Sabe quando a gente acha que tudo vai acontecer de uma maneira? A gente se acomoda nos plots, se acostuma com o vai e vem dos personagens e acha que tem a resolução para tudo. Pois bem, 12 Monkeys nunca foi uma série disposta a ficar na sua zona de conforto. Se você pensava dessa forma antes de assistir, principalmente essa temporada, provavelmente você foi enganado. TIQUE-TAQUE!

Recapitulando, Lilian disse para Cole na season finale da segunda temporada que “a morte pode ser desfeita, o amor não”. Naquele momento tudo era meio vago. Novidade nenhuma para uma série que gosta de brincar de explodir os nossos cérebros com inúmeras frases de efeitos que, na sua maioria, tiveram uma função justificativa para a forma como os personagens se comportaram ao longo da temporada, principalmente, Cole e Cassie. Nessa temporada não foi diferente. O amor e todo o sentimentalismo que rodeiam o casal desde o início continuou mais firme e forte do que nunca. Cole perdeu, buscou, reencontrou e se rebelou tudo pelo amor que ele sentia por Cassie. Aí vocês se perguntam: E os 7 bilhões de pessoas, onde ficam? Bem, ficam enterradas.

Todos do grupo Splinter sempre, sempre mesmo declinaram, querendo ou não, para a sobrevivência de suas escolhas pessoas em detrimento das 7 bilhões de vidas. Cole por Cassie, Cassie por Cole, Ramse por Samuel, Jennifer por sua tartaruga Terry, digo, por ela mesma e Jones por Hannah. Vocês devem estarem se perguntando: Sim, mais lá no início Cole, Cassie e Ramse queriam realmente salvar as vidas ceivadas, não era? Sim. Com toda certeza! Mas, o filósofo Deacon respondeu essa pergunta com mais uma frase de efeito justificativo. “Todos procuram acreditar em uma ideia, mas alguém precisa vendê-la antes”. Então, Jones foi uma vendedora nata ao fazer os três trabalharem em prol do bem geral, achavam eles. Na verdade, tudo era um bem individual de Jones. Sua filha Hannah fazia parte dos 7 bilhões de vidas perdidas. E para tanto, essa era a única vida que importava.

A busca dos personagens pelos filhos sempre foi um plot permanente na série.  Primeiro Jones, depois Jen foi atrás das suas “filhas”, Ramse por duas vezes buscou Samuel e Colsie (Cole + Cassie) foi atrás de Athan. Porém, antes de entrarmos no plot do Athan, é necessário comentar um pouco sobre o plot reciclado de Ramse nessa temporada. Alguém lembra dele? Fiquei bem feliz quando ele morreu. Finalmente! Ele já estava fazendo hora extra. O ciclo do personagem, uma perda, uma ruptura abrasiva, inconsequente, imprudente e eloquente, ou melhor, dizendo “burra” sempre se repetia e parecia um imenso loop maçante ao longo das temporadas. Talvez, faltou tempo em cena para que conseguíssemos nos importar com o seu drama por causa da morte de Sam. O fator emoção não perda do Sam adulto não funcionou. Consequentemente, o fato de Ramse aceitar novamente o estado Antari, fazer uma última jogada em um jogo que ele acreditava que já tenha perdido, também não. Lembrem-se, “a morte pode ser mudada” e Cole conta com isso. Provavelmente, essa não foi a última vez que o vimos.

Jennifer, Athan e supostamente a mãe de Cole \o/\o/\o/ desenharem uma serpente que engole a própria cauda em um movimento circular. Pois bem, esse desenho é chamado de Ouroboros. Ele, assim como tudo em 12 Monkeys, diz muito e quase nada entendemos. Ele tem vários significados e está presente em todas as culturas, épocas e continentes. Pasmem! A cobra guarda em si intrigantes paradoxos; se por um lado exprime uma ameaça, já que de seu veneno pode sobrevir a morte, por outro, resume no processo de renovação de sua pele escamosa todo o intrincado mistério da vida, que se atualiza em movimento rejuvenescente. Afinal, quem é a cobra de 12 Monkeys que representa o ciclo da vida, da mudança, do tempo, da evolução, da fecundação, do nascimento, da morte, da ressurreição, da criação, da destruição e da renovação? Se vocês notaram, na sequência acima, podemos perceber que ela mostra a ordem na qual a série 12 Monkeys caminhou ao longo das suas temporadas e também, acredito eu, como será concluída. Tudo acabará com o processo de renovação. O problema é: Renovação de tudo que foi perdido? Ou a renovação dos “time loops” como a imagem do Ouroboros sugere?

Porque não falar sobre a galinha? Até porque já falamos sobre macacos, tartaruga e cobra. Jeniffer, ora ovo e ora galinha sempre nos surpreende de uma maneira impressionante. Ela é a personagem coringa da série. Aquele que une tudo e todos em uma imensa dramédia e que ainda não chegou ao seu ápice. Como disse Athan “VOCÊ É A RESPOSTA”. E com certeza teremos esse destaque merecido na quarta e última temporada. Isso não quer dizer que ela não teve destaque nessa última. Muito pelo contrário, ela é no meu ponto de vista a personagem mais interessante e carismática da série. Cole e Cassie que me desculpem, mas Jen (Emilly Hampshire) reinou soberana e é por ela que eu torço e sofro desde o início. Afinal, nos conectamos com personagens que nos pareçam reais. Jen é completamente natural aos meus olhos. Como disse Ramse “Para ser humano, precisa ser um pouco doido”. Apesar dos 99 balões vermelhos, do telefonema dela com o tempo, do papo prolongado com a máquina do tempo, dos monólogos encenados dos grandes clássicos do cinema e até mesmo de querer seguir o plano à risca que ela mesmo criou e fez questão, junto com a Olivia, de nós contar quebrando a quarta parede mostra o quanto ela é um espécime (in)comum.

12 Monkeys
12 Monkeys

Esse plano mirabolante citado acima aconteceu no quinto episódio (Casuality). Os roteiristas investiram em um episódio com uma comédia caricata e uma trilha sonora equiparada (Lê-se Cher – Heart of stone) para que o telespectador pudesse respirar, rir e se divertir com as atrapalhadas de Jennifer e sua trupe. E eles desempenharam brilhantemente as suas funções. Inclusive a Jennifer ovo mirim. Para mim, ela é o Funko Pop da Jennifer galinha. Falando nos mirins que apareceram, não posso esquecer de mencionar que tanto o homenzinho pálido (ainda sem nome) como o Damien, digo, Athan foram igualmente convincentes e bem dirigidos.

Athan, aquele que testemunhou a destruição, mas que não era a Testemunha. Para tudo!!! (Uma parada dramática para respirar). Como assim? Fiquei em estado de choque quando descobri. Tal como a Olívia. Passamos os 35 episódios que antecederam essa season finale tentando descobrir a real identidade da Testemunha. Ela estava lá o tempo todo, desde os episódios iniciais. Só eu e um bocado de telespectadores que não viu. OLÍVIA É A TESTEMUNHA! Aplaudi de pé esse plot twist. Os roteiristas enganaram não só nós os telespectadores como também o próprio personagem \0/ \0/. E o melhor de tudo, não precisaremos engolir a história de Athan querer trazer o apocalipse por causa do amor que sentia por Eliza.

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Todo fim tem um começo. E um bom fim precisa de um bom começo…. Começamos a temporada bem e terminamos muito bem mesmo. Para mim, essa foi a melhor temporada até então. Ela fechou várias pontas soltas deixadas nos anos anteriores, trouxe um mega plot twist e se já não bastasse ela ainda desenterrou um plot quase que esquecido da primeira temporada. Quem é a mãe de Cole????????? Eu me despeso por aqui. Espero que a série seja capaz de manter a sua qualidade ao longo da próxima temporada. É a última viu pessoa! Vão em frente e compartilhem suas opiniões nos comentários abaixo. Até o ano que vem!!!

12 Monkeys
12 Monkeys

Monkey 01: Foi ótimo ver o Christopher Lloyd, nosso eterno Doctor Emmett da trilogia de filmes de volta para o futuro.

Monkey 02: Eu acho que a Jones vai dá um jeito de viajar no tempo com toda a instalação da Facility temporal.

Monkey 03: Parabéns para os efeitos especiais. Foram bem caprichados para o padrão SYFY de ser.

Monkey 04: Ainda bem que os coletes fragmentadores não se tornaram a bruxa da série. Eu, em alguns momentos me senti assistindo ao filme Jumper. Principalmente na sequência onde Cole e Cassie perseguiam Athan pelas linhas temporais.  

Personagens In Memoriam

Rip Ramse, Athan, Samuel, Eliza, Ariana, Madalena, Sebastian e a tartaruga Terry (Poxa Jen! Não precisava explodir as coitadas).

REVISÃO GERAL
Nota:
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12-monkeys-arte-enganar-cativarTodo fim tem um começo. E um bom fim precisa de um bom começo.... Começamos a temporada bem e terminamos muito bem mesmo. Para mim, essa foi a melhor temporada até então.