Não se julga uma comédia pelo piloto, mas e quando o segundo episódio não engrena?
Os pilotos de séries cômicas sempre foram conhecidos por não serem confiáveis no que diz respeito a criar-se alguma opinião sobre elas. Mesmo assim, pessoas com pavio mais curto ou menos tempo livre tendem a abandonar séries com mais facilidade, e, com Brooklyn Nine Nine, acredito que a paciência delas em esperar que a coisa decole esteja por um fio.
Nunca esperei nada revolucionário ou roteiros mirabolantes nesse gênero, desde que a função principal – a de fazer rir – fosse alcançada. Portanto, a previsibilidade do desfecho do plot principal, no qual Jake devia decidir se prenderia ou não o filho de seu superior, de maneira alguma me incomodou. Era óbvio que o detetive faria a coisa certa e o capitão intercederia em sua defesa. O que eu realmente esperava era que a desenvoltura desse caso rendesse momentos divertidos, mas esses não pareceram ser fortes o suficiente. Cenas como a que Peralta pergunta qual a fase atual da lua para colocar em seu relatório, quando mostra a seção “Sobre o autor” do documento, ou quando finge ter o nome de sua companheira de trabalho no momento em que está algemando Trevor, são engraçados, mas parecem um motor esquentando para dar partida e trazer algo mais marcante, quando acaba ficando morno de novo.
Por outro lado, Amy, Rosa e Charles foram uma decepção à parte. Parece que qualquer faísca de química entre eles sumiu com a ausência de Peralta e tudo teria sido um verdadeiro desastre se não fosse pela presença de Gina e sua amiga vidente. Aliás, pausa aqui para um elogio a Chelsea Peretti, que está muito bem no papel da “inútil do departamento”. Bendita foi a hora em que a administradora ouviu a conversa do trio e acabou se envolvendo na trama, trazendo toda sua falta de noção e delicadeza para uma dimensão do episódio que teria sido uma catástrofe sem ela. Gina é a personagem mais bem construída e fixada até o momento, com suas expressões caricatas e acidez bem pontuada.
Além de Gina, devo também pontuar a boa utilização dos flashbacks. Jake jogando o celular na privada, Charlie explicando “o dom” de sua avó e Gina forçando a realização da previsão da vidente chamando por qualquer Mark que estivesse no bar (alguém mais se lembrou imediatamente de Joey Tribbiani procurando por um Mike no Central Perk?) não foram piadas geniais e de fazer rolar de rir, mas dentro de seus respectivos contextos foram eficazes. Porém, volta aquela sensação de um “quase lá”, em que você acha que vai finalmente soltar uma risada de verdade, mas volta para uma estabilidade no humor.
“The Tagger” não seria nem um pouco alarmante se fosse um episódio de metade de temporada de uma série já razoavelmente consagrada. Ele só se torna um risco por ser um tanto quanto morno e despretensioso demais para uma série que está ainda lutando para ganhar o seu espaço cativo dentro de uma grade. Os números não foram dos mais animadores: queda na audiência total e também na demo.
Brooklyn Nine Nine precisa mesmo é se arriscar. Está longe da hora de criar uma zona de conforto – céus, é início de fall season! -, mas o segundo episódio ficou muito linear se comparado com o piloto, e para fisgar o público a série vai precisar mostrar mais. Há recursos e talentos para serem explorados, mas se a coisa começar a se encostar em uma mesmice, as chances de fracasso ficarão maiores. Sigo firme acompanhando pois acredito no potencial, mas devo ser realista: ou B99 engata de vez nas próximas três semanas no máximo, ou o alarme de cancelamento pode começar a soar.















