
A careta já diz tudo: Fiona Wallice fez mais uma vítima.
Spoilers Abaixo:
Episódio 3: Campaign Reform
À medida que a campanha de Kip Wallice para o senado avança, Web Therapy vai ficando cada vez mais engraçada. Primeiramente, tivemos a despedia de Maxine que, demitida por Austen, irá abrir um centro de repouso e campo de golfe para ex-freiras (afinal, elas são muito atléticas!). A conversa das duas foi uma beleza: de um lado, Fiona tirando sarro de São Judas Tadeu; de outro, Maxine dizendo que o santo das causas perdidas a ajudou a ser demitida do emprego – como ela queria. Mas eu fiquei em dúvida quando ela disse que Austen amava Fiona e que, por isso, ele não precisava mais dos serviços da assistente. Mas vem cá, ele não tinha dado o pé na bunda da Fiona no episódio anterior?
Em seguida, um novo personagem é apresentado, o marqueteiro Ben Tomlund (que Fiona sequer sabia que havia sido contratado pelo marido). Coitado dele, que tem a missão de transformar Fiona em uma primeira-dama, e mudar – ou pelo menos silenciar – suas opiniões não muito populares (por exemplo, a ideia da moça em criar um imposto para obesos). Mas difícil mesmo vai ser convencê-la a parar de praticar a webtherapy, afinal ela não é terapeuta (para isso teria que se submeter a 15 sessões de 50 minutos com um profissional – mas quem aguenta?).
É interessante notar como cada vez mais se intensifica o egocentrismo da personagem principal. Fiona só olha a seu umbigo, e vai derrotando seus oponentes por sua teimosia e persistência. Assim foi com Maxine, que achou melhor sair do emprego do que lidar com Fiona; e assim é com Ben, que não consegue convencer Fiona a ficar calada sobre as questões polêmicas – sendo vencido pelo cansaço. A exceção temporária foi Robin, o quase affair de Kip, que gravou uma conversa reveladora entre as duas. Mas Fiona já deu um jeito na situação colocando-a para trabalhar na campanha do marido. Pode ter certeza, Fiona sempre dá a volta por cima.
Episódio 4: Sister Act
Se eu gostei do episódio anterior, este quarto capítulo ficou com um gostinho de filler que nem Julia Louis-Dreyfus conseguiu tirar. Não me entendam mal: eu adoro a atriz e sua atuação no seriado, como sempre, foi exemplar. Entretanto, ao se distanciar do desenvolvimento dos enredos anteriores, principalmente o da candidatura de Kip, esse episódio ficou meio avulso e descartável, embora com alguns bons momentos.
Por exemplo, foi ótima a volta de Gina, revelando que espalha por aí todas as fofocas do trabalho antigo de Fiona. Sempre com seu jeito tapada-efeito-de-drogas, a desempregada ex-assistente soltou várias pérolas, como a da investigação sobre as DST’s, a dos idiotas que querem ocupar alguma coisa (Wall Street?) e a em que diz não conhecer Downton Abbey, mas sim “Down To Fuck”.
Mais do que isso, o episódio quis mostrar o que levou Fiona a ser o que é hoje, contando mais detalhes de sua relação com seus pais e com sua irmã Shevaun Haig (Julia Louis-Dreyfus). E olha, quanta tragédia na vida da pobre criança Fiona. Para começar, teve sua cabeça raspada sem dó quando o remédio de piolho acabou. Depois, foi rejeitada por ambos os pais quando se divorciaram. Comparada à irmã, era um desastre (ou pelo menos assim conta Shevaun): Fiona era gordinha, feia, burra e solitária; Shevaun era magra, bonita, inteligente e popular. O problema é que exageraram tanto na dose que a situação deixou de ser engraçada e passou a ser irreal e repugnante (como o tio que abusa sexualmente de Shevaun, por não estar atraído por Fiona; e o pai batia na criança com sapatos de dança).
Além disso, Shevaun vai mostrando que também não tem muito equilíbrio emocional, chegando a “explodir” em alguns momentos. O que seria engraçado, se não fosse tão previsível. E este é um problema de Web Therapy: toda vez que aparece um personagem novo, eles apelam para os mesmos truques no enredo. O personagem – à primeira vista, normal – se mostra instável alguns minutos depois, sempre de maneira semelhante.
Entretanto, foi muito bom ver Fiona descendo do salto, pelo menos uma vez (e palmas lentas para a interpretação de Lisa Kudrow – impecável). Se as histórias trágicas não deram conta de desestabilizar a protagonista (para desespero da irmã), foi uma crítica à sua aparência que o fez. Ao dizer que o terno vermelho não combinava com sua pele e fazia seu cabelo parecer lama, Shevaun acertou o ponto nevrálgico, jogando por água abaixo toda a frieza da protagonista. Chorando como um bebê, foi bom ver ela se perguntando sobre a vida, o universo e tudo o mais.
Todavia, como disse acima, Fiona sempre vence no final. E desta vez, exageraram na crueldade, revelando um lado meio psicopata da webterapeuta. Após conseguir da irmã “psicanalista” o documento que legaliza sua atividade, tratou de dar o bote: tomou conta das finanças da mãe maluca e expulsou da casa dela a irmã falida e toda a sua família, que ficaram sem ter onde morar. Sem dó, nem piedade e ainda rindo da situação.
No fim das contas, ficou a sensação de que tudo poderia ter sido mais bem aproveitado. Em um único episódio, a produção do seriado juntou três capítulos da websérie original em que Julia Louis-Dreyfus participou, fazendo com que tudo acontecesse muito rápido. A meu ver, poderiam ter intercalado com as cenas que dão continuidade à campanha de Fiona, aproveitado a presença especial em um arco de três episódios. Talvez por isso eu tenha ficado com a sensação de que tudo foi muito exagerado, muito desumano. E pior, com a sensação de que todo este drama não serviu de nada para o enredo do seriado encarado como um todo. Talvez, se tivessem divido a história e mesclado com outras, a pausa de uma semana entre os episódios tivesse tornado tudo mais natural. Por isso acho esse episódio o pior em uma temporada até então regular. Mas vamos lá, pensamento positivo.
Demais considerações:
– A relação entre Fiona e o marido deixou de ser como a de um casal normal há muito tempo. Fiona, surpresa pela contratação de Ben, logo perguntou ao cônjuge: “Por que eu não recebi um email sobre isso?”.
– Não só dos chats se faz Web Therapy. As demais atividades da protagonista também são bem interessantes. Descobrimos, no terceiro episódio, os gastos pessoais de Fiona: 5% em caridade, livros e tudo o mais; 20% em “cuidados pessoais”; 25% em restaurantes e 50% em cabelo (lógico!) – fiquei surpreso em ter “caridade” no orçamento, pois ela mesma disse que não tinha nem perigo de ir ler para as crianças órfãs. Também foi muito boa sua visitinha ao site da Marie Claire americana, analisando seus penteados de primeira-dama: The Hillary, The Maggie, The Condoleeza (o melhor!) e The Palin.
– A melhor cena dos dois episódios, sem dúvida, foi a de Kip arrumando as malas, com direito a peruca e lingerie, além de uma mala gigante de cosméticos e uma cueca boxer, que ele revelou não usar (será que é do Trent?). Como eu disse, ele nem se esforça em esconder sua homossexualidade, como supostamente deveria um republicano fazer.
– A irmã tá precisando mais das 15 sessões de terapia que Fiona, não? Vejamos: o marido é artista e gastou todo o seu dinheiro, não tem casa para morar, tem quatro filhos para criar. Para piorar, um dos filhos levou uma faca para escola e o outro vendia drogas – e por isso foi expulso. E agora?
– Finalmente foi revelado por que Kip se interessou por Fiona: quando eles se conheceram, ela estava usando um terno masculino. Agora tudo faz sentido!





















