Nancy quer mudanças. Eu só quero a boa e velha Weeds de volta.

Spoilers Abaixo:

Nas últimas sete temporadas, muita coisa aconteceu na vida dos Botwin, motivadas principalmente pelas escolhas (por diversas vezes precipitadas) de Nancy. Sua ficha finalmente parece estar caindo. Neste começo de temporada, ela vem sofrendo as consequências de uma dessas decisões, tomadas logo no primeiro ano – quando insistiu num relacionamento com Peter Scottson, mesmo sabendo que ele trabalhava no DEA. Entretanto, sinto falta da sua fase nobody knows, quando a gente se surpreendia com suas atitudes, por mais discutíveis que elas fossem.

Lembro-me bem da definição que eu dava quando falava para os amigos assistirem Weeds: “mulher fica viúva e passa a vender maconha para sustentar a casa”. Por mais simplória que seja esse plot, sempre me pareceu transgressor e bastante representativo. A mídia está cheia de exemplos de mães que são capazes de coisas ilícitas e moralmente questionáveis para manter a família e o que sempre me encantou em Weeds foi a maneira peculiar de tratar o assunto ‘drogas’, sem levantar nenhuma bandeira para legalização, proibição, seus efeitos sociais ou como elas afetam a saúde.

Sendo assim, devo dizer que vejo essa temporada como descartável. O último season finale seria uma maneira deliciosa de encerrar a série, juntando todos os personagens e deixando algumas possibilidades para fazer com que o público pudesse tirar suas próprias conclusões sobre o rumo que cada um tomaria na vida. Além disso, a identidade do atirador permaneceria uma incógnita. E conviver com essa dúvida para o resto da vida encheria o meu coração de alegria.

Não foi o que aconteceu, mas também não fiquei decepcionado. Sempre achei que a morte de Peter deveria ter causado comoção pública, afinal, ele se tornou uma pessoa notória, a partir do momento que meteu a cara na televisão para falar sobre o trabalho da divisão anti-drogas. Não causou. Até vimos como isso afetou a sua ex-mulher, mas só agora estamos tendo consciência de quão devastador ela foi para o seu filho, Tim.

O moleque não cresceu na vida. Virou filhote de Michael Myers, passou a maltratar animaizinhos e não consegue decorar o cardápio da filial do Subway em que trabalha. A melhor coisa de sua vida foi namorar a Amber de Parenthood. Adorei revê-la, mesmo nessa personagem um pouco aérea e inocente, bem diferente da filha de Sarah Gilmore.

Esses três primeiros episódios da derradeira temporada de Weeds serviram para fechar o ciclo iniciado na finale da sétima temporada. O cliffhanger está resolvido. Honestamente, não sei o que conduzirá a história daqui por diante e fico temeroso com o que pode ser criado, em virtude de não haver tanto tempo hábil para criar um plot, desenvolvê-lo, solucioná-lo e amarrá-lo com um series finale digno.

No 2º episódio dessa temporada, imaginei que o tino comercial de Nancy veria no hospital uma nova forma de conquistar consumidores e ganhar dinheiro. Sua atitude altruísta me surpreendeu e tem tudo a ver com os novos Botwin, que ela quer forçar sua família a se tornar.

Shane é o que parece estar mais próximo disso. Contrariando minha expectativa, ele decidiu se vingar através da justiça, e não por pura e simples violência, como fez no passado. Ainda preciso ver os rumos que o personagem tomará para saber se gosto ou não dessa evolução. Ele pode ter mudado a partir do incidente com sua mãe, como também pode ter entrado na polícia simplesmente porque essa é uma forma legalizada de poder colocar em prática seu sadismo e psicopatia. Gosto mais dessa segunda opção, meio Dexter.

Andy finalmente está conseguindo ter uma família. Ele sempre foi um paizão desregulado. Casar e sossegar combina perfeitamente com sua personalidade. Mesmo que seja a desregrada da Jill. Estou adorando a desenvoltura das gêmeas, que parecem ter saído direto de alguma sequência de “Colheita Maldita”.

Doug, continua correndo por fora. Ele foi demitido da companhia e parece que se deu bem graças a um golpe. Entretanto, desde que Celia saiu, vejo o personagem como aleatório, sem conseguir se encaixar direito. É possível que ele venha se mantendo na série graças a seu carisma.

Silas é outro que também parece deslocado. Se Nancy insistir na ideia de desistir do tráfico, isso certamente o afetará. Desde que haja cenas de Hunter Parrish sem camisa, pouco me importa o que vai acontecer com ele.

O que eu espero para essa última temporada? Quero Heylia e suas expressões faciais, resolvendo tudo no grito! Quero ver Isabelle, lésbica, gângster e linda! E se Deus existir, quero que Celia ao menos dê as caras para dizer um “Oi Nancy”. #todascruzaosdedos

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