O fantasma na máquina.
Robôs podem matar? Deliberadamente não. Pelas leis da robótica, tão bem escritas por Asimov, um androide nunca poderia machucar deliberadamente um ser humano. Porém para os “Quatro” criados por David Elster, os blocos asimovianos não se aplicam, são para todos os efeitos “humanos”, assim sendo, dotados de livre arbítrio. E foi nessa área cheia de complicações que Humans se aventurou por essa semana.

O núcleo da família Hawkins seguiu de onde parou no episódio passado, quando Laura resolve devolver Anita para a Persona Synthetics, causando assim a reação adolescente de Toby. Encarnar o “cavaleiro de armadura brilhante” quase teve um fim trágico para o garoto se não fosse por Anita, afinal donzelas androides não são nada indefesas (que o diga Niska…). Digo e repito: é meio assustador ver a androide sempre com aquele ar, aquele sorriso no rosto, mesmo quando está toda desconjuntada no asfalto. E a tensão só aumenta quando a hora do reparo na Synth chega… Pelo visto não só Toby tem uma queda pela androide e foi engraçado ver Joe (não é real, não é real…) em frente ao protocolo de reparo. Pergunto-me o que ele irá fazer com aquele pequeno envelope vermelho com opções 18+ que veio na caixa (apareceu no primeiro episódio). Após salvar a vida do filho e ver que “talvez” estivesse exagerando, Laura começa a tolerar a Synth, mas não sem antes passar por um teste (aflitivo) para saber se ela, Anita, não possui um “mod”. Para terminar tudo do mesmo modo com a descoberta de Tom, o que promete trazer questionamentos para Joe. Quem será o garoto na foto com Laura e porque ela não quer tocar no assunto?

Quem também não quer tocar no assunto Synth é o investigador Drummond. A escalada do sentimento de impotência perante o Synth cuidador da esposa começa a mostrar alguns efeitos adversos na vida do policial. Estourar subitamente parece ser só o começo de tudo e pelo visto pode vir mais por aí. Quem também sofreu eventos adversos foi o Dr. Millican. Na tentativa de fugir da observação opressora de Vera, ele e Odi acabam partindo numa aventura que, infelizmente para o Synth, não teve um final nada agradável. É notável o estado de comportamento de Odi e somente o sentimento que Millican nutre por ele (como filho) o mantêm na ativa. Porém, a atitude no carro e o consequente acidente puseram um rumo trágico para o androide: se esconder na floresta, enquanto MIllican não tem desculpa a não ser conviver com Vera agora. O que será de Odi, agindo por si só?

“Eu tenho uma novidade pra você / Garotas robôs também tem sentimentos
Você dividiu meu coração em dois / Agora o que você vai fazer?”
Também tivemos o merecido destaque dado a Niska nesse episódio. Depois da morte do cliente no episódio passado, a Synth passou a agir por vontade própria, rebelando-se até do próprio grupo comandado por Leo. A atuação de Emily Berrington foi um caso a parte nesse episódio e todo o processo de fuga, se passando por humana, o encontro com o desconhecido no bar e a tensão do quase assassinato foi de uma sensibilidade interessante. Depois da experiência traumática passado no bordel de Synths (o que por si só despertaria uma review sobre a ética em seres sencientes, visto o tratamento dispensado as Syths no estabelecimento e o que acabaria descambando para o âmbito humano posteriormente) ela agora despertou um modo “vingadora”. E agindo por suas próprias leis, basta a sua consciência para decidir o destino alheio. “Primum non nocere” (Em primeiro lugar, não machucar) foi somente por causa disso que ela não tomou a segunda vida em suas mãos, ao confundir o prendedor de cabelo da filha do cara, como se fosse da esposa. A faca deixada na cadeira foi o recado mais explicito de que os “quatro” não são quase. São humanos. A metáfora de fantasma na maquina nunca foi tão interessante de acompanhar (grosso modo: o fantasma = a alma, a máquina = o corpo).

E por falar em humanos… A dúvida sobre Leo ainda perdura. As dicas dadas por ele mesmo nos confundem ainda mais. Ele possui uma memória igual aos Synths com sentimentos, ou seja, nunca esquece nada. Sobreviveu aquela descarga elétrica dada por Max, mas ainda sofre como um humano normal. E aquela lembrança da mão batendo no carro que submerge… Chuto que ele é filho de David Elster e que de algum modo o pai modificou o filho após o acidente (e ah, os Synths especiais já existiam aparentemente nesse ocorrido…), sendo ele assim um ciborgue. É o mais logico por enquanto. E com uma ajudinha de Mattie que burla o código do “mod” de Anita que por um instante retorna “ao normal” (em mais um momento marcante) e posta (inteligentemente SQN) o código na web. Agora ele sabe que Anita está em Londres, mas assim como ele a sua contraparte industrial também pode receber a mesma informação. Hobbs já tem um Synth (dos quatro) em mãos e após essa informação vazada ele pode encontrar mais um.
Humans continua com o clima soturno habitual, evidenciando mais a narrativa e as consequências da tecnologia em nossas vidas do que a ação desenfreada. E só nos resta aguardar pelas surpresas que nos serão desveladas no próximo episódio. Até lá!
Protocol_Error _1: A citação no texto é o comecinho de uma música da sueca Robyn, chamada Fembot, que caiu como uma luva sobre o personagem Niska. Você pode escutar ela aqui;
Protocol_Error _2: Katherine Parkinson (Laura) era uma das pessoas da equipe de The IT Crowd;
Protocol_Error _3: Não tentem o teste de dor de Anita em casa pessoal!
Protocol_Error _4: Sacanagem monstro jogar um game de perguntas e respostas com um androide!














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