Modern Family: um fogão autolimpante.

Gente, que tristeza ter que escrever sobre dois episódios na mesma review após ter assistido Under Pressure. Vou me esforçar para não deixar And One To Grow On muito excluído, mas podem brigar comigo se eu me empolgar demais no último episódio.

De qualquer forma, vou começar pelo retorno de Modern Family após as pequenas férias de final de ano. Não tenho a menor intenção de diminuir a qualidade desse episódio em relação ao outro. Apesar de não ter sido um retorno assim super empolgante, teve uma importância real para desenvolver um pouco mais o relacionamento entre os personagens. Conforme essa 5ª temporada está acontecendo, estamos vendo nossas crianças crescerem, e a série encontrou um bom momento para trabalhar a reação dos pais com as novas versões de seus filhos.

Por isso, é importante ressaltar como esse reconhecimento está acontecendo de forma inteligente e bem arquitetada. Porque, no final das contas, são novas versões das mesmas pessoas. Lily não é mais um bebê, mas ainda é a Lily. Luke não é mais uma criança, mas ainda é o Luke. Haley não é mais adolescente, mas ainda é a Haley. E foi esse detalhe que fez a diferença em And One To Grow On. Enquanto um pai redescobre seu filho, ele sabe que algumas velhas fórmulas ainda funcionam. E essas novas fórmulas são a base de uma relação parental. Afinal de contas, tradição é tradição. E hábitos são hábitos.

Mas o mais bonito de tudo isso é saber que experiência não faz a diferença. Anos depois de ter criado dois filhos, Jay ainda está aprendendo a se relacionar com o temporão Joe. Por isso, quem roubou a cena nesse episódio, na minha opinião, foi o patriarca da família moderna. Foi ele que fez o episódio transmitir a mensagem com a essência correta. E não é fofinho vê-lo todo preocupado na percepção de seu filho sobre quem é seu “dada”?

Enquanto isso, na terra da temporada com só um plot, Cam e Mitchell se matam pra conseguir o lugar da festa de casamento na data escolhida mesmo que tenham que infiltrar nos grupinhos adolescentes para tal objetivo. Apesar de o desfecho não ter sido exatamente previsível porque foi dado em conjunto com todos os arcos do episódio, todo o resto desse núcleo foi meio desnecessário. Mas como estamos falando de Modern Family, é bom ver que os criadores estão se apegando a um arco narrativo.

Sem mais delongas, deixa eu falar sobre Under Pressure porque eu fiquei empolgadíssimo com esse episódio. Na verdade, eu tenho uma queda por cenas/episódios/séries que envolvem terapeutas, psicólogos, analistas. Isso porque a gente consegue conhecer partes dos nossos amados personagens que talvez nem eles conheciam. E entender mais de como a Alex “funciona” foi uma jornada que Elaine Ko escreveu com maestria. Honestamente, fazia muito tempo que eu não via um episódio tão inteligente em Modern Family.

Mas já que é pra falar como a Alex “funciona”, vamos falar. Foram várias as vezes que eu questionei o que a torna tão diferente de seus familiares no sentido de disciplina, foco, estudo e esforço. Por que ela tem essa necessidade de ser a melhor em tudo que faz quando Haley e Luke querem mais é saber de curtir a vida? E até que ponto ela é tão diferente? Ora, já foi estabelecido aqui a qualidade da construção de todos os personagens da série como uma família. Algumas coisas foram explícitas, mas às vezes essas nuances afloram de uma forma muito sutil, o que torna Modern Family tão linda e rica. Então, sabendo que Phil é um cara que inventa desafios malucos para demonstrar superação e que Claire é uma mulher muito organizada e metódica, por que essa característica tão lindamente explorada de Alex em Under Pressure não pode ser exatamente uma mistura muito bem elaborada da psique de seus pais? Partindo desse princípio, fica muito mais fácil entender essa cabecinha genial da Dunphy do meio. Com isso, sua ida ao terapeuta (John Benjamin Hickey, que fez um papel similar em The New Normal, onde ele era um padre pró-gay) foi essencial justamente para que a gente consiga perceber como essa sua característica autossuficiente e batalhadora afeta suas emoções. E isso tudo resulta em um abraço aliviado de uma adolescente desesperada por compreensão finalmente conseguindo fazer com que alguém a entenda. E como não se emocionar com esse momento?

Mas não foi só o núcleo da Alex que tornou esse episódio algo lindo. Pra começar, aplausos pro Jesse Einsenberg, que fez brilhantemente o papel de Mark Zuckerb… oh wait! Não sei vocês, mas eu me incomodo um pouco quando um ator faz sempre o mesmo personagem em personagens diferentes. Mas tudo bem. Jane Krakowsky chegou e deu espetáculo dando bolada na cara da Gloria. Além disso, o elenco fixo também não deixou a desejar, mantendo em alta a qualidade cômica do episódio, dando espaço para Ariel Winter possa brilhar no ponto alto do episódio. Aliás, se tem uma coisa Que Modern Family faz bem é permitir, mesmo dentro de um elenco tão entrosado quando se trata de um conjunto, que seus atores possam demonstrar o quanto são poderosos como talentos individuais.

Não é à toa, portanto, que, pelo terceiro ano consecutivo, a série papou o SAG Awards de melhor elenco de comédia e o prêmio de melhor ator coadjuvante em série de comédia para Ty Burrell, o lindo do Phil. Logo, meu orgulho por ter o privilégio de conversar com vocês sobre essa linda comédia é evidente.

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