Para acabar com os protestos, chame Jack Bauer.

Entre muitas qualidades que enxergo em 24, uma delas é o humor. Tem cenas que acontecem na série que por mais que não sejam cômicas, acabam por me fazer rir tornando a série ainda mais agradável. Jack pressionado para entrar no consulado americano e decide iniciar um motim apenas usando uma pistola presa à sua jaqueta, foi um exemplo. Quando ele deu o primeiro disparo e todos saíram correndo eu na hora comecei a rir com a audácia de Bauer. A criatividade dele é realmente inquestionável, mais ainda é a sua capacidade de sair de situações complicadas com o mínimo de recursos possíveis.

Em um episódio que seguiu a bem elaborada premiere dupla, era hora de frear as ações e preparar o terreno para as futuras tramas. Mas com 12 episódios, não dá para termos apenas preparação de terreno, por isso, a sequência final nos mostrou uma cena vibrante com direito a mais um encontro entre Kate e Jack, algo que promete ser recorrente. Qual o propósito dos roteiristas para esse jogo de gato e rato entre os dois? Um relacionamento amoroso? Com Audrey na jogada não sei se isso irá acontecer, mas não duvido disso, até porque em 24 não podemos duvidar de nada.

Por sinal, Audrey já passou da hora de descobrir que Jack está na área. Quando isso acontecer, irá agitar os bastidores do alto escalão e a casa do nosso egocêntrico Mark Boudreau vai cair. Já podemos ver que ele é um dos vilões da temporada. Ao falsificar a assinatura de Heller e usar da própria esposa para manipulá-lo em prol dos seus interesses, não me surpreendo se em algum final de episódio a Catelyn Stark, ops, Margot, ligar para ele dando algum report das ações. Por sinal, continuo muito satisfeito com essa história dos drones e do objetivo da Margot de atacar pontos estratégicos com eles. Realmente é o assunto do momento e com revelações na série de que ataques no passado foram feitos com uso de drones, fico me questionando se tudo é só ficção ou se é uma realidade que já vem acontecendo. Mais de três mil mortes foram direcionadas a ataques de drones na vida real, mas nada é conclusivo e muitos boatos e inverdades são lançadas na internet, e exatamente por isso que esse debate é bem-vindo.

E para quem criticou o visual Lisbeth Salander da Chloe, acho que podem ao menos se contentar, né? A perda do Moris e seu filho por um acidente forjado que tinha como alvo a própria Chloe é motivo suficiente para uma pessoa apresentar um lado sombrio. Tudo bem que o visual realmente lembra muito a Lisbeth, ainda mais por ela ser hacker como a protagonista da trilogia Millenium, mas pelo menos houve um motivo para isso e não apenas uma mera vontade de mudança de visual. Será que essa perda da família a afetará mais vezes como vimos nesse episódio? Eu acho que sim e não duvido se algo mais forte vier a tona em relação a morte de sua família. Aliás, ela e Jack formam uma das duplas mais interessantes que já vi no mundo das séries, ambos tem personalidade forte, são os melhores no que fazem e tem uma relação de cumplicidade indiscutível. Realmente 24 não pode existir sem um deles.

E pelas terras dos vilões, já vi que a trama de Margot e sua família promete fortes emoções. Achei o lance do genro arrependido e com medo das ações que irão acarretar com morte de civis será a chave para que ele dedure a própria família e venha a ajudar Bauer e sua trupe. Não os vejo como vilões até o final da temporada, mas sim como peões de um objetivo maior. É assim que 24 Horas sempre foi e não acho que mudará agora.

Por fim, queria fazer um desabafo: imaginem se 24 se passasse em São Paulo? Observei algumas coisas que mesmo em Londres já achei exagerado, mas se transportássemos essa realidade para cá acho que nem metade do que vimos aconteceria. Para começar a super conexão da Chloe. Fico impressionado como ela dentro de um carro no meio da rua consegue acessar streaming de vídeo tão rápido a ponto de 10 segundos depois hackear a base das câmeras e descobrir por onde a garota passou. Sério, aqui ficaria minutos dando loading e ela já estaria no Rio de Janeiro bebendo água de coco no Cristo Redentor. A facilidade para estacionar, a organização dos protestos. É… Espero que nunca passem por aqui.

Anotações do Intervalo:

– Acho que Yvone ainda sente saudades da sua participação em Dexter. Usar o sobrenome Morgan? Será que foi uma homenagem?

– Não elogiei semana passada por esquecimento, mas quero deixar meus parabéns à FOX pela agilidade e comprometimento em trazer os episódios de 24 apenas com 24 horas de diferença da FOX americana. É realmente prazeroso e ver como o canal está respeitando seus fãs. Se todos os canais fizessem isso, acho que os downloads cairiam mais da metade.

 

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