Que saudade que eu estava de uma comédia fizesse rir de forma espontânea e que saiba fazer piada com temas que são “tabus”, de forma bem leve e divertida. Ter um episódio que brinca com a questão da sexualidade fluida foi bem divertido e também serviu para mostrar que tudo não é tão monocromático assim, já que algumas pessoas podem transitar por todas as cores que existam.
“Fazer Pão. Fazer Amor. Qual a diferença? Nenhuma”.
Como foi dito na review passada, a série mostra que os anos pesaram para ela, de forma que todos estão sofrendo as consequências disso. E ver a incansável busca da eterna juventude, por parte dos personagens, cria um movimento de conexão com quem assiste, pois é uma realidade que aflige a todos, que é o receio em envelhecer.
Entretanto, essa busca por juventude, e as mudanças que ocorrem, que são constantes e muito rápidas, de certa forma cria um meio que é desapegado, mas sendo que esse “desapego” é disfarçado em “liberdade”. E aí vem a questão, vale a pena passar por cima de tudo, inclusive de você, para reconquistar anos e acabar aderindo ao que lhe é proposto?
Assistir a Grace e Will sofrendo uma crise por causa da idade foi divertido, e explicita o pensamento de muitas pessoas na atualidade. Vamos fazer o que é de jovem para se sentir jovem. Mas as vezes as coisas de “jovem” vão além do que você consegue ir, ou que sua coluna aguenta.
No que concerne as piadas, posso dizer que era cada uma mais afiada que a outra. A analogia de sexo com o fato de fazer pão foi hilária. Cada nova frase dita por Jackson na aula era dúbia e bastante divertida por mostrar que temos piadas de teor sexual de forma “inteligente” sem cair no vulgar/apelativo ou no “gratuito demais”.
Outro ponto que o episódio brinca bastante é com a questão da fluidez sexual, e admito que eu sou da época que existia só héteros, homo e bissexuais. E jogar no meio que existe várias formas de se relacionar, seja sexual ou não, mostra que a série é sensível a essa revolução sexual que a atual geração está passando.
Confesso que assim que foi dito sobre o assunto na série, eu fui pesquisar a respeito para entender um pouco mais sobre o que era essa sexualidade fluída. É confuso? Bastante, mas é válido por gerar um debate e incitar curiosidade em que está acompanhando.
“Trucks for Tykes,
Trucks for Tykes
Give your truck to Trucks for Tykes
You’ll help Tom and Sue and Chuck
So give a darn and give a truck!
Vroom!”
Saindo do eixo mais psicológico, temos Jack e Karen fazendo aquela dobradinha tão deliciosa de assistir. E assistir o sofrimento deles cantando aquele Jingle foi hilário. Quem nunca passou por isso de cantarolar uma música de propaganda? Agora na minha cabeça vem a inconfundível “Só ipanema tem, as anatômicas”.
Brincar com essas coisas tão presentes na nossa vida e também tirar da escuridão assuntos delicados mostra que a série tem tudo para agradar a todos, e também deixa claro que é possível fazer piadas com tudo que existe na vida. O grande lance é o como essa piada vai ser feita, e é nesse ponto que Will & Grace brilha, por saber transformar tudo em piada de forma adequada, sem ser ofensivo.






















