E não é que depois de quatro episódios, The Flash finalmente voltou ao padrão que havia utilizado em sua primeira temporada? Alegre, cheia de vida e bem diferente de Arrow, a série do Corredor Escarlate conquistou público e crítica por causa de episódios como The New Rogues, e após uma temporada e um retono inteiro centralizado em um clima menos alegre, Flash retornou ao status quo que tanto a beneficiou em seu ano de estreia. Rápida, cheia de humor e abordando com leveza um tema comum, este quarto capítulo não é apenas algo ótimo, mas demonstra que a equipe criativa ainda mantém uma noção bem delimitada de como criar bons momentos, sem o peso moral ou aspecto lúgubre de antes.
The New Rogues é o típico episódio que não acrescenta nada para a trama central da série. Com exceção da apresentação de um novo Harrison Wells, todo o tema ao redor dos novos vilões serviu apenas para termos Jessie Quick em ação, assim como a resolução da presença de Tom Cavanagh no elenco fixo da produção. Para ser mais exato, existiu todo um abraço caloroso a fórmula utilizada pelas revistas em quadrinhos dos anos 60-70, também conhecido como Era de Prata. São resoluções com pouca base científica e que retiram apenas o que importa de cada tema, o lado divertido. Pare muito para pensar a respeito e você terminará com várias dúvidas, mas quando encaramos uma adaptação que cria pessoas com superpoderes, o comprometimento com fatos científicos do mundo real não tem peso considerável na equação – e nem deveria.

A constatação de que a série estava precisando de momentos como o de The New Rogues é a prova de que existia alguma coisa errada, muito errada em Flash. Barry estava sim precisando de uma infusão de leveza em seu sistema nervoso. E quem conseguiu trazer de volta um Flash mais “solto” foi Jessie, que também garantiu para Wally o momento mais relevante do personagem desde que ele foi atingido pela segunda explosão do acelerador de partículas. Vou ser honesto aqui e dizer que até agora Wally não fez muita coisa. O feito mais relevante do personagem foi em uma linha alternativa. Com a nova velocista da Terra 2 o que tivemos foram cenas que funcionam bem dentro da mitologia do Flash, especialmente para quem está acompanhando as revistas de Rebirth, apresentando um conforto maior em ver Barry recebendo ajuda e uma dinâmica menos engessada para o Wally.
Claro que a trama dos vilões poderia ter sido melhor abordada, especialmente por causa do retorno do Snart, antes e depois de ter se transformado no Capitão Frio. É sempre ótimo tê-lo de volta, mas o Mestre dos Espelhos e sua namorada não conseguiram, sozinhos, segurar as pontas de um episódio intitulado New Rogues. Para começar, a utilização dos poderes do Mirror Master não explorou todo o potencial do personagem, tão expressivo na nona arte. Quer tenha sido pela vestimenta menos escandalosa, ou pelo fato de terem usado os espelhos apenas como portais, minando a diversão de miragens, por exemplo, a impressão final é a de que ficou faltando alguma coisa para deixar um episódio que já estava bom, em algo excelente.
The New Rogues funciona muito bem isoladamente e mesmo que sua trama não tenha cooperado para o vilão recorrente da temporada, ou qualquer tipo de reverberação da intromissão do Flash na linha do tempo, trabalha positivamente lançando algumas pontas para os próximos episódios e nos lembrando de um período em que a grande preocupação da série era ver a ótima química entre os personagens transbordando pela tela, além de muita ação descompromissada e sem nenhuma conexão com a destruição do tempo, ou do multiverso. Obviamente a situação irá mudar e o aspecto menos esperançoso irá retornar, afinal, Caitlin já está notando as mudanças características de sua doppelganger da Terra 2, Nevasca, e bom, aparentemente ela não se lembrou do que aconteceu com Cisco e passará alguns episódios sofrendo calada. No mais, até o romance entre Iris e Barry está caminhando muito bem, sem qualquer tipo de clichê costumeiro e abordando quão estranho é ver dois “irmãos” se beijando – a não ser que você assista Game of Thrones.
> Teorias Bizarras de Westworld
Easter eggs e outras informações
– Galeria de Vilões, ou Rogues, é o nome do time de antagonistas do Flash que ocasionalmente se juntam para dar trabalho para o Corredor Escarlate. Existem várias versões, com diversos membros, mas a mais conhecida é aquela composta por: Capitão Frio, Mestre dos Espelhos, Flautista, Mago do Tempo, Trapaceiro, Capitão Bumerangue, Pião, Abra Kadabra e Onda Térmica.
– Nos Novos 52, nome do reboot pós Flashpoint Paradox, a composição do time da Galeria de Vilões é: Patinadora Dourada (líder), Capitão Frio, Mago do Tempo, Onda Térmica, Trapaceiro e Mestre dos Espelhos.
– Mestre dos Espelhos já teve duas versões, assim como mostrado na série. A primeira, criada em 1985, atende pelo nome de Evan McCulloch, mencionado no episódio como o Mestre dos Espelhos da Terra-2. A primeira aparição de Evan foi em Animal Man #8, 1989. A segunda versão do vilão é mais recente. Criado para os Novos 52, Samuel Scudder foi introduzido em Flash Vol 4 #12 de 2012.
– Pião/Top não é uma mulher, mas sim um homem na nona arte. Roscoe Dillon (na série Rosalind) teve seu debut em The Flash #122 de 1961 e divide os mesmos poderes que sua contraparte live action.
– Foram mencionadas as Terras 17, 19 e Prime durante o episódio, além da Terra-1 e 2. Terra Prime é o nome da dimensão existente antes da Crise nas Infinitas Terras, um local onde super-heróis existem apenas na ficção. Seria o nosso mundo, o real. Depois de um tempo Terra Prime ficou conhecida como Terra-1, a Terra da série.
– Terra 17 – é uma realidade inóspita, fruto de guerras nucleares, ou como algumas versões apontam, resultado da droga Cortexin. Vale lembrar que durante os experimentos realizados no Grodd, na série, a droga foi mencionada. Graças a ela a Terra 17 é habitada por animais inteligentes e seres humanos escravos. Essa versão mais recente é baseada na Terra criada para os Cavaleiros Atômicos e Khamandi (Earth AD – After Disaster/Depois do desastre).
– Terra 19 – próxima da revolução industrial, a Terra 19, lar do novo Harrison Wells, é um local de avanço cientifico em um mundo centralizado na Era pós-Vitoriana.
– Durante seu treinamento com Jessie, Barry menciona que ele está parecendo o Oliver. O Arqueiro Verde, durante o primeiro crossover entre as duas séries, propôs um rápido treinamento para o Corredor Escarlate.















