Um episódio aquém, conveniente e preguiçoso enlameia o histórico de 12 Monkeys.

Esta semana 12 Monkeys apresentou um episódio regado de muitas conveniências, coincidências e desleixos com a cenografia e com a iluminação, que me fizeram achar que os roteiristas escreveram este episódio deitados em uma rede, com muita sombra e água de coco. Ora, o bom roteirista é aquele que resolve seus problemas de maneira a surpreender o público, não o que olha para o lado enquanto elenca sequências obrigatórias do gênero.

Bem, o roteiro nos primeiros cinco minutos me fragmentou para uma outra série na qual sou pós-doutorado em 11º temporadas, Supernatural. Uma casa no subúrbio americano, uma mulher linda e loira se maquia em frente ao espelho, concomitantemente uma luminária pisca, ela se curva sutilmente para guardar um batom e quando volta a posição inicial, é assassinada por uma mulher misteriosa que aparece feito fantasma em seu quarto. Ao passo que o marido da mulher linda e loira que a espera na varanda impaciente é assassinado por um cumplice da mulher misteriosa. A mulher e o homem ambos misteriosos vestem as roupas de suas vítimas na velocidade da luz e vão à festa. Infelizmente, eu tive que rir dessa tosquice desnecessária.

Sei que a ideia dos roteiristas era apresentar o ano de 1944 ao mesmo tempo que apresentavam o casal de mensageiros. O problema dessa cena foi a insignificância dela para o contexto. Vocês devem estar se perguntando: Eles não precisavam assassinar o casal Applebaum para tomarem os seus lugares na celebração que aconteceria na Universidade de Columbia? Não! Eles não precisavam tomar o lugar de ninguém, porque eles poderiam perfeitamente entrar na festa como bons soldados que são. Não tem cabimento a mensageira seduzir o professor Thomas Crawford até o seu gabinete, na qual se tem acesso a partir de uma porta que estava trancada, onde do nada e feito o Mister M o outro mensageiro brota do chão. Se ele conseguiu chegar facilmente nessa sala, então penetrar na festa seria fichinha. Ainda mais, pela a inteligência e pelo raciocínio rápido, estilo Ayrton Senna, da mensageira ao descobrir que eles tinham o nome certo, porém estavam com a pessoa errada. O culpado da história sempre é o Júnior!!!

Já Cole e Cassie têm um raciocínio quase parando, estilo Rubens Barrichello, e decidem do nada levar um porta-retrato com a gravura de um macaco. O pior estava por vim. As informações esmiuçadas e que eles tanto precisavam brotaram do verso do porta-retrato. Penso que faltou uma seta indicativa dizendo: Informações aqui!

“O único fracasso é desistir”. Essa frase foi acautelada pelo simpático e fatalista Crawford Jr para Cole. Para mim, ele disse a coisa mais relevante do episódio. Anteriormente, essa frase já foi dita duas vezes e pelo mesmo personagem, Matthew Cole, pai de James Cole. Isso mesmo, essa frase foi dita no décimo segundo episódio, intitulado Paradoxo. Nele, Matthew diz a Cassie e a Jones que a mãe de Cole, Marion, era paranoica. Até hoje, não sabemos mais nada do envolvimento dela com o exército dos 12 Monkeys. Dessa forma, acabo tendo as minhas teorias um tanto descompensadas. Será que o termo “paranoica” utilizado para caracterizar Marion está associado ao ato dela não poder fazer nada para proteger Cole do exército dos 12 Monkeys? Ou, esse termo foi utilizado para designar que Marion sofria de esquizofrenia paranoica, assim como Jennifer e Crawford Jr? Será que ela é uma primordial? Teorias.

Julgando pelo que nos foi apresentado neste episódio, já que ele tem uma continuação, poderia dizer que a missão de Cole e Cassie e da dupla de mensageiros envolvendo os Crawfords foi superficial. Se o objetivo era criar um paradoxo (re)matando um primordial, por que não matar a Jeniffer? Ela sempre esteve acessível a todos. Em falando em matar, não entendi até agora o porquê de Ramse salvar Deacon da Floresta Vermelha. Logo o Deacon que o mataria sem pestanejar. Eu poderia até dizer que o Ramse alimenta o seu lobo bom (lenda mencionado em um outro episódio). Mas não! É burrice mesmo.

Esse episódio nos presenteou com um mega erro na cenografia e na iluminação. Tudo aconteceu na sequência na qual Cassie chega ao hotel Emerson. Notemos que a chegada   dela tem um enquadramento fechado e ele pega em detalhes a porção principal da fachada cenográfica do hotel. Na fachada existem várias janelas no primeiro andar, sendo que três dessas encontram-se centralizadas com a porta de entrada. Todas as janelas possuem cortinas com layouts de amarrações diferentes e são iluminadas com uma luminescência amarelada, dando a entender que são quartos. Porém, quando Cassie adentra, percebe-se que existem apenas duas janelas centralizadas com a porta e que as cortinas apresentam o mesmo layout de amarração e não são quartos, são janelas do pé direito duplo do Lounge do hotel. Cassie quando estava no lado de fora do hotel, vimos que estava de noite. Contudo, ao adentrar, percebe-se que a iluminação propagada do exterior para o interior é intensa e muito esbranquiçada, parecendo a luz do dia.

Por hoje é só, espero que a continuação desse episódio seja bem melhor e menos preguiçosa e desleixada. Bola para frente e série que segue. Vão em frente e compartilhem suas opiniões nos comentários abaixo. Vejo vocês semana que vem. Até lá!.

Monkey 01: A sequência lamentável inicial foi embalada pelo hit da década de 40, Pistol Packin’ Mama interpretada por Big Crosby e The Andrews Sisters composta em 1943.

Monkey 02: Foi interessante ver como a população americana eram arcaicos (quanto aos costumes e hábitos), paranoicas (quanto ao eminente bioterrorismo) e o quanto eles odiavam os japoneses (reflexo do ataque mortífero a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941). Frisa-se que os Estados Unidos iniciaram o seu programa de armas biológicas em Fort Detrick, Maryland, 1941).

Artigo anteriorAgents of S.H.I.E.L.D. 3×19: Failed Experiments
Próximo artigoThe Flash 2×20: Rupture