Teve urso, arco e flecha, mas não teve diversão.
Brave nunca ofereceu para Once Upon a Time o tipo de mitologia necessária para tornar Merida uma personagem relevante, ou interessante. A própria personalidade dela não cooperou para transformá-la no tipo de heroína que a história pedia. Em todas as suas cenas e participações Merida passou arrogância e petulância, no lugar da coragem e bondade de coração. Colocá-la para dividir um episódio inteiro com Belle, outra personagem que não teve muito destaque nos últimos três anos, poderia ter sido a oportunidade de ouro para desenvolver interesse em ambas, além de dar um senso melhor e mais honesto para Merida. Bom, não foi o exatamente o que aconteceu.
Merida passou todo seu arco na série querendo salvar os irmãos, que eu imaginei terem seus cinco, seis anos de idade, não adolescentes crescidos e maiores do que ela. WHYY? Nenhum deles foi capaz de lutar pela irmã? Nenhum deles foi capaz de fugir? Reagir? Pensar? E onde estava a coragem e honra da heroína quando ela decidiu nocautear a Belle, ao melhor estilo os Três Patetas, ao invés de simplesmente pedir ajuda? A história da Belle anda tão desprezada, que nem ao menos uma bruxa foi escalada para que ambas vivessem algum tipo de perigo real durante o flashback. Quando Once Upon a Time entrega bons episódios, com interações válidas e divertidas, fica fácil desprezar o roteiro apressado e cheio de falhas, por outro lado, quando tudo é bem mais ou menos, esses desvios ficam em destaque.
Belle sempre foi inteligente, mas a série chegou ao ponto de precisar mencionar através de Merlin, que ela realmente não é apenas mais uma figurante de luxo. Só que o problema está exatamente aí. Ao precisar de uma nota de rodapé para afirmar sua inteligência, assume-se o erro e a negligência dos roteiristas em criar algo crível, interessante e válido para a personagem. Resumida a carregar uma compota de flor por cinco episódios, apresentar um em que ela é a ajudante da heroína não favorece, mas coloca em evidência os problemas com os coadjuvantes da série, que até então estavam ganhando uma boa sequência de episódios.

O problema com uma trama desinteressante é que ela joga todos os outros personagens para o mesmo limbo. Por exemplo, fomos forçados a acompanhar Regina, David, Mary Margareth e Hook, ao redor de uma vasilha, cozinhando cogumelo, por um episódio inteiro. Além de ainda estarmos presos a história do Arthur, que todo mundo já sabe que não vale o cogumelo que pisa, mas que por convenções do roteiro (leia amnésia), ainda permanece como alguém digno de confiança, permanecia, no caso. E separar cinco personagens só para assistir um cogumelo sendo lançado em um caldeirão é meio desanimador, não é?
Eu nem sei o que dizer a respeito da história do Rumpel, que passou de irritantemente covarde para irritantemente heroico em um episódio. Alardear que ele reverteu a forma que possuía antes de ter conquistado a magia é, no mínimo, nos chamar de burros. Ou todo mundo se esqueceu de que ele foi o responsável por unir o trio de bruxas “malignas” na temporada passada, sem magia e no mundo real? É o tipo de saída fácil que o roteiro da série adota que não passa desapercebido quando o episódio não diverte.
Lembro de ter ouvido da rainha RuPaul a seguinte frase uma vez: “Tudo pode ser perdoado se você for engraçada, mas você não foi”. E é exatamente assim que OUAT se desenvolveu por quatro anos e seis episódios. Quando a série é engraçada, charmosa e gostosa de assistir, nós nos esquecemos dos efeitos ruins, do fato de uma atriz do calibre da Lana Parrilla ser forçada a segurar um cogumelo de plástico e entregar falas sérias e inteligentes, ou a cronologia bagunçada, que requer explicação do criador da série vez ou outra. Porém, quando o episódio é fraco e os personagens não são interessantes, fica difícil perdoar os deslizes.
As saídas rápidas e fáceis possuem uma grave desvantagem, elas se tornam incrivelmente ridículas. O cogumelo não queima, que cômodo para os roteiristas, não é? A bruxa não estava na casa, mas deixou o caldeirão no fogo, um pergaminho com a poção que a Merida precisava, que simples. Então, não, não é fácil defender Once Upon a Time, que até estava mantendo bem a força durante esta primeira metade da temporada.
Outro ponto que me incomodou muito foi a posição de herói que o Rumpel assumiu no final do episódio. Ele retirou excalibur da pedra e a entregou para a Emma, mas não sem antes desferir algumas palavras de ameaça. Seria muito interessante ter o Rumpel como antagonista de um Dark One, sem a covardia e sem magia, se a Dark Swan realmente botasse medo nos telespectadores. Até o momento Emma não tem feito nada realmente digno de uma vilã. Colocar Merida para transformar o Rumpel em um herói não é algo ruim, é algo bom, mesmo que o método utilizado tenha sido extremo. Quebrar o coração do filho, como a Zelena pontuou, não é assim tão grave quanto nossa verdinha quis passar, uma explicação e tudo volta ao normal. Então, o episódio quis passar um tipo de seriedade e antecipação totalmente desconexos da realidade da série no momento.
The Bear and the Bow figura facilmente entre os episódios de Once Upon a Time que eu menos gostei. Belle tem sim potencial, todos nós sabemos, mas as cenas boas dela só acontecem ao lado do Crocodilo. Robert Carlyle é um ótimo ator, que conseguiu tirar leite de pedra neste episódio, mostrando várias nuances diferentes do mesmo personagem, em um curto período de tempo. Contudo, como eu já disse na cobertura da temporada passada, a série está esgotando um ótimo personagem e ator. Chegará o momento em que a série precisará aceitar o que já está claro, seu elenco é competente, mas a história já não comporta tanta aglomeração sem conteúdo. E eu nem comentei a respeito do bebê Neal, desaparecido desde a première.
PS1. Merida provou que, família que junta usa tintura para cabelo vermelho paixão avassaladora dez, junta permanece.
PS2. Compota de flor não marcou presença, uma vitória.
PS3. Zelena comendo onion rings e despejando deboche. Podem fechar um episódio só com ela comendo frango frito direto do balde.
PS4. Sobre o PS anterior – Regina alimentando a irmã com suco verde, salada verde e legumes verdes. Supergêmeas do deboche, ativar.
PS5. Rolam boatos que de depois de ferver o cogumelo, Regina realizou uma festa particular em seu cafofo. Ou deu o chá para os roteiristas beberem, explicaria muita coisa.
PS6. Caixa postal mágica – Obrigado, Regina. Já Merlin, melhore, todos sabem que até preso em árvore você consegue mandar recado, ou você gosta mesmo é de estragar a sessão de cinema dos outros?
PS7. Merida utilizando a tática Chapolin Colorado para nocautear suas vítimas. Os roteiristas dessa série já desistiram.
PS8. O que foi a Merida sendo abraçada por três perucas usando humanos como apoio? QUEM COMPRA ESSAS PERUCAS?
PS9. Robin WHO?
PS10. Esperando um dos roteiristas da série postar uma imagem no Twitter pedindo perdão pelo vacilo que foi o episódio maravilhuóso desta semana.















