Buscando o timing preciso para se consolidar na TV americana.
Numa fall season com vários fracassos, principalmente entre as comedias, Brooklyn Nine-Nine vem, aos poucos, conseguindo mostrar que pode ter gás para sobreviver à verdadeira chacina de cancelamentos que deve ocorrer mais uma vez. A série não vem sendo genial, hilária ou espetacular, mas está conseguindo consolidar seus personagens, que ainda estão na busca do tom, o que é muito natural entre as séries cômicas que nunca estreiam atingindo todo o seu potencial logo de cara. É claro que a audiência, que não é muito animadora e nem muito distante das outras comédias da Fox, vai ser determinante para a continuidade ou não da série, mas acredito que ela tem tudo para evoluir e ficar mais engraçada ao longo da temporada. Ter sido escolhida para ser exibida após o Super Bowl, com certeza, é uma boa notícia e sinal de que a Fox acredita que a série ainda pode conquistar mais fãs.
Em ‘The Vulture”, tivemos o retorno de Gina, que, para mim, é a melhor personagem da série. Desde o piloto, Chelseas Peretti, atriz que dá vida à personagem, vem sendo consistentemente engraçada e conseguiu se estabelecer comicamente de forma mais rápida que seus colegas de elenco. Terry Crews, o eterno pai do Chris, também vem obtendo certo sucesso, sendo que isto ocorre muito mais pelo carisma natural do ator do que pela força do texto, que até agora tinha reservado as piores e mais caricatas piadas para o Sargento Terry Jeffords. Pelo grande sucesso do ator em “Everybody Hates Chris” e até mesmo em “As Branquelas”, o personagem tem tudo para se tornar o ponto forte da série, mas, para isso, os roteiristas precisam começar a colocá-lo na história principal e aproveitar melhor as situações de humor que ele pode render. É verdade, que, desta vez, ele conseguiu certo destaque, principalmente pela ótima dobradinha com Gina, mas acredito que ele possa crescer ainda mais se não ficar tão à margem da história principal, o que parece o caminho natural dado o desfecho da história. De qualquer forma ele foi responsável pelos momentos mais engraçados do episódio com os flashbacks que mostraram seu desespero atirando em manequins e piñatas, recitando as falas de Top Gun e finalmente conseguindo acertar os 8 tiros, tudo por conta de sua química sexual selvagem com Gina.
De todos os episódios até aqui, este foi aquele que conseguiu apresentar a melhor trama e o maior equilíbrio entre os personagens. O Abutre, o agente que assume os casos que estão praticamente resolvidos, os soluciona e ganha todos os créditos por isso (algo que me lembrou bastante a Rapina do episódio de Las Vegas de Friends), foi uma ótima maneira de unir o esquadrão e reforçar a química entre o elenco. O mais legal foi ver Dean Winters, mais uma vez, vivendo um personagem tão divertidamente canastrão e cafajeste, relembrando seus ótimos momentos como Dennis Duffy em 30 Rock. Quem também se destacou bastante foi Charles, que foi presenteado com o melhor quote do episódio:
“It was like having sex with a Transformer”.
O principal mérito do episódio foi, finalmente, conseguir evoluir a relação entre os personagens, sendo eficaz ao criar uma ótima cena entre os agentes Peralta e Santiago, dando início ao óbvio plano de criar um relacionamento entre eles. É importante notar que Andy Samberg começa a se adaptar à nova realidade, conseguindo ser muito mais eficaz na medida em que deixa de ser exagerado e de tentar roubar todos os holofotes a todo momento. De forma mais contida, ele consegue dividir a atenção com seus colegas de elenco e ainda ser bem mais eficaz em suas piadas.
Brooklyn Nine-Nine definitivamente entrou na minha grade de programação e continuará nela, pelo menos, enquanto a Fox não cancelar. As semelhanças com Parks and Recreation, principalmente na concepção dos personagens (não tem como não encarar Secully como uma nova versão do Jerry), ainda são evidentes, mas aos poucos a série vem formando sua própria identidade. Numa safra tão ruim de novas séries, a comédia de Andy Samberg vem fazendo bonito e garantindo 20 minutinhos de pura diversão.















