“Previously On” é de longe o melhor episódio de WandaVision até agora, e não porque ele foi resolutivo ou porque não foi em formato de Sitcom, mas sim devido ao trabalho exímio de roteiro, direção, e dos atores, que tornaram esse último capítulo algo extraordinário. O episódio já começa com o pé na porta, mostrando o “Coven” de Agatha tentando matá-la em 1693, o que não dá certo por algum motivo que ainda não está claro. Pode ser que ela seja naturalmente poderosa demais? Pode, mas se tem uma coisa que esse episódio mostrou é que a Marvel não dá ponto sem nó, então eu ainda espero uma explicação mais profunda de onde vem todo aquele poder. Outra coisa bem legal é como o episódio trata a magia do Universo Marvel! Bem similar ao apresentado em “Doutor Estranho”, temos aqui livros de feitiçaria, encantamentos, runas e tudo mais. Essa versatilidade é uma das minhas coisas favoritas no MCU. Ao mesmo tempo em que temos aventuras espaciais como as de “Guardiões da Galáxia” e histórias mais pé no chão como as dos filmes do Capitão América, também há espaço para estórias com outras temáticas, e isso só deixa o universo cada vez mais rico (apesar de não ser um elemento novo, é claro).

Mas apesar de tudo isso, esse episódio é completamente sobre Wanda. É uma jornada pelo passado traumático e pela psique complexa de uma mulher em luto. Tudo isso é realizado por Agatha, que procura entender de onde vem o poder de Wanda. E é até difícil escolher qual momento do episódio é o mais trágico, pois todo o capítulo é embalado de momentos arrasadores, começando pela infância de Wanda em Sokovia, que responde “Porquê Sitcoms?”. Já havia sido teorizado pela internet inteira que as comédias deviam ter feito parte da infância de Wanda, e era exatamente isso! O pai da família sempre trazia DVDs de comédias Americanas para tentar tirar um pouco a atenção das crianças dos horrores que aconteciam no campo de guerra que chamavam de lar. É perturbador ver aquela família usando uma televisão como negação para o constante terror de suas vidas, mas o momento em que Wanda continua assistindo a “The Dick Van Dike Show” após a destruição da casa, também tem uma certa beleza. É claro que aquela situação é deplorável e não há absolutamente nada de positivo ali, mas é bonito pensar em como a arte e o entretenimento tem um poder tão forte, podendo trazer um certo conforto a uma criança que acabara de perder seus pais tragicamente.

Os Maximoff assistem “The Dick Van Dike Show”.

E aqui acontece um Retcon! Eu não esperava por isso, mas aconteceu: A origem dos poderes de Wanda foram alterados. Em “Vingadores: Era de Ultron”, Wanda e Pietro são apresentados como dois “aprimorados”, humanos que ganharam habilidades após passarem por experiências da Hydra com uma Jóia do Infinito, mas aqui é revelado que Wanda já era uma bruxa antes disso! Isso é muito interessante, pois os poderes da heroína nunca foram tratados como magia propriamente (como os de Doutor Estranho, por exemplo) e sim como algo singular. O Retcon, feito por meio do conhecimento de Agatha, indica que os irmãos Maximoff sobreviveram devido a um “feitiço de probabilidade” usado inconscientemente por Wanda, e que seu poder foi somente “acordado” e potencializado mais tarde pela Jóia da Mente. Aliás, o momento em que a Jóia liberta os poderes de Wanda e lhe mostra a silhueta da Feiticeira Escarlate com o traje clássico dos quadrinhos, é de arrepiar. Também fizeram um ótimo trabalho na caracterização de Elizabeth Olsen, que apesar de ter mudado muito ao longo desses 6 anos, ficou com a aparência praticamente idêntica a do longa de 2015.

Entre esse momento triste e os outros que ainda viriam, Wanda tem um pequeno respiro ao lado de Visão, em um momento que já classifico como um dos mais emocionais de todo o MCU! Aqui nós podemos ver um pouco do comecinho do relacionamento entre os dois lá atrás, antes até de “Capitão América: Guerra Civil” enquanto assistem Sitcoms juntos. Wanda estava totalmente sem rumo após a perda de Pietro, e Visão, com toda sua bondade, empatia e doçura, tenta ajudá-la, e nisso, a relação dos dois começa a florescer. O casal têm sim uma óbvia ligação por causa da Jóia da Mente, mas o que realmente os uniu foi o fato de serem duas pessoas solitárias ainda aprendendo muito sobre a vida. Enquanto Wanda é alguém que já passou por muitas dores e não conhece uma vida de paz, Visão é o completo oposto. Ele sequer conhece o que é a dor do luto, pois nunca amou ninguém. E no meio dessa cumplicidade inocente entre duas pessoas procurando por amor, cada um por sua razão, o sentimento nasce. E isso acontece sem ninguém precisar dizer isso expositivamente. Os personagens narram sim seus sentimentos, mas as camadas mais profundas ficam subtendidas pelo ótimo texto e pelas atuações precisas de Elizabeth Olsen e Paul Bettany. E o que falar do soco no estômago que é a frase “O que é o luto, se não o amor que perdura?” A mensagem que a série passa sobre o luto durante esse episódio não poderia ser de maior sensibilidade.

Wanda e Visão assistem “Malcolm in The Middle”.

Mas como eu disse, esse momento da vida de Wanda foi apenas um breve suspiro. É revelado que absolutamente tudo o que o Diretor Hayward havia falado sobre Wanda é mentira. Ela nunca roubou o corpo de Visão, ou sequer teve o objetivo de fazê-lo. Wanda só queria dar um enterro digno ao companheiro, o que foi negado de maneira cruel por Hayward, que somente via o Sintozóide como uma arma de guerra a ser replicada. A cena em que Wanda coloca sua mão sob a testa do corpo de Visão e diz “Não consigo sentir você” é uma referência (cruel) e direta a dois momentos de “Vingadores: Guerra Infinita”. O primeiro é bem doce e acontece no começo do filme, quando o casal está em uma “escapada romântica” e Wanda diz ao companheiro que ele é tudo o que ela sente na Jóia. Já o segundo é a famosa cena do sacrifício de Visão, que antes de morrer declara seu amor uma última vez com a mesma frase: “É só você que eu sinto”. É uma excelente sacada dos roteiristas em como fazer o fã se desmanchar em lágrimas, e ainda traz unidade ao Universo.

Após essa apoteose de lágrimas, as grandes  perguntas são finalmente respondidas! Depois de não conseguir fazer um funeral para o companheiro, Wanda vai até uma Westview decadente, onde Visão havia comprado uma casa. O momento em que Wanda abre a escritura da propriedade e lemos “Um lar para envelhecermos juntos” em volta de um coração vermelho (como aquele misterioso no calendário do episódio piloto) é de quebrar o coração. Talvez, inclusive, essa também seja a resposta do porque Wanda continua pulando décadas, sendo que poderia apenas ficar confortável na emulação de sua comédia favorita “The Dick Van Dike Show”. Talvez Wanda quisesse ter a sensação de que viveu uma vida longeva ao lado de Visão, como haviam planejado. É de se pensar… Mas além disso, também é revelado que Wanda realmente foi a única responsável pela criação da falsa realidade de Westview. Ela não consegue segurar toda aquela dor do luto dentro de si, e sem nenhuma expectativa de um possível futuro feliz (já que tudo o que ela conhece é o amor sendo constantemente ceifado), toda aquela melancolia e raiva explodem em um espetáculo visual extremamente bem filmado, e com uma trilha sonora que deixa tudo ainda mais impactante. Ela também traz Visão “de volta a vida” sem nenhuma ajuda, o que é possível devido a sua ligação com a Jóia da Mente. Os efeitos visuais aqui são surpreendentes e reforçam como essas obras feitas para o Streaming não são vistas como “menores” pela Marvel. Mas mesmo com aspectos técnicos de cair o queixo, nada consegue roubar o brilho de Elizabeth Olsen, que entrega uma Wanda completamente desolada. Se essa mulher não for indicada ao Emmy, vai ter panelaço na porta da Academia SIM!

Para encerrar o episódio, vemos Agatha tendo Billy e Tommy como reféns, por um motivo ainda não explicado, e acontece a revelação de que Wanda usa a “Magia do Caos” e é a Feiticeira Escarlate! Opa, peraí… A gente tá cansado de saber que Wanda é a Feiticeira, né? Acredito que não! O jeito com que Agatha faz a “revelação” me dá a impressão de que “A Feiticeira Escarlate” será tratada como uma espécie de entidade mágica no MCU, e que Wanda seja, talvez, uma reencarnação dessa poderosa entidade. Eu posso tá fumando banana, mas acho que o conceito por trás do “Alias” será tratado de alguma forma similar no próximo (e final) episódio. Mas antes de conjecturar um pouco sobre o que pode acontecer na próxima semana, eu gostaria de falar sobre uma crítica recorrente que esse episódio vem sofrendo por aí: De que ele é expositivo e explicadinho de mais. Discordo firmemente desse ponto de vista. Sinto que é até um pouco desleal reclamar de um episódio expositivo após 7 semanas de constante desenvolvimento de Plot e criação de perguntas que eventualmente precisavam ser respondidas. Foi explicadinho? Foi. Mas isso não é demérito quando a série faz um trabalho exemplar pra chegar nesse ponto e ainda entrega as respostas de maneira brilhante. Como eu falei no começo do texto, “Previously On” é para mim facilmente o melhor episódio da série até agora, e já coloca “WandaVision” entre as produções baseadas em quadrinhos mais complexas e bem desenvolvidas já feitas.

Wanda cria a “realidade perfeita” em Westview.

Se tem uma coisa que eu aprendi depois desses 8 episódios, é que é virtualmente impossível prever com exatidão o que vem a seguir nessa série tão surpreendente, mas já que só falta um, vamo conjecturar um pouco. As maiores teorias dos fãs durante a série sempre tinham o Multiverso e os X-Men da Fox como fonte, mas agora, faltando aparentemente somente 50 Minutos para o fim, é possível que esses sonhos molhados realmente se concretizem? Bom, como eu já havia falado em Reviews passadas, a série podia até estar flertando com a ideia dos personagens da FOX existirem no mesmo Multiverso do MCU, mas o objetivo da série nunca foi sobre apresentar os X-Men ou algo do tipo. Eu acredito que o final deve sim ter repercussões para o Universo Marvel, mas também não ficaria surpreso se ele for um pouco mais contido. Porém, não podemos esquecer que temos sim ganchos que precisam ser respondidos. O que o Fake Pietro fez com Monica Rambeau? Evan Peters é realmente apenas um personagem aleatório controlado por Agatha? E o Visão branco que aparece na cena pós-créditos do episódio? Seria aquele o Ultron no corpo de Visão, ou apenas uma máquina de matar sem consciência comandada por Hayward? A minha teoria final (de verdade desta vez) é que teremos uma batalha final entre o Visão Branco e a família Maximoff. Também acredito que o Visão criado em Westview deixará de existir, mas dará algum tipo de encerramento para Wanda. Somente uma coisa é certa, o final promete! (E teremos Doutor Estranho!).

REVISÃO GERAL
Nota:
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wandavision-1x08-previously-onCom episódio brilhantemente escrito e dirigido e atuações fantásticas, "WandaVision" mergulha no passado traumático da protagonista, e já consagra a série como uma das produções baseadas em quadrinhos mais complexas e bem desenvolvidas de todas, além de prometer um final poderoso para a próxima semana.