
O mundo está cheio de tentações!
Spoilers Abaixo:
Na review do piloto de 666 Park Avenue eu resolvi ignorar o caso envolvendo John Barlow e sua falecida esposa Mary, pois queria mais tempo para refletir. Queria ter certeza da relevância do assunto no desenvolver da trama.
Pois bem, essa semana eu me sinto mais à vontade para comentar, sabendo que a relevância é a ligação que todos aqueles que venderam suas almas terão: ajudar o Gavin a atingir seus objetivos, até agora, comerciais. Ele usou o John Barlow com o objetivo de matar seu concorrente. John não fez, então John se escafedeu.
E então vimos que aqueles que de fato ajudam o Gavin, conseguem ter seu contrato extendido além dos 10 anos, o que é o caso da Danielle do apartamento 7G, que desde 1956 mata homens “indefesos” depois de ser usada e descartada, naquele rotineiro papel de mulher em sua busca eterna pelo amor. Tudo muito lindo, muito clichê e até muito dispensável.
Acho que o maior problema a ser solucionado pelo pessoal de 666 é a quantidade de situações despejadas para quem está assistindo. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que não sabemos no que prestar atenção, ou até mesmo, com o que se importar. Talvez no futuro (se houver um) esse aspecto se transforme em um ponto positivo, se bem desenvolvido.
Além do caso da solteira recalcada, tivemos a continuidade da bizarrice da janela indiscreta entre Brian e Alexis, que com Louise no hospital, teve um certo avanço. Ainda não sei qual é dessa Alexis, mas vamos concordar que ela é bem safadinha. Foi só a Louise virar vitíma de elevador doido, que ela já deu o bote!
E ao que parece, 666 realmente adotou o Hitchcock como muso inspirador. Já não bastasse todo o caso “Janela Indiscreta”, tivemos também a situação “Os Pássaros” com direito a momento e menção honrosa à Tippi Hedren.
Jane prova que quem muito cutuca acha. Ela cutucou tanto a parede do finado John Barlow que acabou achando o ninho de estorninhos residentes do The Drake. Não satisfeita, ela mostra que não tem piedade com passarinhos que não pagam aluguel e chama o exterminador, contrariando os conselhos da jovem gatuna Nona.
Insatisfeita em matar passarinhos indefesos, Jane resolve ir além e finalmente derrubar a parede da curiosidade e abrir a porta, que é quase uma Tardis (tá, tá, nem chega perto). Ao meu ver essa porta, literalmente maldita, é um portal para dimensão demoníaca contida no The Drake, certo?
E pobre exterminador, ele não estava ali só de enfeite. Ele foi o dono do melhor conselho óbvio: “Já pensou que quem cobriu essa porta, pode ter tido um bom motivo para fazê-lo?” Aaaaaaa vá!!! E foi ele mesmo quem pagou o preço pela curiosidade sem limites da Jane. Que momento bonito que foi aquele ataque dos estorninhos assassinos. Realmente, somente Hitchcock consegue transformar uma situação tão bizarra em algo genial, por que aqui em 666 foi somente meia boca.
E a Nona, continua roubando objetos do pessoal, continua tendo visões e continua não fazendo nada para ajudar, ou até mesmo atrapalhar. E assim, eu continuo não entendendo o que ela realmente está fazendo ali. E se foi ela quem realmente deixou o jornal de 1956 embaixo da porta da Jane, a pulga atrás da minha orelha, começa a formar a teoria que ela além de ser vidente é mais velha do que aparenta, já que o jornal realmente é de 1956, cópia original.
As partes mais interessantes em 666 envolvem o relacionamento de Gavin e Henry. Toque genial com a música You Belong To Me, de Patsy Cline, no começo do episódio, mostrando que realmente os desejos e até mesmo o sucesso de Henry pertencem ao Gavin, mesmo que ele ainda não saiba.
Henry é a bússola moral de 666, e isso ficou claro com o pequeno teste de Gavin, do prédio de um milhão que na realidade nada mais era que um grande desperdício de dinheiro por ser somente lixo tóxico.
Será interessante ver as oscilações morais do Henry. Como eu disse no começo dessa review, o mundo está cheio de tentações e em um momento ou outro ele cederá à alguma dessas tentações, afinal, ele é humano, ou não?
E é melhor a Jane abrir mesmo o olho, já que, como bem apontado pela sra. Olivia Doran, muitas mulheres se jogariam fácil, fácil em cima do Henry, a Danielle estava ali exatamente para exemplicar essa teoria.
No geral, outro episódio coerente de 666 Park Avenue (dentro do propósito da série), de novo me agradou e conseguiu manter minha curiosidade pelo que está por vir.
Múrmurio 1: A Louise acabou de assinar de vez sua sentença, ao aceitar o dinheiro do Gavin, pelo acidente com o elevador doido.
Múrmurio 2: Terry O’Quinn de novo prova que tem cacife para ser a atração principal dentro de qualquer série. Ele consegue deixar o Gavin assustador e adorável ao mesmo tempo, sem nem ao menos ter que se esforçar muito!
Múrmurio 3: E o porteiro Tony, hein? Que rapaz mais chato. Mas claro que ali tem!!
Múrmurio 4: Porquê será que toda série de suspense/terror/sobrenatural usa a música “I Only Have Eyes For You” do The Flamingos, ao retratar situações dos anos 50?












