Finalmente ganhamos um episódio bem estruturado e com momentos acima da média. Os três núcleos principais foram bem desenvolvidos e as conclusões, mesmo não esperadas, estiveram longe de decepcionar.
Vamos começar por Lindsay, que essa semana não só colocou o carisma para funcionar, como conseguiu fazer a audiência finalmente torcer para que ela supere a dependência crônica do Edgar. As cenas em que andava de bicicleta, com um sorriso estampado no rosto (uma tentativa frustrada de retomada e independência), chegando ao mesmo ponto de onde havia saído, simboliza de forma cômica e até criativa, o abandono do roteiro com a própria personagem. Alguém poderia colocar umas placas indicando qualquer direção para longe de Becca, mas…ops…
Se a ausência do cuidadoso Paul já causa todo aquele transtorno, imagina com é ter uma irmã como aquela. Quem não sentiu pena ao ouvi-la dizer que uma casa vazia já era algo comum para Lindsay? Surpreendente, sem dúvida, foi o diálogo com o Vernon, onde ao ser questionado sobre a utilidade Lindsay, disse a frase mais bonita da season inteira (até agora), algo como: você pode não parecer útil, mas faz as pessoas felizes.
No segundo núcleo, aquele em que Edgar flerta com a professora de comédia improvisada, as coisas andam bastante animadoras. As cenas em que eles vão aos poucos ganhando afinidade, trocando olhares, destoam bastante da energia super/bad que ronda a temporada. Destaque para os debates em torno do machismo que o grupo da Dorothy reproduzia, algo muito presente na cultura artística e que Edgar sabiamente captou. Legal ver uma série que tem apenas 20 minutos semanais, levantar discussões importantes sobre assédio, ética e relações amorosas, pontuando como em geral os homens usam erroneamente fragmentos do movimento feminista para se perpetuar no poder. Ponto para o núcleo, ponto para Collette Wolfe; que entrou afiada no elenco; e ponto para Edgar que continua sendo o melhor Edgar.
Por fim, e não menos importante, temos o casal de protagonistas que finalmente colocou as cartas na mesa e deixou claro o que diferencia YATW de outras séries. Quem imaginava um desfecho fácil para as saídas de Gretchen, acabou surpreendido com a sua parada solitária no carro e com seu o choro. Mesmo com personagens bastante caricatos, a série vem tentando explorar bem alguns aspectos emocionais que fazem parte das relações afetivas nos dias de hoje.
Jimmy reagiu como uma boa parte das pessoas reagem ao suspeitar de uma traição e constatar que ela não é real, ou seja, ignorou as verdadeiras motivações e preferiu seguir sem aparentar preocupação. Claro que algumas coisas precisam ser sentidas e vividas só por nós, porém creio que até o fim da temporada, essa tristeza não trabalhada, ganhará uma dimensão ainda maior. Talvez ela represente a virada de jogo que tanto aguardamos.
Menos regular que a primeira temporada e ainda sem o fôlego necessário para um bom desfecho, continuaremos torcendo para que os próximos capítulos sejam ainda melhores e para que tenhamos, finalmente, a nossa boa comédia de volta.
– Algumas pessoas disseram em uma review passada, que eu parecia torcer por um desfecho negativo ou para que algo de ruim aconteça ao casal principal. Na verdade, eu não torço por isso, mas torço para que o roteiro consiga nos cativar, torço para que uma série de 20 minutos consiga manter o nível de qualidade que já apresentou. Se com 6 episódios, ainda estamos no regular, tenho medo que os próximos gerem avaliações ainda piores.
– Para não perder o costume, segue o nome da música que tocou no final do episódio. Ela se chama Beginning to Blue e está no disco Strange Pleasures (2013), da banda Still Cornes.
– Ótimo retorno do super mustache do Jimmy.
– Cena muito legal aquela da terapia em grupo com a trupe do Sam. Deveriam explorar mais e mais.
Até semana que vem.
















