Já tenho uma série para chamar de “maior decepção da fall season”.

Desde os primeiros anúncios sobre as novidades que viriam na fall season 2013/2014, criou-se uma onda de expectativas relativamente baixas para o que estava por vir. Confesso que eu mesmo não estava muito animado dessa vez, e pouca coisa despertou de verdade meu interesse. Uma dessas poucas coisas era Brooklyn Nine Nine. Só os nomes de Andy Samberg e Terry Crews já seriam suficientes para isso, mas a premissa realmente me pareceu interessante e, de todas as promos de comédias, a de B99 foi talvez a única que me arrancou um risinho, mesmo que torto. Mas, infelizmente, acho que chegou a hora de me render e admitir: Brooklyn Nine Nine não é e dificilmente será o que eu imaginei.

O maior erro da série continua consistindo puramente em falta de graça. Se nos dois primeiros episódios eu consegui esboçar umas risadinhas muito fracas (o que é muito se levarmos em consideração as bombas que estrearam recentemente), nesse terceiro nem isso. Ele usou a mais básica das estruturas de um episódio de comédia, que são os três plots, e nenhum deles funcionou como deveria.

No primeiro, onde Jake sofre de uma maré de azar na sua carreira profissional, há sim uma leve melhora, já que o lado mais Didi Mocó do personagem foi deixado de lado, o que já é um alívio. Mesmo assim, parece que a química entre ele e o Capitão não parece funcionar como o planejado, e as piadas são simplesmente muito fracas, e o modo mágico e sem qualquer precedente com que a história se completou foi totalmente avulsa e em nada ajudou.

Mais uma vez, é Gina quem se destaca e garante o melhor plot do episódio. Mais uma vez, palmas para Chelsea Peretti que fez tudo um pouco menos ruim. Embora não seja uma personagem totalmente inovadora – acredito que nem seja preciso citar com quem ela se parece -, foi Gina, de novo, quem deu todo o ar cômico que talvez tenha sido o mais próximo que o episódio conseguiu chegar do termo “engraçado”. O contraste entre o pensamento de quem trabalha só com papelada e o das detetives funcionou dentro da história, e só faltou um pouquinho mais de empenho do roteiro para que talvez a gente pudesse rir um pouco dentro dessa narrativa. Além disso, foi ela que protagonizou o ponto alto (?) do episódio: a dança ao som de “Beautiful”, da Christina Aguilera.

Sobre o plot envolvendo Terry e Charles na construção do castelinho, apenas uma palavra: desastre. Ali absolutamente nada funcionou ou fez sentido, e quando Terry Crews está envolvido em algo que foi tão sem graça, é sinal de que algo muito errado está rolando nesse roteiro.

É, eu apostei minhas fichas em Brooklyn Nine Nine e acredito que dessa vez me dei mal. Realmente acreditei que a série fosse evoluir aos poucos, mas estou sentindo um regresso. Pode até ser que ela melhore, talvez seja renovada e as coisas comecem a engrenar. Se eu começar a ouvir comentários mais positivos, da crítica ou do público, é possível que eu volte a embarcar na série, mas, por enquanto, estou pulando fora. Infelizmente, o que eu considerei ser um tiro quase certeiro, acabou saindo pela culatra.

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Aleph Macaullay
Goiano que foi viver no caos de São Paulo mas não esconde as origens caipiras e chora quando ouve "Evidências". Radialista por formação e redator publicitário por profissão.