Engraçado como uma tragédia nunca vem sozinha. Nesse ponto de 13 Reasons Why, quase na metade da temporada, já está mais do que claro o fato de a morte de Hannah estar influenciando diretamente os rumos e o estado dos demais alunos da escola. Se a mãe de Hannah já estava praticamente em estado catatônico e Clay está obcecado pela conclusão da narrativa de sua amiga, nesse episódio fica óbvio que Alex também já está a ponto de explodir. Nesse momento, inclusive, ele parece o mais inclinado a promover uma nova tragédia, com suas atitudes impulsivas e sua forte tendência passiva-agressiva.
No episódio anterior ficou evidente que ele não estava só impressionando os seus amigos ao dirigir naquela velocidade, e nesse sexto capítulo ele já começou explodindo com Montgomery. O curioso é que, após a briga, a maior decepção dele é justamente não ser punido! Alex se sente muito culpado pela morte de Hannah, e sente que precisa de uma punição da vida. A conversa que ele tem com seu pai ao final do episódio é reveladora por ser um momento de orgulho real de seu pai, mas que, apesar de ser uma conexão tão desejada, ele não consegue usufruir porque sabe que está acontecendo pelos motivos errados! Nesse sentido, aliás, que belíssimo trabalho do ator Miles Heizer, que consegue nos passar muito bem os sentimentos de Alex, até mesmo com o rosto de seu personagem praticamente deformado.

Em Fita 3, Lado B, também foram aprofundadas as histórias de alguns personagens da série, e principalmente suas relações com seus pais. Jess, Alex, Clay e os próprios pais de Hannah, e como eles conseguem conviver com a sombra da morte da filha. Percebemos que, da mesma forma que Alex e Clay estão caminhando direta e irremediavelmente ladeira abaixo, Justin e Jess estão igualmente em um momento delicado.
O mais curioso é notar que o momento complicado em que se encontram praticamente todos os personagens, é uma grande consequência do desejo de Hannah por um romance de verdade, com ares de contos de fada. Tentou com Justin, tentou com Marcus, teve sua rápida experiência com Courtney e mesmo seu momento com Alex, mas se decepcionou em TODOS eles. Talvez tenha sido justamente isso que a motivou a ficar interessada em Clay, um rapaz claramente mais tranquilo e potencialmente menos IDIOTA do que os outros.
Falando um pouco mais sobre Marcus e o plot principal do episódio, a ideia do Dollar Valentine foi um artifício de roteiro interessante, que nos apresentou a alguns fatores importantes para o desenvolvimento da trama:
1- Hannah pôde sair e se decepcionar com Marcus – E alguém achou que o destino desse date seria menos cruel do que realmente foi?
2- Clay rasgou seu papel sem que tivéssemos tido tempo de ver o que estava escrito! Será que Hannah estava lá? Se estivesse, por que ele rasgaria?
3- Esse foi o episódio em que ficou realmente cravado em pedra que Hannah está interessada em Clay.
4- Toda a lista de Hannah é feita por potenciais dates e potenciais “reasons why”, portanto não é demais esperar que até mesmo Bryce Walker será abordado em algum momento futuro!

Outro fato estranho desse episódio foi a relação entre Clay e Sherri. Por um momento parecia que ambos estavam tendo algum tipo de conexão real, realmente impulsionados de alguma forma pela (falta de) Hannah. Quando Sherri revelou, porém, que queria que Clay não escutasse o final das fitas, foi inevitável que nós próprios também nos decepcionássemos com o que estava acontecendo. Será que ninguém aprendeu NADA nessa escola? Ainda assim, tive a impressão de que essa pode até ter sido a motivação inicial, mas que Sherri realmente se envolveu com Clay, e saiu magoada de sua casa.
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Enfim, esse foi mais um belo episódio, que se aprofundou muito em determinados personagens e pontos da história. Me pergunto se a óbvia homossexualidade de Tony vai ser abordada em algum momento da série ou não, e ainda quero saber como ele está envolvido na trama como um todo. Ainda assim, esse foi um episódio que expandiu a trama e ajudou a construir muito bem os fatores que levaram Hannah a se matar.
















