Eu geralmente sou uma fã de tramas paralelas, subtextos, personagens ambíguos ou pouco explorados e tudo mais que uma narrativa de uma série possa nos oferecer. Em 24, contudo, por mais que eu vá suspirar toda vez que o Jack ficar com aquele brilho no olho por causa da Renee, eu quero mais é correria, tensão. Porque sendo franca, se 24 dependesse desses personagens e dessas estórias que foram apresentadas nesses quatro primeiros episódios, eu não veria a série.

Spoilers Abaixo:

Considerar que esta possa ser a última temporada de 24 (era para ser, mas já começaram a falar em um nono ano) é triste, porque assim como Lost ela foi um marco narrativo e inovou na maneira de se fazer séries com sua estrutura; mas vendo os arcos que temos agora, tentativa de assassinato do Presidente, armas nucleares que precisam ser encontradas, agente da CTU que não é quem diz ser e o principal, Diretor da CTU que fica afrontando e desdenhando de Jack e Chloe apesar de todo mundo saber que eles sempre estarão certos, fica mesmo a impressão de que a premissa da série está esgotada.

Uma pena, porque a sensação que tive com a temporada passada foi justamente a oposta. A sensação é de que aquela foi uma temporada de renovação e reflexão, e essa será uma temporada igual a todas as outras. Porém, desde que não seja uma temporada igual a sexta, eu estou dentro.

Como eu já disse, o roteiro de 24 pode ser uma bosta ás vezes, mas a direção continua exemplar e a edição também sempre merece elogios sempre. Os dois primeiros episódios até foram um pouco lentos e chatos, já que faltaram elementos para criar ansiedade, mas o terceiro já mostrou novamente a essência da série.

A seqüência em que Jack é capturado por um policial poderia ter sido melhor, e eu realmente esperava que pudesse levantar algum tipo de reflexão/discussão, afinal Jack se encontrou do outro lado da moeda. E eu sabia que de alguma maneira ele ia escapar a tempo, mas não me impediu de ficar tensa com os avanços dos planos do assassino do Presidente Hassan.

Outro elemento que serviu para me deixar tensa foi o novo Diretor da CTU. Não sei como eles tem uma capacidade tão grande para produzir chefes que não passam de burocratas babacas todas as temporadas, e em todas as temporadas eles conseguem me irritar profundamente. Mas esse Hastings deve superar o Larry Moss em chatice, estou prevendo.

Pior que ele, só o Analista que não sabia quem é Jack Bauer (herege) e que é sério candidato a ser o traidor dentro da CTU da temporada. Ou o personagem que acaba morrendo no meio da temporada.

Ainda tem a Katee Sackhoff, que todo mundo ama desde Battlestar Galactica, e portanto todo mundo vai querer me bater, mas acho que ela está bem ruinzinha aqui. Não consigo suportar as caras e bocas que ela fica fazendo, e provavelmente não ajuda que dificilmente o segredo obscuro dela será algo mais que Kevin se revelando um ex-namorado violento de quem ela fugiu.

Já Freddie Prinze Jr me surpreendeu. Ele não está fazendo nada excepcional em termos de composição, mas definitivamente não é o mesmo ator que participou de Scooby Doo. E Cole tem tudo para ser o novo parceiro de Jack, que desafia seu superior e fica do lado de Bauer. Eu já previa isso quando ele disse a Jack que era um fã, e essa impressão se confirmou quando ele joga o carro na frente da bomba só porque o Jack mandou.

Por fim, temos o Presidente e seu irmão, que me parecem personagens apáticos a primeira vista, então espero Farhad não vá ser o principal vilão dessa temporada. E o Presidente Hassan é mais um personagem que se prejudicou por causa de uma traminha estúpida de começo de temporada, mas agora que ele se livrou da tentativa de assassinato e da amante, estou esperando que ele tenha espaço para crescer dentro da trama, porque gostei de Anil Kapoor.

Para não dizer que nada das estórias dos personagens me agradou, adorei as formas como Chloe e Renee retornaram. É interessante ver que Chloe dessa vez não voltou a ativa por causa de Jack, e sim porque Morris perdeu seu emprego e sua família precisava que ela fizesse isso. E o momento em que ela diz a Jack que ele nunca fez nada por ela foi talvez um de seus melhores na série. De fato, a relação dos dois sempre foi unilateral e já estava mais que na hora de ela exigir alguma reciprocidade.

Além disso, é ótimo ver a sua vasta experiência em terrorismo contrastando com a dos novatos que podem estar super atualizados com a tecnologia, mas sabem interpretar mais profundamente as informações de inteligência que descobrem. A maneira como ela notou que estavam armando para a Meredith foi um tanto quanto exagerada e a maneira como Jack descobriu para onde o assassino tinha ido um tanto quanto abrupta, mas até que valeu.

E então entra em cena Renee, que foi para mim um dos grandes destaques da última temporada. Quando terminamos aquele ano, Renee estava em um lugar bem sombrio, prestes a torturar Alan Wilson. Então não é surpresa que ela continue nesse lugar sombrio, mas fiquei um pouco pasma em descobrir que ela se tornou suicida e mais ainda de ver a preocupação de Jack por ela. Quer dizer, eu gosto dos dois como casal, mas Jack se recusa a ficar porque sua amiga e parceira de sei lá quantos anos pediu, mas é só trocar dois minutos de olhares com Renee versão 2.0 (torturada, auto-destrutiva e bad ass) e ele já está cancelando a viagem para LA?

E eu amo Annie Wersching, ela foi a minha segunda coadjuvante favorita ano passado (perdendo apenas para a fantástica Cherry Jones), mas alguém precisa dizer a ela para parar de fazer biquinho, porque é muito irritante e não é boa atuação. E ela vai ter o melhor arco da temporada, então ninguém vai esperar pouco dela.

Porque se ela cortando o dedo (foi o dedo mesmo?) do ‘amiguinho’ dela naquele final foi o melhor gancho dentre os quatro episódios, e se tem algo que me deixou ansiosa foi o prospecto de ver Jack e ela trabalhando sob disfarce com os russos.

E nós teremos mais um vilão Vladimir (Bierko foi um dos melhores), interpretado por Callum Keith Rennie vindo de uma participação em Californication que eu absolutamente idolatrei, então é claro que as expectativas estão altíssimas.

Então, em resumo, uma estréia de temporada que me espantou pela previsibilidade do enredo, mas que eu tenho fé que vá entrar nos eixos e oferecer uma última (possivelmente) temporada digna para Jack Bauer.

Um adendo:

  • Adorei a neta do Bauer. Muito fofa! E Jack é ótimo avô. Se eu fosse ele também ia querer sair correndo de toda essa confusão e ir ficar com a pequena Teri em Los Angeles.
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