coragem de apresentar na TV aberta um texto tão denso, complexo e sombrio, carregado de críticas às instituições de segurança pública e ao judiciário brasileiro como o que presenciamos capítulo a capítulo. Além disso, Justiça apresentou de forma despudorada, porém necessária para o desenvolvimento da sua narrativa, algumas cenas mais ousadas, violentas ou controversas, regadas a boa música e atuações impecáveis, em sua maioria, dando mostras ao grande público que sabia contar de forma diferente aquelas histórias.

Me arisco a dizer que a melhor trama das quatro foi a de Fátima, com todo o seu núcleo familiar disfuncional, com aquele lindo final e com uma atuação irrepreensível de Adriana Esteves. As histórias de Rose/Débora e de Maurício, apesar de serem interessantes, deixaram a desejar, contudo, ambas apresentaram um bom debate político e ético como pano de fundo. Já a história de Elisa foi muito boa de se ver, por ter muitas camadas, por ser uma trama muito visceral e por colocar o nosso ponto de vista sobre justiça e pagamento da dívida com a sociedade em cheque. Dessa forma, Justiça finalizou a sua temporada com mais acertos que erros e nos deixou com a sensação de que valeu a pena ter acompanhado os seus 20 episódios. Acho fundamental acabar as coisas no tempo certo e na justa medida, senão elas viram essas novelinhas que nunca têm fim.  A minissérie Justiça cumpriu o seu desiderato com louvor! Justiça ousou em apresentar um novo modelo de teledramaturgia na TV brasileira, esse formato é muito usual na TV e no cinema americanos e foi popularizado pelo aclamado diretor Iñarritu em sua Trilogia da Morte. Justiça também nos presenteou com uma trilha sonora muito ilustrativa, com muita organicidade com as tramas em destaque e mostrou muita agilidade na sua narrativa. Percebo que a minissérie Justiça cumpriu o seu papel, de fazer o público questionar, torcer, vibrar, ter repulsa ou resiliência pelos seus personagens. E, para quem acredita que o único objetivo de uma obra de ficção é o entretenimento pelo entretenimento, Justiça provou que nem sempre é assim.

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Menção Honrosa: Tá no ar, Mister Brau & The Voice Brasil

O que vocês acharam? Qual produção mereceu estar no top 5 melhores séries brasileiras de 2016, mas não entrou na lista? Deixe seu comentário.

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