Todo ano é a mesma coisa: os Knockouts chegam, e, com eles, uma vontade incontrolável de nocautear os coaches… E, às vezes, alguns candidatos também.

Não sei se ainda preciso explicar por que os Knockouts são minha etapa favorita do The Voice. É o momento em que o candidato escolhe a canção com a qual irá se apresentar, o que significa uma oportunidade de entendermos melhor cada candidato como artista. É uma terceira chance de conhecermos essas pessoas antes da abertura ao voto popular, o que significa maior apego emocional a elas. E, por fim, é um momento em que a competição já afunilou a um ponto em que é impossível não termos performances pra lá de incríveis!

Mas é claro que, com todas essas vantagens, sempre virão problemas. Sempre reclamaremos de pareamentos errados, de decisões erradas, de Steals usados e não usados. Mas, se tem algo que, a meu ver, é mais difícil de perdoar são as escolhas erradas dos próprios candidatos. Tirei os Knockouts da ordem da exibição e os separei em grupos de acordo com seus times por uma questão de organização. Assim, nada melhor do que começar com o Knockout mais emblemático e representativo das polêmicas que essa fase envolve (ao ponto de eu ter tomado um spoiler no meio da fuça ao acessar a review para ler os comentários na semana passada #xatiado). Apertem os cintos, e vamos nessa!

TEAM BLAKE

Knockout 1: Holly Henry – Creep (Radiohead) vs Nic Hawk – Genie In A Bottle (Christina Aguilera)

http://www.youtube.com/watch?v=LOI4OsxfOkY

Entendo o desapontamento dos fãs que não viram a batalha de Holly Henry. Particularmente, eu fui um deles, fiquei bem desanimado quando percebi que a performance seria parte de um combo. O problema é que o Knockout apenas confirmou minha teoria de que a batalha foi cortada por ter ficado abaixo do nível do The Voice. Holly é muito querida e fez uma ótima blind, mas, por mais que a menina tivesse vendido no iTunes, o momento inicial de avaliação não é feito pelo público justamente para que isso já aconteça quando os filtros técnicos já tenham sido passados pelos coaches. Infelizmente, Holly foi pega em um desses filtros. A apresentação de “Creep” foi completamente desastrosa, com Holly errando praticamente todas as notas da canção (e, não, o fato de ser uma canção sobre ser um peixe fora d’água neste mundo não legitima o desastre). Somada às tremidas de voz, a desafinação foi tão grande que foi realmente incômodo de ouvir, por mais que a garota estivesse se entregando de corpo e alma à música. Além disso, onde está a Holly etérea que tanto amamos? Por que ela resolveu virar uma roqueira maluca que tenta berrar quando seu timbre é tão naturalmente delicioso quando usado de forma sutil? Nic, por outro lado, continua não sendo um vocalista digno de chegar aos shows ao vivo, mas ao menos entregou uma versão interessante de “Genie In a Bottle”, não desafinou tanto e ainda conseguiu explorar bem tanto os agudos como os graves em sua apresentação. No fundo, esse pareamento acabou sendo desperdiçado, pois nenhum dos dois entregou algo realmente digno dos live show s do The Voice, mas, já que é necessário escolher um, vou acatar a decisão de Blake e dizer que achei justíssimo que Holly tenha sido eliminada. Adam, ao tentar explicar o motivo de não ter roubado a menina, acabou nos entregando que, tanto nas batalhas como nos Knockouts, Holly não conseguiu atingir as expectativas criadas em sua blind, e por isso acabou eliminada.

Vencedor: Nic Hawk.

Knockout 2: Briana Cuoco – Don’t Speak (No Doubt) vs Shelbie Z. – Last Name (Carrie Underwood)

http://www.youtube.com/watch?v=F62gOu62_C8

Houve alguns Knockouts em que era bastante fácil perceber quem venceu, mas nenhum deles foi tão óbvio, escancarado, gritante, quanto Briana vs Shelbie. Bri pode até ter tido um pico em sua trajetória com “House Of The Rising Sun”, mas voltou a ser a Bri cuja blind horrível tanto amamos criticar. E Bri conseguiu se superar, desafinando durante boa parte da música e entregando inúmeros versos absolutamente horrendos antes de terminar com uma super nota até decente. A isso, seguiu-se uma Shelbie Z. extremamente consciente de seu poder vocal, que entregou uma performance à prova de críticas e de falhas. Pessoalmente, adoro ver pessoas que não se encaixam nos padrões de beleza sabendo sensualizar com classe e dignidade, e, a meu ver, foi exatamente isso que Shelbie fez com sua jogada de quadril. Decisões como essa mostram bem quem é Shelbie Z., uma cantora que, além de talentosa, se recusa a render-se e ter vergonha de seu sobrepeso. Shelbie manteve a pimenta do início ao fim da apresentação, e não se descuidou dela nem mesmo quando precisou berrar as supernotas no fim. Apresentação cheia de personalidade que mereceu com louvores seguir para os Lives.

Vencedora: Shelbie Z.

Knockout 3: E.G. Daily – I Can’t Make You Love Me (Bonnie Raitt) vs Ray Boudreaux – Hard To Handle (Otis Redding)

http://www.youtube.com/watch?v=VB9SIs01Stk

Pobre E.G., enfrentando um dos maiores destaques da etapa de batalhas. Particularmente, achei a escolha da canção de Bonnie Raitt um passo errado da parte da cantora. Nesta altura da competição, E.G. era a mais velha dos participantes restantes, com 52 anos de idade. E sabemos o que esse tipo de reality faz com cantores mais velhos antes dos Lives: chuta. Assim, era esse o melhor momento para escolher algo um pouco mais atual, tirar essa impressão de que a idade faria diferença. Além disso, a implacável Christina fez questão de pontuar que E.G. ficou sem voz no final da apresentação (realmente, o último “I Can’t Make You Love Me” me fez sofrer por ela, fiquei com pena), e praticamente entregou o Knockout ao rival, que aproveitou bem a oportunidade e conseguiu fazer com que um clássico da soul music parecesse uma brisa de ar fresco. A voz de Ray não é apenas potente, é também realmente agradável e impressionante, e o cantor consegue se sobressair mesmo sem fazer uso de muitas acrobacias e floreios vocais. Não havia dilema, e Blake foi direto ao ponto e deu a vitória a Ray.

Vencedor: Ray Boudreaux.

Knockout 4: Austin Jeckes – I’ll Be (Edwin McCain) vs Brandon Chase – Even If It Breaks Your Heart (Eli Young Band)

http://www.youtube.com/watch?v=1FqYJxPq_Ro

A edição decidiu encerrar os Knockouts do Team Blake com o embate mais boring do time, quiçá da temporada. Não dá pra negar a imensidão da voz de Austin a esta altura da competição, mas “I’ll Be”, sério mesmo? Manjada, entediante e, como bem disse Christina, extremamente unidimensional. É muito difícil prestar atenção em uma apresentação com zero de dinâmica. Achei a escolha de Brandon bem mais interessante, mas, sejamos francos, o rapazinho não seria páreo para Austin nem se escolhesse a música mais incrível do planeta. Meu momento favorito do Knockout foi, de longe, a colocação de Blake de que é mais interessante manter alguém que canta acima do tom do que alguém que canta abaixo, já que essa última pessoa provavelmente tem uma extensão vocal mais limitada. Faz muito sentido.

Vencedor: Austin Jeckes.

TEAM CEE LO

Knockout 1: Kat Robichaud – You Oughta Know (Alanis Morrissete) vs Monika Leigh – Hit The Road Jack (Ray Charles)

http://www.youtube.com/watch?v=VDopmS3XNpA

O suspense passou longe do Team Cee Lo nesse início de Knockouts, com uma briga que desde o início já sabíamos quem venceria, e assim prosseguiu até o fim. Mais uma vez, fiquei decepcionado com Kat pela escolha musical. “You Oughta Know” já é bastante manjada, e acho muito difícil alguém que não seja Alanis fazendo sucesso ao cantar Alanis. Ainda assim, a intensidade de Kat chama muito a atenção, tanto para o lado positivo, que  diz muito sobre sua capacidade de se expressar, como para o negativo, já que, como bem disse Adam, às vezes a cantora parece querer matar alguém, e não vejo isso como uma coisa muito boa quando penso no impacto sobre o público votante. Monika, que já entrou roubada e quase sem chance de vitória, facilitou para a concorrente e entregou uma performance que, apesar de competente, pareceu  excessivamente calculada, perdendo assim seu brilho diante da energia espontânea de Kat.

Vencedora: Kat Robichaud.

Knockout 2: Cole Vosbury – Let Her Go (Passenger) vs Jonny Gray – We Can Work It Out (The Beatles)

http://www.youtube.com/watch?v=eS0aAfN4K4Y

A meu ver, esse foi o grande breakout moment de Cole Vosbury (que havia tido sua batalha espremida em um combo) na competição. A escolha de repertório foi brilhante (uma canção não tão obscura quanto eles disseram ser, mas não tão conhecida que caísse em um lugar comum). É muito bom ver cantores que arriscam, que se apresentam com canções que não necessariamente são conhecidas da galera e que não necessariamente irão vender como água no iTunes (em tempo: a apresentação de Cole nos Knockouts vendeu como água!). Quando o risco corrido dá certo, só temos motivos para nos enchermos de orgulho. Cole não só se manteve fiel à própria identidade como também usou e abusou de recursos vocais na medida certíssima, sem fazer mal à performance. Jonny, por sua vez, preferiu a zona de conforto e fez exatamente o que esperávamos dele. Isso não muda o fato de seu timbre ser algo fora do comum, que transborda personalidade. Faltou algum brilho na apresentação, mas Jonny estava com o saldo mais do que positivo, e por isso, embora eu acredite que Cole tenha vencido esse Knockout, apoiei Cee Lo em sua decisão de levar Jonny para a próxima etapa. Mas também apoiei Adam e Blake, que tentatam roubar Cole. Houve tensão legítima durante a expectativa para a escolha de Cole, e Blake, esse cagão de uma figa, conseguiu o campeão de vendas do iTunes nesta semana por conta disso. Achei que dizer “Não sei quem eu sou como artista” foi extremamente corajoso da parte do rapaz, mas, por outro lado, sinto muita falta da época em que a trajetória do cantor era realmente importante em um reality musical, da época em que entrar pronto não era uma exigência, o que permitia que os participantes se dessem ao luxo de experimentações sem serem julgados e condenados por isso. Cole pode ser um bom representante desse tipo de jornada, mas espero que Blake não tente forçar uma countryficação semana após semana, pois não precisamos de uma Cassadee Pope 2.0 em termos de trajetória.

Vencedor: Jonny Gray.

Steal: Cole Vosbury (Team Blake).

Knockout 3: Stephanie Anne Johnson – Don’t Cry a Have Don’t Know Why (Norah Jones) vs Tamara Chauniece – No One (Alicia Keys)

http://www.youtube.com/watch?v=CqpPCvUkd0k

Isso é o que eu chamo de um Knockout UAU! rs. A meu ver, era praticamente impossível tomar uma decisão apenas por uma das cantoras. Stephanie, que, confesso, ainda não havia me conquistado em definitivo, fez um trabalho absolutamente incrível com “Don’t Know Why”. Pela aproximação bastante sutil de Norah Jones, essa não costuma ser uma música que permite uma grande demonstração de potência ou de técnica vocal, e é aí que reside o brilhantismo do trabalho de Stephanie: roubando as palavras de Adam Levine, Stephanie fez muito com muito pouco, foi praticamente o milagre da multiplicação dos pães e peixes se ele fosse transformado em um fenômeno musical. Já Tamara, que ainda não havia conseguido me impressionar, fez um trabalho excepcional com “No One”. Eu não conhecia a versão em reggae, então não sei quanto disso foi Tamara e quanto já existia antes dela, mas confesso que gostei bem mais dessa versão do que da original, e vejo ao menos que Tamara, além de vocais impecavelmente espetaculares, também conseguiu entrar no clima do arranjo que escolheu, com alguns detalhes de pronúncia e inflexões que combinam demais com o reggae. Devido ao histórico superior, confesso que eu estava mais interessado em continuar vendo Stephanie do que Tamara, mas acredito que Cee Lo tenha tomado uma decisão estratégia ao perceber como Christina gostou do Knockout (a reação da coach foi a mesmíssima demonstrada na batalha Caroline x Anthony, e sabemos como essa história terminou naquela ocasião). Por isso, ele escolheu Tamara, e deixou Stephanie para ser merecidamente recuperada por Christina, em um movimento interessantíssimo que a nova regra do Steal nos Knockouts passa a permitir a partir desta temporada.

Vencedora: Tamara Chauniece.

Steal: Stephanie Anne Johnson (Team Xtina).

Knockout 4: Caroline Pennel – The Way I Am (Ingrid Michaelson) vs George Horga Jr. – Because Of You (Ne-Yo)

http://www.youtube.com/watch?v=RhNR3c_50kc

Ao contrário do que aconteceu com o Team Blake, no Team Cee Lo, o melhor – ou, melhor dizendo, A melhor – ficou para o final. Caroline, mais uma vez, não decepcionou na escolha musical e nem na execução. Admito que seu Knockout não teve o mesmo impacto que suas duas apresentações anteriores, mas isso se deve principalmente ao fato de que, desta vez, Caroline escolheu uma música mais indie, mais próxima da carreira que ela realmente deseja seguir, e por isso sua abordagem mais original, que costuma significar uma mudança brusca e maravilhosa em algum hit bastante conhecido, acabou passando mais despercebida. Ainda assim, tudo funcionou na apresentação: a voz, a timidez, o figurino, o cabelo e até a mãozinha claramente trêmula quando a cantora tentava fazer alguns gestos. Fico preocupado com Caroline porque esse estilo costuma enjoar o público antes da final do programa (Lindsey Pavao e Melanie Martinez que o digam), mas espero que com ela as coisas sejam diferentes. George, tadinho, mesmo tendo se apresentado com alguma competência (sejamos justos, George poderia se dar muito bem no mercado com a produção certa), não teve nem chance, e me deixou imaginando o quão mais interessante teria sido se Cee Lo tivesse se livrado dele e colocado suas duas garotas originais para se enfrentarem agora.

Vencedora: Caroline Pennel.

TEAM ADAM

Knockout 1: Ashley Dubose – Hey, Soul Sister (Train) vs Tessanne Chin – Stronger (What Doesn’t Kill You) [Kelly Clarkson]

http://www.youtube.com/watch?v=lw-2J-4Wyyk

Eis o Knockout que melhor representa o problema de escolher ser do Team Adam: você pode ter virado quatro cadeiras e impressionado geral, mas sempre corre o risco altíssimo de enfrentar outro 4-chair turn cedo na competição, e acabar não tirando vantagem alguma de seu favoritismo. Foi exatamente o que aconteceu com Ashley Dubose, que, com sua péssima escolha musical, fez uma apresentação legalzinha, divertidinha, sem problemas, ali na frente, mas não conseguiu chegar a lugar algum vocalmente porque a música não permitia. Tessanne, enquanto isso, escolheu o mais recente hino de Kelly Clarkson, daqueles que você berra do início do fim, e mais uma vez mostrou potência e alcance absurdos no palco! Se o The Voice fosse um desenho animado, Tessanne teria transformado Ashley em uma bola de basquete e jogado a própria rival na cesta, marcando três pontos com facilidade. Incrível!

Vencedora: Tessanne Chin.

Knockout 2: Grey – Already Gone (Kelly Clarkson) vs James Irwin – Breakeven (The Script)

Entrei nessa batalha importando-me muito pouco com o resultado, pois Grey havia me perdido em sua batalha insossa, enquanto James nunca chegou de fato a me ganhar. Porém, a apresentação da cantora me desperto novamente para seus belíssimos vocais, e achei que ela mostrou um desempenho bem mais sólido em todos os sentidos do que na apresentação passada. James, por sua vez, continuou a não me impressionar. Acho que faltou um pouco mais de dinâmica em sua apresentação, achei que ele usou um pouco demais a voz de peito, mas merece elogios por ter atingido muitas notas altas consideravelmente difíceis. Por isso, gostei mais de Grey, e fiquei feliz com a vitória da moça. P.S. – O QUE FOI o feedback técnico de Christina para Grey??? Desde a segunda temporada não vejo um comentário que me intriga ao ponto de me fazer voltar à apresentação e rever, rever, até entender exatamente do que a pessoa está falando. Que trabalho sensacional!

Vencedora: Grey.

Knockout 3: Lina Gaudenzi – I’d Rather Go Blind (Etta James) vs Preston Pohl – No Woman No Cry (Bob Marley)

http://www.youtube.com/watch?v=_VX4c0GsUeM

Esse é outro Knockout cujo vencedor já estava claro muito antes do início das apresentações. A questão é: antes das apresentações, eu estava completamente em paz com a ideia, mas, assim que elas terminaram, minha cabeça já estava completamente diferente. Lina Gaudenzi calou minha boca, provando que seu Steal não foi nem um pouco desperdiçado. Cantar Etta James nunca vai ser fácil, e Lina não só cumpriu a tarefa com uma facilidade impressionante como também mostrou-se uma vocalista excepcional, com extensão vocal gigantesca e sensibilidade para fazer um excelente uso desse dom durante cada segundo da canção. Adorei particularmente a dica de Adam Levine para o trecho “I was just, I was just, I was just sitting here”. Fazer uma aproximação sutil antes da explosão foi um incremento maravilhoso, que acrescentou demais à apresentação. Acreditei nela, acreditei na desilusão amorosa proposta, acreditei que a própria Lina preferiria ficar cega a ver o amado andando com outra. Preston, ao contrário, escolheu uma música que não lhe permitia expandir nem um pouco em relação ao que sabemos sobre ele. Ao contrário, passei a duvidar de sua capacidade de vencer o programa, porque, sejamos francos, “No Woman No Cry”, a não ser que venha numa versão completamente nova pra nós, não é música que um vencedor escolheria a esta altura da existência dos nossos realities musicais. Por isso, estou 100% com Christina nesse Knockout: se houve alguém que mostrou a que veio, que expandiu seus limites, que impressionou aos espectadores, esse alguém foi Lina, que venceu Preston facilmente quando analisamos apenas o embate entre eles.  Mas Adam seguiu seu plano inicial e deu a vitória para Preston, o que, racionalmente falando, foi uma escolha correta, mas, fazendo uma análise específica desse Knockout, o cantor me passou a impressão de ser um novo Bryan Keith no Team Adam: ótimo, mas sem força para ir realmente longe.

Vencedor: Preston Pohl.

Knockout 4: James Wolpert – More Than a Feeling (Boston) vs Juhi – I Heard It Through The Grapevine (Marvin Gaye) [Creedance Clearwater version]

http://www.youtube.com/watch?v=e4pYbdf2oqM

Ok, esse foi mais um Knockout que me incomodou bastante no Team Adam, em primeiro lugar pelo pareamento extremamente cruel entre James e Juhi (embora, depois de ver a escolha da cantora, eu tenha compreendido um pouco melhor o pareamento). E, em segundo, por ser mais um Knockout em que Adam ignorou completamente as performances na frente dele e escolheu quem ele já queria ver passando mesmo se não houvesse esta etapa do programa. Essa, foi, aliás, a má impressão que Adam deixou em mim nesta temporada: a de que poderíamos cancelar os Knockouts e apenas eliminar pessoas chamando-as pelo nome, que absolutamente nada teria mudado no Team Adam. Logo ele, que eu admirava por vir de um histórico de duas temporadas como o único coach que realmente considerava as performances e eliminava seus próprios concorrentes em favor de Steals que os tivessem superado. Voltando a James e Juhi, o que vi foi que o primeiro se perdeu completamente em sua apresentação, entregando uma das piores apresentações da semana e cantando fora do tom (e em vários tons errados diferentes em cada trecho da música) durante praticamente a performance inteira. A única coisa que “More Than a Feeling” acrescentou na trajetória de James foi a clara percepção de que ele nem de longe tem o cacife de um Terry McDermott para abordar o rock clássico com competência. Juhi, por outro lado, parece estar mais preocupada em cantar bem do que em cantar com personalidade desta vez, e entregou uma apresentação que, ao mesmo tempo que não perdeu a característica e a originalidade típicas da cantora, foi a melhor performance vocal de Juhi até aqui. Achei curioso o desespero de Adam por frear a criatividade de Juhi quando ele não teve a menor preocupação com isso com James, o que resultou no desastre que vimos. Desastre que ele decidiu ignorar, e eliminar da competição mais uma vencedora de seu Knockout.

Vencedor: James Wolpert.

TEAM XTINA

Knockout 1: Amber Nicole – Mamma Knows Best (Jessie J) vs Josh Logan – Living For The City (Stevie Wonder)

http://www.youtube.com/watch?v=eRoYGWYXJuY

O primeiro pareamento de Christina me incomodou bastante, principalmente quando olhamos para o time como um todo e percebemos quem a cantora deixou por último. Mas chegaremos lá futuramente. Por enquanto, vamos a essa batalha com a qual pouco me importei. Amber realmente conseguiu mostrar uma baita voz e ser bem mais carismática do que vinha mostrando até agora, mas eu ainda acho que “Mamma Knows Best” não é uma escolha tão interessante. É uma canção muito gritada, que acaba passando a impressão errada a quem assiste. Josh Logan, bem mais contido, me incomodou um pouco porque sinto uma tendência do roqueiro de tentar emular os intérpretes originais das canções que escolhe. Ainda assim, estou com Adam quando o coach diz que Josh tem uma extensão vocal admirável que nunca foi tão bem utilizada como aqui. E, com a minha queda por melismas bem executados e bem utilizados, acabei torcendo por Josh e ficando feliz quando o rapaz foi o escolhido de Christina. Logo de cara, a edição decidiu exibir o primeiro Steal, de Cee Lo, que eu já acharia desperdiçado em condições normais, mas, considerando que o coach já tem cantoras do estilo em seu time, é mais absurdo ainda. Em tempo: Blake também apertou o botão e ouviu de Cee Lo que “não tem talento nenhum” em seu time. Cee Lo não estava tão errado assim em sua afirmação, mas, se até numa review de blog esse tipo de afirmação costuma gerar hostilidade, imaginem em rede nacional, vinda de um dos próprios coaches do programa. Pegou mal, e eu espero que esse tipo de coisa não seja usada como critério para as votações.

Vencedor: Josh Logan.

Steal: Amber Nicole (Team Cee Lo).

Knockout 2: Destinee Quinn – See You Again (Carrie Underwood) vs Olivia Henken – You’re No Good (Linda Ronstadt)

http://www.youtube.com/watch?v=bYoRbyll6Ng

Não enxerguei a dúvida que Christina tanto demonstrou nesse Knockout. Destinee encarnou de maneira fortíssima a dica de “cantar com emoção”, e a cada apresentação parece cada vez mais brega, além das semitonadas que se tornaram algo extremamente comum em suas performances. Já Olivia, apesar de realmente ter cantado acima do tom como disse Blake Shelton, mostra muito mais força em suas performances. Olivia precisa urgentemente passar por uma extreme makeover para não parecer uma Carrie Underwood wannabe, mas acredito que ela possa superar o problema caso perceba que ele existe. Assim, entre alguém que precisa de originalidade e alguém que precisa de mais qualidade artística, ainda voto tranquilamente na primeira. E, pelo jeito, Christina também.

Vencedora: Olivia Henken.

Knockout 3: Anthony Paul – The Other Side (Jason Derulo) vs Jacquie Lee – Stompa (Serena Ryder)

http://www.youtube.com/watch?v=nuH9YWMlEcM

Em primeiro lugar, não posso deixar de comentar o pequeno diálogo entre os coaches exibido antes desse Knockout, em que Adam diz que gostaria de ser um concorrente para fazer parte do Team Xtina, e a cantora, numa reação quase intuitivamente, vocaliza o shipper AdamTina, criado pelos fãs lá atrás, na primeira temporada do programa. Para um fã do The Voice, esse momento não significa apenas que Christina está atenta ao que dizemos. É algo representativo da trajetória desse excelente grupo de coaches, da história e do elo que eles criaram nesses últimos três anos. Enfim, voltando ao Knockout, senti na pele a decepção de Christina com a escolha musical de Anthony Paul, e ainda assim fiquei bastante incomodado com o baixo nível da apresentação do garoto, que precisava fazer muito melhor do que isso depois de entregar uma das melhores batalhas da temporada. As notas mais altas, o falsete, tudo foi bastante mal executado, e fiquei até com um pouco de pena, porque, depois de Anthony facilitar tanto para Jacquie, a menina veio e passou por cima dele como um verdadeiro rolo compressor! Jacquie me impressionou em níveis jamais vistos! Tudo na apresentação da garota deu certo, da escolha musical incrível e extremamente original até as notas altíssimas extremamente bem executadas que mostraram um alcance de sua voz até então inédito no programa, passando pela presença de palco impecável que Christina a ajudou a desenvolver durante os ensaios. E assim, Jacquie Lee entra para o meu Top 5 da temporada (apenas a título de curiosidade, meu Top 5 é, sem ordem definida, composto por Jacquie, Ray, Caroline e os dois integrantes do próximo Knockout, o último da temporada). Go, Jacquie!!!

Vencedora: Jacquie Lee.

Knockout 4: Matthew Schuler – Cosmic Love (Florence + The Machine) vs Will Champlin – If I Was You Man (Bruno Mars)

http://www.youtube.com/watch?v=cqdPU-p3zfg

Definitivamente, entre todas as decisões erradas tomadas pelos coaches nesta temporada (e foram várias!), Christina, cujo desempenho vinha sendo impecável até agora, conseguiu cometer a estupidez mais imbecil entre todas as que vimos!!! Onde essa mulher estava com a cabeça ao parear Matthew e Will? Por que tanto protecionismo (e aqui eu me refiro a todos os coaches) em relação a quem já começou o show no time dela(e) própria (o)?  A injustiça de parear Matthew e Will reside no fato que todos sabemos que Christina jamais abriria mão de seu 4-chair turn, e pareá-lo com alguém com a competência de Will Champlin, enquanto Amber e Josh ganham o presente de serem postos juntos em um mesmo Knockout, é completamente inaceitável! Não vou chamar o erro de Christina de cagada porque, a esta altura, já sabíamos que nenhum dos candidatos seria eliminado do programa (suspense pra quê, né, edição?), mas definitivamente foi um erro estratégico absurdo. Imaginem o nível de um Team Xtina com Matthew, Jacquie e Will em um Top 12? Como que essa anta não pensou nisso??? Mesmo que Matthew e Will não tivessem sido as duas melhores apresentações entre todos os Knockouts (e eles foram com folga!!!!), é possível farejar esse erro de longe, e desanimei muito com Christina depois de ver esse pareamento. Tudo isso posto, vamos às performances: O QUE FOI Matthew berrando como se não houvesse amanhã, completamente incapaz de errar sequer uma notinha (e muito menos os notões dificílimos que ele atingiu!), de sair fora do tom, de ser menos do que absolutamente perfeito??? Chega a irritar!!! E aí você só pensa “Pobre Will, vai ser destruído depois disso”, mas chega Will e te impressiona ainda mais!!! Demos crédito a quem merece: Christina foi perfeita incentivando Will a trazer camadas diferentes à canção, e inspirou o cantor a entregar uma apresentação absolutamente incrível, que mostrava força quando precisava e vulnerabilidade quando o momento era mais adequado. Como Matthew, Will foi incapaz de cometer qualquer erro vocal, e entregou uma performance muito mais completa do que o rival, muito mais tridimensional e interessante, com uma dinâmica riquíssima que acabou fazendo o impossível: superar a performance que o antecedeu. Quero dizer, entendo por que Christina não abriria mão de Matthew, ainda mais depois de uma performance como a dele, mas, a meu ver, diante da linearidade da apresentação do primeiro, o vencedor desses Knockouts (comparando com qualquer outro candidato) foi Will Champlin. Adam, felizmente, pôde fazer justiça e impedir que Will fosse eliminado, trazendo de volta para si um excelente candidato – e, ironicamente, o melhor candidato do já fortíssimo Team Adam!

Vencedor: Matthew Schuler.

Steal: Will Champlin (Team Adam).

Assim, finalizamos os Knockouts, e estamos prontos para os Lives. Mal posso esperar!!! Vamos àquela rápida análise dos times?

Team Adam: Will Champlin, Tessanne Chin, Preston Pohl, James Wolpert, Grey.

O Team Adam é tranquilamente a melhor equipe desses Lives. Sejamos honestos: quando a pior pessoa do time é do nível de Grey, fica difícil reclamar das decisões do coach, não é verdade? Ainda assim, torço muito, muito mesmo, para que Will supere a concorrência e entre para o Top 12 pelos votos do público (já que Adam dificilmente salvará alguém diferente de seus queridinhos James, Preston e Tessanne).

Team Xtina: Matthew Schuler, Jacquie Lee, Stephanie Anne Johnson, Olivia Henken, Josh Logan.

O Team Xtina também conta com cantores muito respeitáveis, e vejo tanto em Matthew quando em Jacquie potencial para chegarem a uma final. Duvido que esses não sejam os escolhidos do público, e espero que Christina salve Stephanie, mas, conhecendo a imprevisibilidade da coach, não podemos considerar Olivia e Josh como cartas fora do baralho ainda.

Team Cee Lo: Caroline Pennel, Jonny Gray, Kat Robichaud, Amber Nicole, Tamara Chauniece.

Caroline é uma fortissima concorrente do Team Cee Lo, e pode muito bem dar ao coach sua primeira vitória no programa. A briga pela segunda vaga pelos votos do público ficará entre Kat e Jonny, e duvido muito que Cee lo não passe aquele, entre os dois, que o público não passar.

Team Blake: Ray Boudreaux, Cole Vosbury, Shelbie Z., Austin Jeckes, Nic Hawk.

E Nic Hawk segue para os Live shows, puxando para baixo a média do já inferior Team Blake. A questão é que sabemos que os votos recebidos por esse time pouco têm a ver com a qualidade do artista e muito com  o carisma de seu coach, e, por isso, com Ray, Cole (que pode muito bem se o próximo Nicholas David) e a interessantíssima Shelbie Z., fica difícil descartar a possibilidade de que Blake volte a ter o time mais longevo da temporada. Torço para estar errado, porque é realmente a pior média entre as quatro equipes, mas sei que provavelmente não estarei. Até os Lives, pessoal!!!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.